Fonte: ISMA. Elaboração: StoneX.
Até o momento, cerca de 4,7 milhões de toneladas foram exportadas pela Índia, volume que deve se elevar para 5,5 milhões de toneladas até o fim do mês corrente. Sob a ótica do etanol, cerca de 86% da produção do biocombustível foi realizada a partir de caldo de cana ou melaço B – matérias-primas que retiram integralmente e parcialmente o açúcar do processo produtivo. Sendo assim, a nossa expectativa é de que 3,0 milhões de toneladas do adoçante sejam direcionadas para a produção de etanol ao fim da safra atual.
Ao passo que as perspectivas produtivas se mostram mais claras na Índia, é importante analisar o andamento da safra em outros players. No México, 30,7 milhões de toneladas de cana foram processadas desde o início de outubro/21 até a primeira semana de março - volume 1,9% inferior às estimativas da Conadesuca para o período, além de indicar uma queda anual de 1,7%.
Tal desempenho é resultado da umidade excessiva sobre parte dos talhões, o que tem pressionado o ritmo dos trabalhos em campo. Tanto que a área colhida da safra corrente alcança 404,6 mil hectares – patamar que representa retração de 6,4% e 6,8% no comparativo safra-a-safra e frente às previsões oficiais, respectivamente. A produtividade agrícola, por outro lado, caminha para um nível 3,8 toneladas/hectares superior às estimativas iniciais, posicionando-se em 75,98 toneladas/hectares.
Como consequência, a oferta de açúcar pelo país alcança 3,3 milhões de toneladas, 0,9% inferior quando comparado à safra 2020/21. Do total produzido, cerca de 810,8 mil toneladas já foram exportadas pelo México, sendo que a expectativa é de que o país direcione 2,4 milhões de toneladas ao exterior até setembro/22.
Como de costume, boa parte deste volume deve ser direcionada aos EUA, sobretudo diante das previsões do USDA de que a relação estoque/uso no país se posicione em 13,6% no ciclo 2021/22 – nível 0,3 ponto percentual abaixo do observado na safra passada. Do total a ser adquirido do mercado internacional pelos EUA, cerca de 34,5% devem ser oriundos do México.
Por ora, nós mantivemos nossa projeção de que a oferta mexicana apresente alta anual de 6,9% em 2021/22, sendo estimada em 6,1 milhões de toneladas – ainda que tal perspectiva dependa do regime climático ao longo das próximas semanas. Segundo monitoramento climático da StoneX, as chuvas devem se manter regulares durante os próximos 14 dias nas principais áreas canavieiras do México – o que pode trazer pressão adicional sobre o ritmo de colheita. Considerando que a diferença atual frente às estimativas oficiais se mantenha até o fim da temporada, a produção de açúcar no país pode encerrar o ciclo em 6,0 milhões de toneladas.
Em um horizonte de longo prazo, os preços atrativos da commodity ainda podem dar suporte à ampliação da área canavieira no México. Nesta quinta-feira (17), o maio/22 do #11 encerrou as negociações da ICE/NY cotado a US¢ 18,69/lb (alta diária de 0,7%) – movimentação que acompanhou a desvalorização do dollar index e a alta do petróleo Brent, em meio ao menor otimismo acerca de um acordo entre Rússia e Ucrânia.