Maior volume de chuvas permanece como ponto de atenção para o ciclo corrente
Chuvas excessivas sobre os canaviais tailandeses atrapalharam o andamento da colheita do ciclo 2021/22 (out-set). Na região Central do país, por exemplo, a umidade observada em janeiro/22 superou as normais climatológicas em 92%. Já nas áreas de cana do Nordeste, as precipitações caminharam em linha com a média histórica.
Ainda que dados para fevereiro não tenham sido divulgados, as previsões do Departamento de Meteorologia do país (TMD, em inglês) previam precipitações regulares sobre tais áreas – principais centros canavieiros da Tailândia. Em vista das condições climáticas adversas, parece provável que o país tenha potencial de produzir 9,9 milhões de toneladas de açúcar em 2021/22 (out-set) – volume que representa alta anual de 31,1%, mas que ainda se posiciona 10,5% abaixo da média dos últimos 10 anos.
Para o mês corrente, os modelos climáticos do TMD apontam para chuvas acima da normalidade, na ordem de 30% nas regiões Nordeste e Central do país. Entre abril e maio, por sua vez, a umidade deve permanecer abundante sobre as principais áreas de cana da Tailândia, com um volume projetado para superar a média histórica entre 10% e 20%.
Tal perspectiva deve conferir pressão adicional sobre os trabalhos em campo do ciclo corrente, mas garantem um ambiente favorável para o desenvolvimento dos canaviais a serem processados em 2022/23 (out-set). De fato, os agricultores do país estavam aguardando o desempenho climático para definir suas intenções de plantio, com a cana-de-açúcar apresentando vantagem em meio aos preços atrativos e chuvas regulares.
Vale lembrar que o preço pago ao produtor deve se manter atrativo no próximo ciclo, com as discussões girando em torno de THB 1.200/t, a depender da qualidade do produto e se for adotada a queima como método de colheita. Para além disso, o menor excedente exportável indiano também pode abrir margem para maiores lucros pelas usinas da Tailândia – perspectiva que deverá estimular a produção na próxima temporada.
Por outro lado, o preço da mandioca também vem operando em nível elevado em 2022, apresentando uma alta de 11,3% no comparativo anual. Levando tais pontos em consideração, nossa expectativa preliminar é de que a oferta de açúcar tenha potencial de alcançar entre 12 e 13 milhões de toneladas na Tailândia em 2022/23. No entanto, os custos de produção elevados ainda podem limitar tal desempenho.
Ainda que a área canavieira apresente ampliação frente ao ciclo corrente, as condições climáticas ao longo da temporada e os entraves no mercado de fertilizantes ainda podem pressionar o potencial produtivo das lavouras – tendência que precisará ser avaliada ao longo dos próximos meses. Em um horizonte de longo prazo, alguns indicativos já sinalizam a possibilidade de firme ampliação da extensão canavieira da Tailândia – de modo a aumentar a produção de etanol e atingir planos de descarbonização do setor de transportes.
Direcionando as atenções para o ciclo 2021/22, as exportações tailandesas alcançaram 2,6 milhões de toneladas no acumulado entre outubro/21 e fevereiro/22 – volume que representa alta anual de 84,2%, mas que se posiciona 7,1% abaixo da média de cinco anos. Até o fim da temporada, contatos da StoneX na Ásia esperam que cerca de 7,0 milhões de toneladas de açúcar sejam direcionadas ao exterior.
Com relação ao pregão desta terça-feira (22), o contrato contínuo do #11 operou com baixa volatilidade, encerrando as negociações da ICE/NY em US¢ 19,15/lb, apresentando retração diária de 0,7%.
Exportações de açúcar pela Tailândia (toneladas)
Fonte: TSMC. Elaboração: StoneX.
Atualização: Janela de importação de etanol
Na última segunda-feira (21), a Câmera de Comércio Exterior (Camex) decidiu zerar o imposto de importação de açúcar e etanol até dezembro deste ano. Anteriormente, a alíquota sobre o biocombustível oriundo de países que não integram o Mercosul era de 18%. Isto visa baratear os preços dos combustíveis nos postos brasileiros, com estimativas apontando para uma redução de R$ 0,20 sobre o litro da gasolina, mas a medida ainda precisa ser publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (23) para entrar em vigor. No entanto, alguns pontos precisam ser ponderados nesta análise.
Até então, nossos cálculos apontavam para uma arbitragem de importação fechada para a compra do etanol norte-americano. Em Suape/PE e Paulínia/SP, por exemplo, o preço doméstico se mostrava 20,2% e 27,6% inferior ao álcool dos Estados Unidos (EUA) colocado nestas respectivas praças. Ao zerar o imposto de importação, as aquisições spot continuam pouco atrativas, com a janela estando fechada no Norte e Nordeste e Centro-Sul do país.
Tal perspectiva também se mantém para compras feitas com base nos contratos futuros, com a arbitragem se mostrando aberta somente para aquisições do produto norte-americano em outubro/22 em Suape/PE, na ordem de 0,7%. No entanto, a depender dos fretes, câmbio e da movimentação dos preços do etanol nos EUA, tal medida pode estimular maior nível de compras internacionais nos próximos meses. É preciso ponderar, contudo, que a cotação do álcool no mercado brasileiro pode ser pressionada a partir do início da safra 2022/23 (abr-mar) no Centro-Sul, sobretudo quando analisamos a menor procura por combustíveis no mercado doméstico.
Tabela de indicadores