Setor aposta na produção de outros biocombustíveis para o alcance dos planos de descarbonização no longo prazo
Nesta quarta-feira (23), o maio/22 do #11 encerrou o pregão da ICE/NY cotado a US¢ 19,24/lb, acumulando alta diária de 0,5%. Além da depreciação do dólar comercial, a movimentação do demerara continuou acompanhando os ganhos do petróleo Brent no mercado internacional.
Ao passo que o mercado avalia as perspectivas para o setor petrolífero, parte das atenções também se direcionam para o andamento do RenovaBio. No acumulado de 2022, o número de CBIOs disponíveis no mercado ou já retirados de circulação totaliza 16,2 milhões de Créditos – volume que já contabiliza o superávit de 10,4 milhões ao final de 2021. Ao considerar apenas a geração do ano corrente, este volume se posiciona 10,1% abaixo do registrado no mesmo período de 2021.
O ritmo mais lento de produção de CBIOs se deve à menor procura por combustíveis nos postos do Brasil, enquanto a paridade nas bombas se mostrou fechada ao consumo de hidratado nos últimos meses. Para além disso, o menor processamento de cana durante a entressafra do ciclo 2021/22 (abr-mar) no Centro-Sul, aliado à perspectiva de maximização do mix açucareiro na próxima temporada, também corroboram esta conjuntura.
Do total disponível, cerca de 11,4 milhões de Créditos se encontram nas mãos das partes obrigadas do programa, isto é, as distribuidoras. Considerando o volume adquirido e aposentado, mais de 30% da meta estipulada para 2022 já foi alcançada. No entanto, é preciso ponderar que os dados da B3 não discriminam se a aposentadoria veio por parte de especuladores, que são investidores que não apresentam obrigatoriedade com o RenovaBio.
No acumulado do ano corrente, os estoques de CBIOs nas mãos das partes não obrigadas totalizou 159,1 mil Créditos, volume que é quase quatro vezes superior ao observado no mesmo período de 2021. É evidente, portanto, que o RenovaBio vem ganhando liquidez também de forma indireta, na medida em que o mercado aumenta a especulação e o Crédito passa a ser utilizado como forma de comprovar ações sustentáveis.
Com base nisso, o preço médio do CBIO, ponderado pelo volume de negociações, já alcança R$ 80,69/CBIO em 2022 – nível 125,3% superior no comparativo anual. Nos últimos dias, o Crédito passou a ser negociado a R$ 99/CBIO, sendo o dobro do patamar observado no início do ano corrente. Consequentemente, a remuneração obtida a partir do programa já alcança R$ 124,5/m³ para o hidratado e R$ 132,2/m³ para o anidro, segundo cálculos da StoneX. Em paralelo, o impacto sobre os preços da gasolina nas bombas é estimado em cerca de R$ 0,09/L.
Preço médio ponderado (R$/CBIO) e volume de negócios
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Ainda há espaço para os preços dos CBIOs se valorizarem, de modo a tornar ainda mais atrativa a produção e, por consequência, o consumo de biocombustíveis. No ciclo 2022/23 (abr-mar), nossa expectativa é de que a produção de etanol de cana-de-açúcar no Centro-Sul apresente uma alta anual de 5,6%, para 25,5 milhões de m³. Ao considerar a oferta a partir do milho, tal volume pode apresentar ampliação de 7,3%, sendo projetado para 29,7 milhões de m³.
Em meio aos entraves no mercado de petróleo, parece provável que o hidratado recupere sua participação no consumo de combustíveis do Ciclo Otto. De fato, nossa expectativa é de que o share de hidratado na procura por esta classe de carburantes seja de 30%, contra 25% no ciclo corrente. No entanto, a descapitalização do consumidor final segue como ponto de atenção, o que pode pressionar o consumo de combustíveis em geral.
De qualquer forma, o ano corrente deve encerrar com volume de Créditos suficiente para cumprir a meta estipulada pela ANP. Como há muito comentado em nossas análises, a preocupação do mercado gira em torno do longo prazo, já que as obrigações do programa se mostram agressivas a partir de 2026 – o que pode resultar em um déficit de CBIOs.
É evidente, portanto, a necessidade de se investir na oferta de biocombustíveis, sobretudo daqueles produzidos a partir de resíduos, como é o caso do biometano – que apresenta uma maior Nota de Eficiência Energético-Ambiental (NEAA). Tal objetivo vem em linha com os compromissos firmados pelo Brasil na COP26, de reduzir em 30% suas emissões de metano até 2030, com o governo lançando novas linhas de financiamento para ampliar a produção do biocombustível, o que deve estimular o avanço da capacidade de produção brasileira.
Segundo a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), a produção nacional tem potencial de alcançar 120 milhões de m³ por dia, o que equivale a 70% da demanda brasileira de diesel. Para além disso, também é discutido nova resolução para os produtores de biocombustíveis a partir de grãos, o que pode favorecer sua participação na geração de CBIOs. Para acompanhar as informações diárias sobre o programa RenovaBio, acesse o
conteúdo interativo da Inteligência de Mercado da StoneX.
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