Usinas indianas devem direcionar volume recorde ao exterior na temporada corrente
Nesta segunda-feira (28), fatores baixistas prevaleceram sobre os futuros do petróleo, em meio ao avanço da Covid-19 na China e maior otimismo acerca de um acordo entre Rússia e Ucrânia. Acompanhando esta movimentação, o maio/22 do #11 encerrou o pregão da ICE/NY cotado a US¢ 19,59/lb, acumulando desvalorização de 0,1% em relação ao fechamento de sexta-feira (25).
O bom desempenho da safra 2021/22 (out-set) na Índia também traz maior conforto para o balanço de O&D do demerara. De fato, a produção do adoçante deve alcançar um recorde em Maharashtra e Karnataka, em meio ao ganho de produtividade dos canaviais. Por outro lado, em Uttar Pradesh, a diversificação para o etanol e menor taxa de extração de açúcar podem pressionar a oferta ao final da safra, projetada para alcançar 10 milhões de toneladas – volume que se posiciona abaixo das expectativas da ISMA, na ordem de 200 mil toneladas.
Nossas estimativas são de que o país asiático tenha potencial de produzir cerca de 33,2 milhões de toneladas de açúcar no ciclo corrente – abrindo margem para que as exportações da commodity permaneçam aquecidas. Tal perspectiva é corroborada pela maior procura internacional, bem como pelo ganho de competitividade do produto indiano em detrimento de outros players, sobretudo em meio à valorização dos fretes marítimos.
Indicativos apontam que a Índia já contratou cerca de 7,0 milhões de toneladas para exportação, evidenciando que o direcionamento de açúcar ao exterior poderá renovar a máxima registrada no ciclo 2020/21, de 7,1 milhões de toneladas. Diante do desempenho recente, parece provável que o país tenha potencial de exportar 8,0 milhões de toneladas na temporada atual.
Exportações de açúcar pela Índia (milhões de toneladas)
*Estimativa. Fonte: ISMA. Elaboração: StoneX.
Caso concretizado, nossos cálculos apontam para estoques finais de 6,2 milhões de toneladas – sendo que Nova Delhi visa iniciar a safra 2022/23 com reservas de 6 a 7 milhões de toneladas, volume que seria suficiente para suprir a demanda doméstica ao final do ano corrente. A grande preocupação, portanto, gira em torno do avanço das negociações das usinas indianas com o exterior – o que poderia colocar em risco a segurança alimentar do país.
Diante desta conjuntura, a Índia discute a possibilidade de restringir as exportações, colocando um limite de 8,0 milhões de toneladas para a temporada corrente – o que atua como fator de suporte para os futuros do açúcar. Se aprovada, tal política iria na contramão dos diversos auxílios concedidos ao setor açucareiro local para viabilizar o maior direcionamento de açúcar ao mercado internacional, de modo a reduzir o excedente do produto no mercado doméstico. Em vista da ampliação da produção de etanol, é evidente que o adoçante produzido na Índia deve apresentar menor participação global nos próximos anos.
Tal medida também teria o objetivo de conter a inflação, em meio aos preços elevados dos alimentos no mercado interno. Isto não se limita à Índia, já que o conflito entre Rússia e Ucrânia também pode fazer com que outros players procurem dar preferência ao consumo interno, limitando as exportações do adoçante. Consequentemente, parece provável que o Diferencial Londres Nova-Iorque (Prêmio do Branco), utilizado como proxy da margem de refino, continue operando em patamares sustentados – ainda que o avanço da Covid-19 e entraves logísticos se coloquem como ponto de atenção para a procura internacional por açúcar.
Tabela de indicadores