O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Diário Sucroenergético

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preço PVU do hidratado opera com prêmio de 9,6% sobre o K2 do #11 
 
Marina Malzoni
Arthur Machado
Marcelo Di Bonifácio
Impactos da maior volatilidade nos mercados de commodities sobre o mix produtivo do ciclo 2022/23
Novo acompanhamento de safra da UNICA, referente à primeira quinzena de março, mostrou que a moagem permaneceu pressionada no Centro-Sul do Brasil. De fato, apenas 142,3 mil toneladas de cana foram processadas no período, volume que representa uma queda anual de 91,5%, além de ser 93,1% inferior à média dos últimos três anos. No comparativo com a série histórica, esta é a menor moagem observada desde o ciclo 2013/14 (abr-mar).
No acumulado da safra 2021/22, por sua vez, o processamento da matéria-prima se posiciona 13,1% abaixo do registrado em 2020/21, totalizando 521,9 milhões de toneladas. Como há muito comentado, os trabalhos em campo no Centro-Sul devem ganhar força apenas entre abril e maio, já que as usinas esperam o desenvolvimento dos canaviais para obter melhores níveis de produtividade – o que deve pressionar o volume de cana a ser colhido na safra corrente. A título de comparação, caso a moagem da próxima quinzena mantenha a diferença atual em relação ao ano passado, o resultado da temporada 2021/22 deve ficar mais próximo de 526 milhões de toneladas.
Ao passo que o quadro se mostra mais claro para a safra corrente, as atenções se direcionam para o ciclo 2022/23. Até o momento, os modelos climáticos corroboram nossa estimativa de que a moagem tenha recuperação anual de 7,6%, estimada em 565,3 milhões de toneladas. Até o final de março, espera-se que a precipitação na ponderação das áreas canavieiras do Centro-Sul alcance 151,6 mm – cerca de 20,7% acima da média dos últimos 10 anos, o que se mostra benéfico para o potencial produtivo dos canaviais. 
Moagem de cana no Centro-Sul do Brasil (milhões de toneladas)
image 33071
Fonte: UNICA. Elaboração: StoneX.
Em vista da maior volatilidade nos mercados de commodities, o questionamento gira em torno do comportamento do mix produtivo das usinas. No caso do açúcar, o bom desempenho da safra na Índia traz maior conforto para o saldo global do adoçante em 2021/22 (out-set) – tendência que vem sendo evidenciada pelo próprio spread NYN2-NYV2, que se situou em um carrego de US¢ 0,09/lb nesta terça-feira (29). No entanto, tal como comentado na véspera, uma possível limitação das exportações indianas ainda pode conferir tom altista para os futuros do açúcar.
Pelo lado da demanda, o consumo global segue aquecido, com destaque para os países do Sudoeste Asiático, o que pode fazer com que o mercado internacional busque atrair o adoçante produzido no Brasil. Em contrapartida, o aumento dos casos da Covid-19 na China desperta preocupação, sobretudo porque novas medidas de isolamento social podem acarretar entraves logísticos. Nesta segunda-feira (28), por exemplo, a média móvel de sete dias apontou para 1,88 mil novos casos da doença no país asiático – mais do que o dobro das infecções observadas no início de março.
No que tange o mercado de etanol, dados da UNICA evidenciaram relativa recuperação do consumo doméstico no Centro-Sul. Nesta 1ª quinzena de março, a procura interna pelo biocombustível foi de 1,1 milhão de m3, apresentando crescimento quinzenal de 14,6%. No entanto, quando comparado ao mesmo período do ano passado, este volume representa queda de 8,7%.
Apesar do maior protagonismo do anidro, vale destacar que o share do hidratado no consumo de Ciclo Otto apresentou alta quinzenal de 1,6 ponto percentual – refletindo a paridade de preços entre o etanol e a gasolina mais próxima de 70% na região. Dados da ANP, referentes à última semana, apontaram para uma paridade de 69,3% nos postos do Centro-Sul. Ainda assim, as incertezas no campo macroeconômico e o menor poder de compra do consumidor final seguem como ponto de atenção para a mobilidade urbana.
Ao longo das próximas semanas, os preços do biocombustível devem ser guiados pelos estoques confortáveis, mas principalmente pela movimentação cambial e do petróleo no mercado internacional. O avanço do quadro pandêmico na China e o maior otimismo acerca das negociações entre Rússia e Ucrânia pressionaram o nível de negociação do Brent, que já opera mais próximo dos US$ 110/barril. Diante disto e da apreciação do real, o preço da Gasolina A nas refinarias teria que ser reajustado negativamente em R$ 0,1317/L para manter a paridade com os preços internacionais, segundo cálculos da StoneX.
Nesta terça-feira (29), o preço PVU do hidratado, com base em Ribeirão Preto/SP, ficou cotado em R$ 4,10/L – alta semanal de 3,8%. Em paralelo, o maio/22 do #11 chegou a alcançar a mínima de US¢ 18,84/lb, mas encerrou as negociações da ICE/NY cotado a US¢ 19,11/lb – acumulando retração diária de 2,5%. Consequentemente, o biocombustível opera com um prêmio de 9,6% sobre o demerara, o que poderia sugerir um ambiente mais atrativo para a destilação do álcool.
É importante ponderar, contudo, que o ritmo de contratação de açúcar para exportação pelas usinas do Centro-Sul segue avançado, com 76,4% da produção da próxima safra já estando fixada na ICE/NY – o que deve limitar mudanças significativas de mix. Com base nisso, nos parece provável que a produção de açúcar pelo cinturão canavieiro fique próxima a 34,5 milhões de toneladas em 2022/23. 
 
Tabela de indicadores
image 33083
 
 
 
  • Combustíveis Renováveis

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Combustíveis Renováveis

Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

Matt Zeller
Matt Zeller
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.