Fonte: UNICA. Elaboração: StoneX.
Em vista da maior volatilidade nos mercados de commodities, o questionamento gira em torno do comportamento do
mix produtivo das usinas. No caso do açúcar, o bom desempenho da safra na Índia traz maior conforto para o saldo global do adoçante em 2021/22 (out-set) – tendência que vem sendo evidenciada pelo próprio
spread NYN2-NYV2, que se situou em um carrego de US¢ 0,09/lb nesta terça-feira (29). No entanto, tal como comentado na
véspera, uma possível limitação das exportações indianas ainda pode conferir tom altista para os futuros do açúcar.
Pelo lado da demanda, o consumo global segue aquecido, com destaque para os países do Sudoeste Asiático, o que pode fazer com que o mercado internacional busque atrair o adoçante produzido no Brasil. Em contrapartida, o aumento dos casos da Covid-19 na China desperta preocupação, sobretudo porque novas medidas de isolamento social podem acarretar entraves logísticos. Nesta segunda-feira (28), por exemplo, a média móvel de sete dias apontou para 1,88 mil novos casos da doença no país asiático – mais do que o dobro das infecções observadas no início de março.
No que tange o mercado de etanol, dados da UNICA evidenciaram relativa recuperação do consumo doméstico no Centro-Sul. Nesta 1ª quinzena de março, a procura interna pelo biocombustível foi de 1,1 milhão de m3, apresentando crescimento quinzenal de 14,6%. No entanto, quando comparado ao mesmo período do ano passado, este volume representa queda de 8,7%.
Apesar do maior protagonismo do anidro, vale destacar que o share do hidratado no consumo de Ciclo Otto apresentou alta quinzenal de 1,6 ponto percentual – refletindo a paridade de preços entre o etanol e a gasolina mais próxima de 70% na região. Dados da ANP, referentes à última semana, apontaram para uma paridade de 69,3% nos postos do Centro-Sul. Ainda assim, as incertezas no campo macroeconômico e o menor poder de compra do consumidor final seguem como ponto de atenção para a mobilidade urbana.
Ao longo das próximas semanas, os preços do biocombustível devem ser guiados pelos estoques confortáveis, mas principalmente pela movimentação cambial e do petróleo no mercado internacional. O avanço do quadro pandêmico na China e o maior otimismo acerca das negociações entre Rússia e Ucrânia pressionaram o nível de negociação do Brent, que já opera mais próximo dos US$ 110/barril. Diante disto e da apreciação do real, o preço da Gasolina A nas refinarias teria que ser reajustado negativamente em R$ 0,1317/L para manter a paridade com os preços internacionais, segundo cálculos da StoneX.
Nesta terça-feira (29), o preço PVU do hidratado, com base em Ribeirão Preto/SP, ficou cotado em R$ 4,10/L – alta semanal de 3,8%. Em paralelo, o maio/22 do #11 chegou a alcançar a mínima de US¢ 18,84/lb, mas encerrou as negociações da ICE/NY cotado a US¢ 19,11/lb – acumulando retração diária de 2,5%. Consequentemente, o biocombustível opera com um prêmio de 9,6% sobre o demerara, o que poderia sugerir um ambiente mais atrativo para a destilação do álcool.
É importante ponderar, contudo, que o ritmo de contratação de açúcar para exportação pelas usinas do Centro-Sul segue avançado, com 76,4% da produção da próxima safra já estando fixada na ICE/NY – o que deve limitar mudanças significativas de mix. Com base nisso, nos parece provável que a produção de açúcar pelo cinturão canavieiro fique próxima a 34,5 milhões de toneladas em 2022/23.