* Estimativa. Fonte: Comissão Europeia. Elaboração: StoneX.
De todo modo, o plantio para 2022/23 (out-set), iniciado em meados de março deste ano, tem sido beneficiado pela ótica do clima – ainda que algumas regiões da França receberam temperaturas abaixo do normal no início de março/22, podendo afetar o avanço da semeadura. Notícia positiva para os produtores franceses é a liberação do uso emergencial dos neonicotinioides, seguindo as medidas adotadas no Reino Unido – decisão não seguida pela Alemanha, no entanto. No geral, as pragas biológicas que podem afetar o plantio costumam surgir quando há temperaturas acima do normal no período de desenvolvimento das raízes. No momento, não existem previsões climáticas que apontem para esse cenário, mas sempre há o risco para o produtor, que busca manejar suas lavouras de forma mais eficiente e poder usar, mesmo que com restrições, o defensivo, fato que traz menos chances das quebras de 2020/21 ocorrerem novamente.
Para o mercado europeu de açúcar, a produção em 2022/23 não deve ter incremento anual e os estoques continuarão em ritmo lento de recuperação depois do recuo forte de dois anos atrás. Nessa perspectiva, não devem vir da Europa potenciais aumentos de produção do adoçante, diferentemente de Índia, Tailândia e Brasil, por exemplo. No continente europeu, portanto, o sentimento altista para os preços pode permanecer como tem sido no ciclo 2021/22, pelos fundamentos de oferta e demanda da região, mas também pelo fator de custos de produção em toda a cadeia da commodity.
O plantio da beterraba, assim como de outras culturas, já está acontecendo sob preços altíssimos dos fertilizantes, o que impacta nos preços ao produtor. Outro ponto importante relacionado aos custos é o processamento do açúcar, que encareceu frente à escalada das cotações dos combustíveis. Na Europa, muitas fábricas dependem do gás natural como fonte de energia, cujos preços entraram em aceleração no ano de 2021 e se encontram nos maiores patamares da história. Por isso, já no ciclo atual, a fabricação do adoçante a partir da beterraba teve maior dispêndio neste sentido, fato que pode se repetir em 2022.
As perspectivas para o mercado do gás natural dependem diretamente dos desdobramentos da guerra entre Ucrânia e Rússia, principal fornecedora do produto ao mercado europeu. Apesar de não haver sanções diretas ao gás russo, as importadoras promovem atualmente uma política de “auto sancionamento”, de modo a reduzir as compras do produto devido às questões de imagem dessas companhias ou por medo de possíveis punições a serem feitas por países ocidentais. Dessa forma, a extensão da guerra no Leste Europeu deve manter os preços do energético sustentados, mesmo com o fim do inverno europeu – momento em que, sazonalmente, há aumentos dos estoques no continente e cotações tendendo para quedas. Caso o conflito se resolva e a Rússia mantenha os níveis de exportação para a Europa, a tendência é de arrefecimento dos preços no médio prazo, até que retorne a demanda sazonal no final do ano. Assim, a depender do cenário, o processamento da beterraba-sacarina será mais ou menos encarecido pelos combustíveis, que estão de qualquer forma em patamares historicamente elevados.