Estoques de petróleo avançam nos EUA
De acordo com os dados divulgados pelo DOE, os estoques de petróleo nos EUA avançaram 7,7 milhões de barris ao longo da semana, posicionando-se ao redor dos 427 milhões de barris. A forte expansão das reservas foi influenciada principalmente por um recuo acelerado das exportações ao longo da semana, de 1,1 mbpd (-30%), enquanto a produção doméstica se manteve estável e as importações apresentaram uma leve melhora.
Vale destacar, ainda, que o consumo pelas refinarias se manteve aquecido, em 16,9 mbpd, com o FUT se mantendo acima dos 95 pontos, o que evitou um aumento maior dos estoques. Os níveis de estocagem da commodity passou a ficar mais próxima ao observado no mesmo período de 2024 (433 milhões de barris), mas ainda abaixo do observado nas mínimas históricas dos últimos cinco anos, com os investidores ainda incertos em relação à capacidade norte-americana de promover uma reconstrução das reservas no curto prazo.
Em relação aos derivados, foi registrado uma queda dos estoques de gasolina, em 2,7 milhões de barris, e um avanço das reservas de diesel, em 3,6 milhões de barris. Para a gasolina, a recuperação das vendas no mercado doméstico e ao exterior foi o principal fator que garantiu o balanço deficitário, seguindo uma movimentação sazonal para a última semana de julho. No caso do diesel, o avanço expressivo da produção doméstica (+2,6%) e das importações (+99%) foram os primeiros contribuintes para o aumento das reservas, que se mostram bem mais elevadas frente ao observado no início de julho, quando o indicador atingiu o menor nível desde 2005.
Trump segue ameaçando governo russo
Outro fator que chamou a atenção do mercado ao longo da sessão passada se deu na confirmação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que ele anunciaria 100% de tarifas secundárias contra países que compram produtos russos caso Moscou não evoluísse a negociação de paz com a Ucrânia ao longo dos próximos dez dias.
Somado a isso, o governo norte-americano confirmou a taxação de 25% sobre produtos da Índia, utilizando como parte da motivação dessas novas tarifas a continuidade das compras indianas de petróleo e armas produzidas na Rússia. Na sequência, Trump ameaçou aplicar a mesma medida para a China.
Tal situação acabou por entregar suporte aos preços do petróleo, em meio aos temores de que a aplicação de tarifas sobre parceiros econômicos da Rússia possa resultar em um maior aperto no balanço global da commodity, conforme os consumidores passam a buscar outros fornecedores no mercado, encarecendo os custos de logística e aquisição da commodity.
Vale destacar que, apesar das ameaças, os prêmios do barril ESPO – que é escoado pelos portos orientais da Rússia – seguiu elevado, evidenciando uma demanda ainda aquecida pela China e Índia, que são os principais demandantes do produto escoado pelo porto de Kozmino.
Trump confirma tarifas, mas isenta petróleo brasileiro
Ontem, a Casa Branca emitiu uma ordem confirmando a aplicação de tarifas de 40% aos produtos brasileiros, somados aos 10% definidos em abril.
Apesar de, inicialmente, a medida gerar novos temores em relação às exportações do Brasil, a ordem também apresentou um anexo isentando diversos produtos das tarifas anunciadas. Dentre eles, o petróleo foi um dos bens que teve a eliminação das tarifas, fator que deve garantir uma manutenção dos fluxos da commodity brasileira ao mercado norte-americano.
É importante lembrar que, atualmente, os EUA é o segundo principal comprador de óleo bruto do Brasil, representando cerca de 11% do volume total. Apesar do seu papel na pauta exportadora de petróleo, outras regiões acabam tendo uma representatividade ainda mais estratégica nesse mercado, como a Ásia, com 56%, e a União Europeia, com 25% do share, fator que gerou um certo alívio em relação à capacidade do Brasil de, em um cenário de taxações maiores, alterar os fluxos de escoamento do seu produto.
- Os preços do gás natural nos EUA fecharam a sessão de ontem em baixa, com o contrato mais ativo do Henry Hub operando em USD 3,045/MMBTU. No Brasil, considerando o contrato da Petrobras 2024/25, os preços do gás natural operaram com uma alta de 1,01% na sessão passado, alcançando USD 8,71556/MMBTU.
- No mercado de gás natural, o contrato mais ativo do Henry Hub amanheceu com baixa de -1,18%, alcançando USD 3,009 MMBTU, ao passo que os preços do gás natural do Brasil - considerando Petrobras 24/25 - operam em baixa de -0,27%, próximos a USD 8,692 MMBTU.
TABELA DE COTAÇÕES (FECHAMENTO DA ÚLTIMA SESSÃO)

Fonte: NYMEX, ICE. Elaboração: StoneX.