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Especial | Arco Norte está ganhando destaque no comércio externo brasileiro

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Arco Norte está ganhando destaque no comércio externo brasileiro
 
Ana Luiza Lodi
Felipe Sawaia
felipe.sawaia@stonex.com
João Pedro Lopes
  Nuria Brito
  Luigi Bezzon
Melhorias logísticas proporcionaram aumento do fluxo de grãos e fertilizantes pelo Arco Norte, mas proteína animal ainda não seguiu a mesma tendência
 
Soja

O Brasil é o maior exportador mundial de soja e deve continuar ocupando esse lugar, à medida que da produção vai crescendo. 

Tradicionalmente, a maior parte da soja brasileira deixa o país pelos portos do Sudeste e do Sul, com destaque para Santos, por onde a maior parte da oleaginosa é escoada.

Contudo, esses portos ficam distantes das regiões produtoras mais ao centro e norte do país. Destaca-se o estado do Mato Grosso, que é o maior produtor nacional de soja, mas cujas distâncias dos portos são grandes, resultando em descontos importantes nos preços para o produtor.

Mesmo que os portos mais tradicionais continuem escoando a maior parte da soja brasileira, os terminais do Arco Norte têm ganhado participação ano a ano. Os investimentos nos próprios terminais, assim como na logística para se chegar até eles, como o asfaltamento da BR-163, têm permitido o crescimento das exportações por essa região, ao reduzir o custo de transporte.

Em 2022, observa-se que as exportações de soja estão mais fracas que no mesmo período do ano passado. No primeiro semestre desse ano, foram embarcadas 53 milhões de toneladas, contra 57,5 milhões na primeira metade de 2021. Além da produção brasileira da oleaginosa ter recuado este ano, por causa das quebras principalmente no Sul, há preocupações pelo lado da demanda, como o apetite chinês, lembrando que o país adota tolerância zero contra a Covid-19, além do contexto macroeconômico de uma possível recessão ao redor do mundo.

Por outro lado, mesmo com essa queda das exportações de soja no primeiro semestre, os portos do Arco Norte aumentaram sua participação no total, tanto em termos relativos quanto absolutos. Até junho de 2022, foram embarcadas 20,8 milhões de toneladas de soja pelo Arco Norte ou 39,2% do total. No mesmo período de 2021, as exportações pelo Arco Norte representaram 33,4% do total, num volume de 19,2 milhões de toneladas.

De qualquer maneira, por mais que o Arco Norte esteja cada vez mais consolidado nas exportações brasileiras de soja, não significa que os portos do Sul e Sudeste estão perdendo protagonismo. Somente pelo porto de Santos, foram embarcados maiores volumes da oleaginosa do que todo o Arco Norte nos primeiros semestres de 2022 e 2021. Contudo, como a quebra da safra 2021/22 ficou concentrada no Sul do país, os portos tradicionais acabaram sendo mais afetados pela menor disponibilidade da oleaginosa em 2022, com destaque para a queda dos embarques em Rio Grande e Paranaguá.

Exportações de soja no primeiro semestre – Brasil (milhões de toneladas)

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Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
 

Milho

O Brasil se destaca no comércio internacional de milho, se posicionando frequentemente entre os três principais exportadores mundiais. Irã, Egito e Espanha são importantes destinos do milho exportado pelo Brasil e, desse modo, dada a maior proximidade desses países, seria natural um aumento no escoamento pelos portos localizados na região norte do Brasil a medida que a infraestrutura logística da região se desenvolvesse.

Contudo, ao olharmos os embarques do primeiro semestre deste ano, pode-se ter a impressão que o país não está aumentando seus escoamentos pelo Arco Norte. Nos primeiros seis meses de 2022, 1,9 milhão de toneladas de milho deixaram o país através dos portos da região, volume 12,8% maior que a média dos últimos quatro anos. Porém, o volume total embarcado chegou a 6,4 milhões de toneladas, 21,9% a mais que a média dos últimos 4 anos, sugerindo que o crescimento dos embarques pelos portos da região foi inferior à média nacional.

Por outro lado, é importante fazer algumas considerações. As exportações de milho do Brasil são pouco relevantes no primeiro semestre, já que a maior parte da produção da primeira safra, que é colhida no começo do ano, é utilizada para abastecer o mercado doméstico. Além disso, a maior parte do volume da safra de verão é produzida nas regiões Sul e Sudeste. Sendo assim não é prudente se basear somente nos dados referentes ao primeiro semestre para traçar um perfil dos embarques brasileiros.

Analisando o ano calendário, observou-se um aumento mais expressivo dos embarques a partir do arco norte ao longo dos últimos anos. Entre 2015 e 2018, o Brasil exportou em média 6,2 milhões de toneladas de milho pelo Arco Norte ao ano, ao passo que em 2019 e 2020 esse volume passou de 14 milhões de toneladas. Além do crescimento no volume, vale citar também o aumento na participação, que passou de 24% entre 2015 e 2018, para 33% em 2019 e 41% em 2020. Em 2021, o volume de embarques pelo arco norte recuou, mas essa queda foi observada nas exportações como um todo, movimento causado pela quebra da safrinha 2020/21. Contudo, apesar do recuo nos embarques, a participação do arco norte passou para 47% naquele ano.

Para 2022, a perspectiva é que os embarques através da região voltem a crescer. Nos últimos anos, mais de 70% do milho embarcado pelo arco norte veio do Mato Grosso e, em meio à expectativa de uma produção recorde no estado em 2021/22, a tendência é que o escoamento do cereal pelos portos da região também seja elevado.
 

Exportações de milho no primeiro semestre – Brasil (milhões de toneladas)

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Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.

Trigo

No caso das importações de trigo, também foi observada nos últimos anos uma crescente participação na entrada pelos portos do Arco Norte (com destaque para o porto de Fortaleza e Salvador). Em 2022 (janeiro-julho) a participação do Arco Norte foi de 52% (1,54 milhões de toneladas) no total das importações.

O aumento da participação dos portos dessa região é de grande importância para a cadeia logística do trigo, tendo em vista que facilita a distribuição para os moinhos da Região Nordeste, que, após a Região Sudeste, representa a maior região consumidora do país.

Dos portos dessa região, destaca-se o porto de Fortaleza, com as importações de trigo alcançando 583 mil toneladas no acumulado de 2022 até julho, representando 18,2% do trigo total que entrou no Brasil considerando todos os portos e 38% considerando a entrada pelo Arco Norte. Salvador vem em seguida, recebendo cerca de 343 mil toneladas, o que corresponde a 10,7% do total que entrou no Brasil e 22,3% do que foi pelo Arco Norte.

No que diz respeito à origem do cereal importado pelo Arco Norte, a maior parte (89%) vem da Argentina, principal fornecedor do Brasil. Comparando com o total de trigo que entra no Brasil, o porto de Fortaleza recebe 16,5% do trigo argentino, ficando atrás apenas do porto de Santos, que é entrada de 19%.

Origem das importações de trigo (janeiro-julho/2022) – Arco Norte

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Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Fortaleza, Salvador, Suape, Natal, Belém, Cabedelo, São Luís, Recife, Porto de Manaus e Maceió: Comex Stat. Elaboração: StoneX.

Fertilizantes

Aproveitando-se do chamado “frete-retorno”, as importações de insumos para as lavouras também ganharam espaço nos portos do Arco-Norte ao longo dos últimos meses. Geralmente, ao fechar a compra de fertilizantes e defensivos, o importador utiliza da logística inversa da exportação dos grãos, para internalizar o produto adquirido. 

Em termos práticos, o caminhão ou trem que chega carregado de produto para descarregar nos portos, costuma retornar ao interior do país carregado dos insumos que serão utilizados nas lavouras. Assim, como grande parte das aquisições destes insumos ocorre por meio do barter, ou seja, com o grão servindo como “moeda de troca” na negociação, os agentes conseguem prever onde os grãos serão destinados, para definir o porto de destino destes insumos.  

Assim como para os grãos, apesar do centro-sul ser a principal rota para a internalização dos insumos, os portos do arco norte, como Santarém (PA), Belém (PA) e São Luís (MA) têm aumentado sua participação relativa conforme a cadeia logística da região se sofistica, expandido a capacidade de armazenamento e melhorando a infraestrutura.

No 1º semestre deste ano, as importações de fertilizantes foram recordes para o período, somando mais de 17,2 milhões de toneladas. Deste volume, 25% foram desembarcados em portos do Arco Norte, enquanto a maioria, 75%, vieram através de terminais no Sul/Sudeste. No entanto, o volume importado através do Arco Norte registrou alta de 39% neste ano, em relação ao 1º semestre/21, enquanto as importações do Sul/Sudeste avançaram apenas 3%.

Importação de fertilizante no 1º semestre nos principais portos do Brasil (mi tons)

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Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
 
Pecuária
Assim como no setor de grãos e oleaginosas, grande parte das exportações brasileiras de carne bovina tem origem em estados próximos ou na própria região Norte. Nos seis primeiros meses de 2022, por exemplo, os embarques provenientes de Mato Grosso, Rondônia, Pará, Tocantins e Maranhão totalizaram 41,3% do total. Neste sentido, era de se esperar que as melhorias logísticas acima descritas estivessem impulsionando o crescimento dos embarques de carne bovina nos portos do Arco Norte, à semelhança do que acontece com a soja, o milho, entre outros produtos agrícolas.
Entretanto, não é isso que se observa. Mais uma vez utilizando a periodização dos seis primeiros meses deste ano, apenas 3,7% dos embarques aconteceram em portos da região Norte, com quase a totalidade dessa porcentagem sendo proveniente do Porto de Belém/PA. Do restante, a grande maioria das exportações de carne bovina se concentrou no Porto de Santos/SP (71,9%), seguido por Paranaguá/PR (10,6%), Itajaí/SC (4,8%) e alguns outros portos majoritariamente da região Sul do país.
O principal motivo dos frigoríficos não optarem pelos portos do Arco Norte mesmo quando os custos de transporte são menores é que eles não possuem a infraestrutura necessária para armazenar grandes quantidades de produtos refrigerados. Para manter a qualidade da carne, ela tem que ser mantida ou em câmaras frigorificadas ou em contêineres reefers, um tipo de contêiner específico que permite controle de temperatura. Nos portos da região Norte, existe um número bastante limitado de câmaras e de tomadas, estas necessárias para manter os contêineres reefers funcionando.
Por exemplo, um estudo feito pela ESALQ no final de 2017 descobriu que o Porto de Santos possuía 7.179 tomadas para contêineres reefers e cinco câmaras frigorificadas. Já o Porto de Belém, o mais bem equipado do Arco Norte, possuía apenas 56 tomadas e somente uma câmara refrigerada.
Mesmo que o frigorífico consiga garantir que seu produto ficará armazenado em um dos portos da região Norte, ele ainda enfrenta uma série de dificuldades que não está acostumado a enfrentar nas regiões Sul e Sudeste. Entre elas, destaque para a baixa periodicidade dos navios, o reduzido número de trabalhadores especializados e os atrasos nos embarques. Estes fatores aumentam os custos logísticos por acarretar em gastos elevados com mão de obra e com a estadia dos contêineres nos pátios, adicionando fatores de inibição ao uso do Arco Norte.
Exportações brasileiras de carne bovina por porto no 1º semestre (mil toneladas) 
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Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
 
  • Grãos e Oleaginosas

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