Trigo
No caso das importações de trigo, também foi observada nos últimos anos uma crescente participação na entrada pelos portos do Arco Norte (com destaque para o porto de Fortaleza e Salvador). Em 2022 (janeiro-julho) a participação do Arco Norte foi de 52% (1,54 milhões de toneladas) no total das importações.
O aumento da participação dos portos dessa região é de grande importância para a cadeia logística do trigo, tendo em vista que facilita a distribuição para os moinhos da Região Nordeste, que, após a Região Sudeste, representa a maior região consumidora do país.
Dos portos dessa região, destaca-se o porto de Fortaleza, com as importações de trigo alcançando 583 mil toneladas no acumulado de 2022 até julho, representando 18,2% do trigo total que entrou no Brasil considerando todos os portos e 38% considerando a entrada pelo Arco Norte. Salvador vem em seguida, recebendo cerca de 343 mil toneladas, o que corresponde a 10,7% do total que entrou no Brasil e 22,3% do que foi pelo Arco Norte.
No que diz respeito à origem do cereal importado pelo Arco Norte, a maior parte (89%) vem da Argentina, principal fornecedor do Brasil. Comparando com o total de trigo que entra no Brasil, o porto de Fortaleza recebe 16,5% do trigo argentino, ficando atrás apenas do porto de Santos, que é entrada de 19%.
Origem das importações de trigo (janeiro-julho/2022) – Arco Norte

Fonte: Comex Stat. NOTA: Portos do Arco Norte: Fortaleza, Salvador, Suape, Natal, Belém, Cabedelo, São Luís, Recife, Porto de Manaus e Maceió: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
Fertilizantes
Aproveitando-se do chamado “frete-retorno”, as importações de insumos para as lavouras também ganharam espaço nos portos do Arco-Norte ao longo dos últimos meses. Geralmente, ao fechar a compra de fertilizantes e defensivos, o importador utiliza da logística inversa da exportação dos grãos, para internalizar o produto adquirido.
Em termos práticos, o caminhão ou trem que chega carregado de produto para descarregar nos portos, costuma retornar ao interior do país carregado dos insumos que serão utilizados nas lavouras. Assim, como grande parte das aquisições destes insumos ocorre por meio do barter, ou seja, com o grão servindo como “moeda de troca” na negociação, os agentes conseguem prever onde os grãos serão destinados, para definir o porto de destino destes insumos.
Assim como para os grãos, apesar do centro-sul ser a principal rota para a internalização dos insumos, os portos do arco norte, como Santarém (PA), Belém (PA) e São Luís (MA) têm aumentado sua participação relativa conforme a cadeia logística da região se sofistica, expandido a capacidade de armazenamento e melhorando a infraestrutura.
No 1º semestre deste ano, as importações de fertilizantes foram recordes para o período, somando mais de 17,2 milhões de toneladas. Deste volume, 25% foram desembarcados em portos do Arco Norte, enquanto a maioria, 75%, vieram através de terminais no Sul/Sudeste. No entanto, o volume importado através do Arco Norte registrou alta de 39% neste ano, em relação ao 1º semestre/21, enquanto as importações do Sul/Sudeste avançaram apenas 3%.
Importação de fertilizante no 1º semestre nos principais portos do Brasil (mi tons)
Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
Assim como no setor de grãos e oleaginosas, grande parte das exportações brasileiras de carne bovina tem origem em estados próximos ou na própria região Norte. Nos seis primeiros meses de 2022, por exemplo, os embarques provenientes de Mato Grosso, Rondônia, Pará, Tocantins e Maranhão totalizaram 41,3% do total. Neste sentido, era de se esperar que as melhorias logísticas acima descritas estivessem impulsionando o crescimento dos embarques de carne bovina nos portos do Arco Norte, à semelhança do que acontece com a soja, o milho, entre outros produtos agrícolas.
Entretanto, não é isso que se observa. Mais uma vez utilizando a periodização dos seis primeiros meses deste ano, apenas 3,7% dos embarques aconteceram em portos da região Norte, com quase a totalidade dessa porcentagem sendo proveniente do Porto de Belém/PA. Do restante, a grande maioria das exportações de carne bovina se concentrou no Porto de Santos/SP (71,9%), seguido por Paranaguá/PR (10,6%), Itajaí/SC (4,8%) e alguns outros portos majoritariamente da região Sul do país.
O principal motivo dos frigoríficos não optarem pelos portos do Arco Norte mesmo quando os custos de transporte são menores é que eles não possuem a infraestrutura necessária para armazenar grandes quantidades de produtos refrigerados. Para manter a qualidade da carne, ela tem que ser mantida ou em câmaras frigorificadas ou em contêineres reefers, um tipo de contêiner específico que permite controle de temperatura. Nos portos da região Norte, existe um número bastante limitado de câmaras e de tomadas, estas necessárias para manter os contêineres reefers funcionando.
Por exemplo, um estudo feito pela ESALQ no final de 2017 descobriu que o Porto de Santos possuía 7.179 tomadas para contêineres reefers e cinco câmaras frigorificadas. Já o Porto de Belém, o mais bem equipado do Arco Norte, possuía apenas 56 tomadas e somente uma câmara refrigerada.
Mesmo que o frigorífico consiga garantir que seu produto ficará armazenado em um dos portos da região Norte, ele ainda enfrenta uma série de dificuldades que não está acostumado a enfrentar nas regiões Sul e Sudeste. Entre elas, destaque para a baixa periodicidade dos navios, o reduzido número de trabalhadores especializados e os atrasos nos embarques. Estes fatores aumentam os custos logísticos por acarretar em gastos elevados com mão de obra e com a estadia dos contêineres nos pátios, adicionando fatores de inibição ao uso do Arco Norte.
Exportações brasileiras de carne bovina por porto no 1º semestre (mil toneladas)
Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.