O relatório mensal de oferta e demanda do USDA para o mês de maio traz os primeiros números do departamento para a safra nova em todo mundo. Apesar de o foco acabar ficando mais nas estimativas para os EUA, uma vez que ainda haverá muitas mudanças até o final do ciclo, podem ser destacados alguns pontos.
No caso da China, o USDA espera uma leve queda da área colhida de milho no ciclo 2022/23, que ficaria em 43 milhões de hectares, resultando em uma queda da produção, de 272,6 para 271 milhões de toneladas, apesar de um leve ajuste positivo da produtividade. Pelo lado do consumo doméstico, o USDA espera um aumento de 4 milhões de toneladas em relação à safra 2021/22, para 295 milhões, que deve ser puxado principalmente pelo uso para ração.
Apesar das expectativas de uma maior demanda doméstica e de uma leve redução da produção, o departamento espera que as importações chinesas continuem com tendência de queda, ficando em 18 milhões de toneladas, após o pico atingido na safra 2020/21, quando alcançou 29,5 milhões de toneladas.
Para a soja, o USDA aposta em um aumento de 500 mil hectares na área colhida, atingindo 8,9 milhões em 2022/23, com a produção passando de 16,4 para 17,5 milhões de toneladas. Destaca-se que o Departamento espera uma recuperação do consumo doméstico e das importações, que alcançariam 115,6 e 99 milhões de toneladas, com melhores perspectivas para a indústria de carne suína do país, que vem sofrendo com margens ruins nos últimos tempos.
Como já ressaltado, ainda tendem a ocorrer muitos ajustes nos dados de oferta e demanda, uma vez que o período atual é de plantio da safra 2022/23. Contudo, os dados divulgados pelo ministério da agricultura da China, em seu acompanhamento de oferta e demanda para as safras do país, indicam um cenário um pouco diferente.
Segundo esses dados, o país deve registrar uma queda um pouco maior na área de milho, que ficaria em 42,5 milhões de hectares, com os produtores semeando mais soja, o que acaba impactando a área do cereal, principalmente na região noroeste da área produtora do país. Há uma prioridade em se crescer a área de soja e outras oleaginosas, destacando que a China é totalmente dependente da soja importada e também é importadora de óleos vegetais – segundo dados do USDA, entre as temporadas 2017/18 e 2021/22, o consumo doméstico chinês de soja superou a produção local em mais de 6 vezes.
Variáveis selecionadas para a soja - China
Fonte: USDA e Ministério da Agricultura da China (CASDE). * milhões de hectares. ** milhões de toneladas.
Com isso, a estimativa é de um crescimento de mais de 18% da área de soja no comparativo anual, alcançando 9,93 milhões de hectares no ciclo 2022/23, com a produção subindo para 19,5 milhões de toneladas, 2 milhões a mais que o divulgado pelo USDA.
Esse direcionamento em se produzir mais soja na China, mesmo que a oferta local ainda fique muito aquém do consumo, deve resultar em importações mais baixas do país. O ministério estima as importações chinesas de soja em 95 milhões de toneladas, 4 milhões a menos que o número do USDA para o ciclo 2022/23.
Para o milho, mesmo com uma queda maior da área, o ministério chinês espera uma produção de 272,6 milhões de toneladas em 2022/23, levemente acima do número do departamento e estável em comparação com a safra anterior. Além disso, a instituição também estima as importações da Gigante Asiática no patamar de 18 milhões de toneladas.
Variáveis selecionadas para o milho - China
Fonte: USDA e Ministério da Agricultura da China (CASDE). * milhões de hectares. ** milhões de toneladas.