Contudo, o mês de novembro terminou com volumes de chuvas muito aquém do esperado no Rio Grande do Sul e esse fator, somado à irregularidade das precipitações - justamente em um momento em que parte considerável da safra gaúcha se encontrava em uma fase crucial para a determinação de seu potencial produtivo -, prejudicou de forma significativa o desenvolvimento das lavouras.
Com isso, já em seu relatório de estimativa de safra divulgado no início de dezembro, a StoneX cortou o número de produtividade para a 1ª safra do grão no estado para 5,9 t/ha (98 sc/ha), uma redução de 14,8% em relação a novembro, o que resultou em uma queda de mesma intensidade na estimativa de produção, para 4,9 milhões de toneladas.
Iniciado dezembro, as previsões de chuvas para o estado acabaram não sendo concretizadas nos volumes esperados, aprofundando ainda mais as perdas para a safra gaúcha do cereal. Desse modo, mesmo antes da próxima atualização das estimativas de safra, que será divulgada no início de janeiro de 2022, a StoneX já está promovendo mais alguns ajustes para o Rio Grande do Sul. A estimativa de produtividade foi reduzida ainda mais, caindo para 69 sc/ha (4,14 t/ha), recuo de 29,6% frente ao número já mais baixo do último relatório e 40% inferior à perspectiva inicial, de 6,9 t/ha (115 sc/ha).
Além disso, recentemente, observou-se a ocorrência de produtores “derrubando” o milho nas lavouras com o objetivo de migrar para a soja, cujo plantio pode ser realizado até o dia 31 de janeiro de 2022 no Rio Grande do Sul, que é o limite imposto pelo governo para a realização do vazio sanitário. Com essa troca do milho para a soja, a área destinada à primeira safra do cereal foi reduzida em 2% em relação ao relatório do início de dezembro, para 817,3 mil hectares.
Desse modo, a produção está agora estimada em 3,38 milhões de toneladas, 21% a menos que o trazido no relatório de dezembro e mais de 40% abaixo da expectativa inicial.
Vale ressaltar que para as regiões cujo desenvolvimento da cultura é mais tardio, como, por exemplo, Vacaria e Lagoa Vermelha, a cultura ainda necessita de chuvas para concretizar o potencial produtivo. Desse modo, a safra ainda está sujeita a novas reduções de produção e produtividade, caso as chuvas decepcionem.
Evolução da produção de milho verão no Rio Grande do Sul (milhões de toneladas)
Fonte: Conab e StoneX. Elaboração: StoneX.
Soja
No caso da soja, há diferenças em comparação com o milho quanto ao período do ciclo no Rio Grande do Sul, com o plantio começando mais tarde, na segunda metade de outubro. Com isso, a oleaginosa ainda não está nas fases mais críticas de desenvolvimento, não sendo fortemente afetada pelo clima com chuvas aquém do esperado.
De qualquer forma, a safra gaúcha também já sente alguns impactos. Os cerca de 16,7 mil hectares de diminuição da área de milho devem ser destinados ao cultivo da oleaginosa, resultando em um leve ajuste da área plantada total, para 6,4 milhões de hectares.
Por outro lado, devido ao clima adverso no estado, já se estima cerca de 5% de redução no potencial produtivo das lavouras de soja, o que representa, nesse momento, uma safra abaixo de 21 milhões de toneladas.
Evolução da produção de soja no Rio Grande do Sul (milhões de toneladas)
Fonte: Conab e StoneX. Elaboração: StoneX.
Outra consequência do clima seco para a safra de soja gaúcha tem sido os atrasos dos trabalhos no campo, com o andamento do plantio estando mais atrasado que no ano passado.
Destaca-se que, nas próximas semanas, em janeiro e também em fevereiro, o clima vai continuar sendo central para a definição da produção da oleaginosa no estado.
Evolução do plantio da safra de soja no Rio Grande do Sul
Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Em seus próximos acompanhamentos mensais, a StoneX revisará novamente os números da safra de grãos do Rio Grande do Sul, e do Brasil como um todo, trazendo uma perspectiva mais consolidada para as perdas esperadas.
As previsões para as próximas duas semanas indicam que as chuvas devem continuar mais leves no Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul. Como citado anteriormente, caso essas previsões realmente se confirmem, as perdas no estado devem ser aprofundadas.
Previsão de precipitação (mm)