O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Especial | Diante de novos surtos de covid e crescimento mais fraco, mercado acompanha importações chinesas

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Diante de novos surtos de covid e crescimento mais fraco, mercado acompanha importações chinesas
 
João Pedro Lopes
Marcelo Bonifácio
  Nuria Brito
as medidas muito restritivas adotadas pela China para conter o coronavírus podem impactar a economia e a demanda por commodities
A China possui uma grande importância no mercado global de commodities. Na safra 2020/21, segundo dados do USDA, o gigante asiático foi o principal importador de soja, milho, algodão, carne bovina, carne suína e o 2º principal importador de trigo, atrás apenas do Egito. 
Com isso, o desempenho da economia chinesa e, consequentemente, da demanda é acompanhado de perto.
O país, desde o começo da pandemia, tem adotado medidas muito restritivas para conter a Covid-19. Atualmente, surtos da variante ômicron do coronavírus tem resultado em confinamentos significativos, alimentando os temores quanto aos impactos negativos, num momento que o crescimento econômico do país já não alcança os níveis do passado, apesar de ser elevado para os padrões atuais ao redor do mundo.
Nos próximos parágrafos, serão analisados o comportamento das importações chinesas de soja, milho, trigo, carnes, algodão e óleos vegetais, considerando os dados de fevereiro do Departamento de Alfândegas da China (GAAC, sigla em inglês).
Soja
A China é a maior importadora mundial de soja e o que acontece no país em relação à demanda, é sempre acompanhado de perto, uma vez que traz impactos para o balanço global da oleaginosa. 
Em 2020, a China importou 100,3 milhões de toneladas de soja, caindo para 96,5 milhões em 2021. Considerando o ano safra apurado pelo USDA para o país, entre outubro e setembro, as importações chinesas ficaram em 98,5 milhões toneladas em 2019/20 e alcançaram 99,8 milhões em 2020/21. 
Já para o ciclo 2021/22, que vai de outubro de 2021 a setembro de 2022, há muitas dúvidas sobre os volumes que a China irá importar, mesmo com seu rebanho suíno estando praticamente recuperado, após os surtos de peste suína africana, iniciados em agosto de 2018. 
Nos últimos relatórios mensais de oferta e demanda do USDA, o Departamento cortou o número chinês de importação, passando de 100 milhões de toneladas para 97 e, depois, em março, para 94 milhões de toneladas. É importante lembrar que as vendas e embarques de soja norte-americana 2021/22 para a China estão consideravelmente mais baixos que no mesmo período do ciclo anterior, situação que perdura desde o começo da safra 2021/22. Considerando o acumulado até o dia 17/03, as vendas de soja dos EUA 2021/22 para a China estão 8,1 milhões de toneladas atrás do registrado no mesmo período um ano antes.
Entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022, a China importou 36,5 milhões de toneladas de soja, volume mais baixo que as 39,1 milhões de toneladas registradas no mesmo período um ano antes. Destaca-se que as importações ficaram mais fracas em outubro e novembro, mas apresentaram um desempenho mais aquecido nos meses seguintes. Nos dois primeiros meses de 2022, a China importou 13,9 milhões de toneladas de soja, volume um pouco acima do alcançado nos dois primeiros meses de 2021, em 13,4 milhões de toneladas.
Assim, por mais que as estimativas estejam mais pessimistas para as importações chinesas na safra 2021/22, ainda falta a maior parte do ano safra 2021/22. As exportações brasileiras já estão bastante aquecidas, o que é normal para o período. Contudo, com a quebra expressiva da safra 2021/22 neste ano, os embarques norte-americanos poderão ganhar algum reforço ainda no primeiro semestre, inclusive para a China, o que não é sazonalmente usual.
Importações mensais de soja - China (milhões de toneladas)
image 32936
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
 
Milho

Em 2021, o gigante asiático importou 28,3 milhões de toneladas de milho, volume 2,5 vezes maior que o observado em 2020. Entre 2017 e 2020, entraram na China 22,4 milhões de toneladas do cereal, quantidade menor que as importações registradas entre janeiro e setembro de 2021 (24,9 milhões de toneladas). No período em questão (2017 a 2021), as compras chinesas avançaram mais de 10 vezes, passando de 2,8 para 28,3 milhões de toneladas.

O expressivo aumento no volume adquirido se deve, em grande parte, ao forte avanço na demanda do setor produtor de proteína animal, em especial da suinocultura. Após a expressiva redução no rebanho de porcos causada pelos surtos de Peste Suína Africana, principalmente entre 2018 e 2019, a China iniciou um processo de reconstrução do seu rebanho a partir de 2020, o que aumentou a demanda pelo cereal, não só em função do crescimento do número de animais, mas também da proibição do uso de lavagem e restos de comida na alimentação dos animais, medida tomada com o objetivo de controlar a doença e evitar novos surtos.

Além da variação no volume adquirido, observou-se também uma mudança no principal fornecedor do cereal para a China. Entre 2017 e 2019, a Ucrânia foi a origem de cerca de 80% do milho importado pelo gigante asiático, enquanto os EUA tiveram participação média de 12% no período. Contudo, em 2020 essa disparidade foi significativamente reduzida, com 56% do milho importado pela China tendo como origem o país do leste europeu e 39% o norte-americano. Em 2021 o cenário se inverteu, com os EUA tendo uma participação de 70% e a Ucrânia de 29%.

Para compreender a razão dessa mundança na origem do cereal, é importante entender a dinâmica dos dois países exportadores. Segundo dados do USDA, os estoques finais da Ucrânia ficaram, em média, em 1,4 milhão de toneladas entre as safras 2015/16 e 2019/20, ao passo que os dos EUA ficou em 52,4 milhões.

Desse modo, dificilmente a Ucrânia seria capaz de suprir o repentino aumento da demanda chinesa, o que fez o gigante asiático intensificar sua relação com outros players. Além disso, em 2020, o país do Mar Negro foi atingido por um clima significativamente mais quente e seco que o usual, resultando em uma expressiva redução da produção ucraniana e do seu excedente exportável, contribuindo para a maior participação dos EUA como fornecedor do cereal para a China.

Após o forte aumento das compras chinesas observado nos últimos anos, a tendência é que em 2022 o país apresente uma redução em suas importações. Ainda assim, a expectativa é que o gigante asiático continue adquirindo grandes volumes e mantenha seu protagonismo entre os importadores do cereal, já que o elevado rebanho suíno e os estímulos do governo após os surtos de Peste Suína Africana para substituir a lavagem por ração na alimentação dos animais devem contribuir para a demanda por grãos. Ao menos é isso o que os dados de janeiro e fevereiro indicam. Nos dois últimos meses, o país importou 4,7 milhões de toneladas, contra 4,8 milhões no mesmo período de 2021.

Pelo lado da origem do grão, a tendência era que, com a recuperação da produção ucraniana em 2021/22, o China voltasse a adquirir maiores volumes do país, e é o que os dados mais recentes de importação sugeriam. Entre janeiro e fevereiro de 2021, o gigante asiático havia importado 2,36 milhões de toneladas do cereal da Ucrânia e 2,41 milhões dos EUA, volumes equivalentes a, respectivamente, 49% e 50% do total registrado no período. Nos dois primeiros meses de 2022, esses números chegaram a, respectivamente, 2,65 (56%) e 1,92 milhão de toneladas (41%).

Contudo, com o conflito entre Rússia e Ucrânia, dificilmente o país do Mar Negro conseguirá fornecer grandes volumes do cereal neste ano. Os portos ucranianos estão fechados, impedindo que o país cumpra seus contratos de exportação, fazendo com que a China redirecione sua demanda para outros players. Além disso, essa questão se estende também para 2023, já que o plantio do cereal inicia em abril e, sem indícios que o fim do conflito ocorra tão rapidamente, espera-se um forte impacto sobre a próxima safra do grão.

Importações mensais de milho - China (milhões de toneladas)
image 32940
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
Trigo
O cenário da pandemia de Covid-19 e o conflito no Mar Negro, entre Rússia e Ucrânia, intensificou o quadro de incertezas e avanço dos preços no mercado de commodities. A preocupação quanto à capacidade de oferta global e como os agentes se posicionarão na reconfiguração dos fluxos comerciais para o trigo, são os novos focos de atenção.
A China teve intensa participação na demanda de trigo ao longo do período da pandemia de Covid-19, uma vez que marcadamente possui uma preocupação com a segurança alimentar, dada suas proporções territoriais e populacionais. Sua demanda doméstica, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), cresceu 19% no comparativo anual, passando de 126 milhões de toneladas em 2020, para 150 milhões de toneladas em 2021. Parte desta demanda reflete no aumento da produção nacional de trigo, na ordem de 650 mil toneladas na safra 2020/21 (+0,5%) e de 2.696 milhões de toneladas na safra 2021/22 (+2%).
Apesar de ser o maior país produtor deste grão, a China importa trigo, justamente para manter a demanda interna citada. O volume importado no acumulado saltou de 3,2 milhões de toneladas em 2019, para 8,15 milhões de toneladas em 2020 (+154%), e para 9,7 milhões de toneladas, em 2021 (+19,2% em relação a 2020, e +203%, em relação a 2019).
Em relação aos parceiros comerciais, se destaca neste período o aumento da participação da Austrália e Estados Unidos dentre os principais exportadores. A Austrália subiu de quinta para a primeira maior exportadora de trigo, passando a originar aos chineses cerca de 182,7 mil toneladas em 2019, para 2,7 milhões de toneladas em 2021 (+1.400%). Enquanto os Estados Unidos passaram da terceira para a segunda maior fonte, exportando na ordem de 236 mil toneladas em 2019 e 2,72 milhões de toneladas em 2021 (+1.055%). Os demais países inseridos nessa cadeia de suprimento, França, Canadá e Cazaquistão, se mantiveram dentre os cinco principais mercados de exportação para China, apenas perdendo posições para Austrália e Estados Unidos.
A Rússia apresentou queda na participação das importações chinesas ao longo dos últimos três anos. Sua participação correspondia a cerca de 1,46%, 0,88% e 0,5% do total das importações de trigo da China, respectivamente, em 2019, 2020 e 2021. Em 2022, não foram registradas importações, segundo o USDA. Apesar da baixa participação, os agentes monitoram o mercado a fim de realocar os fluxos comerciais, em decorrência do conflito no Mar Negro e possível aumento da concorrência com a principal fonte chinesa, a Austrália. Neste momento de reposicionamento de oferta e demanda, a Índia ganha destaque, apesar de não ser um exportador significativo de trigo, é o segundo maior produtor mundial.
 
Importações mensais de trigo - China (milhões de toneladas)
image 32942
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
Algodão
Em relação ao algodão em pluma, o movimento observado nos últimos anos também foi de crescimento das importações chinesas. Entre 2017 e 2020, o volume da fibra natural que entrou no país cresceu 86,9%, passando de 1,2 milhão de toneladas para 2,2 milhões. Em 2021, contudo, essa sequência de consecutivos anos de elevação nas importações foi interrompida, com o país finalizando o último ano com um volume importado de 2,1 milhões de toneladas. 
Entre janeiro e julho do ano passado, o país havia importado 1,7 milhão de toneladas, contra 1 milhão no mesmo período de 2020. Contudo, o ritmo de algodão entrando no país caiu expressivamente nos demais meses de 2021, com o gigante asiático importando apenas 0,5 milhão de toneladas, contra 1,1 milhão entre agosto e dezembro de 2020.
Um dos fatores que ajudam a explicar a desaceleração dos embarques em direção à China foi o atraso na colheita em importantes fornecedores. Tanto EUA como Brasil registraram atrasos no plantio da pluma, sendo que o primeiro também apresentou algumas adversidades durante o período da colheita, postergando ainda mais a oferta da fibra natural. Com isso, etapas seguintes da cadeia também tiveram atraso, tendo sido esse um dos fatores que amparou a menor quantidade de algodão que entrou na China nos meses finais de 2021.
Com a maior disponibilidade da pluma dos EUA, já em dezembro, mas principalmente neste início de 2022, o país voltou a apresentar maiores volumes de importação. Para o restante do ano, a expectativa é que o país continue realizando elevadas compras, dado o reaquecimento do setor têxtil chinês após os impactos causados pela pandemia da Covid-19. No dia 11 de março, a Comissão Nacional para Reforma Desenvolvimento da China abriu uma nova cota de importação de 400 mil toneladas de algodão, sob menores tarifas. Esse volume vai ser direcionado para garantir o insumo de fábricas têxteis do setor privado, questão que dá suporte às expectativas de robustas importações chinesas.
Por outro lado, com o novo surto de coronavírus na China, questionamentos são levantados sobre possíveis novos impactos sobre a economia asiática. Xangai informou no último domingo, 27 de março, que fará um lockdown na cidade durante um período de nove dias após ter registrado um novo recorde diário de infecções assintomáticas e que empresas e fábricas não essenciais irão suspender as atividades ou realizá-las de forma remota. A esperança entre os agentes é que, com o avanço das vacinações, o impacto seja mais brando que o dos surtos ocorridos anteriormente, mas isso não tranquiliza totalmente a situação.
Pelo lado das origens, tiveram mudanças significativas. Entre 2017 e 2020, o volume importado de algodão norte-americano avançou 92,9%, para 976,7 mil toneladas, volume equivalente a 45% do importado pelo gigante asiático. Em 2021, o volume observado foi de 828,8 mil toneladas, recuo de 15,1%, movimento justificado pelo atraso na disponibilidade da pluma norte-americana, cerca de 34% do total importado pela China.
O Brasil, que começou a ter uma participação maior no mercado chinês em 2019, beneficiado pelo conflito entre o gigante asiático e os norte-americanos, continuou aprofundando seu contato com os chineses, se consolidando como um dos principais parceiros comerciais e aumentando os envios para a China. O volume da fibra natural brasileira que entrou no país passou de 66,6 mil toneladas em 2017 para 643,6 em 2021, tendo sido responsável no último ano por 30% da fibra enviada à China.
Nos dois primeiros meses de 2022, entraram 412,9 mil toneladas de algodão no país asiático, volume bem inferior às 690,7 mil toneladas importadas no mesmo período de 2021, mas acima da média de 3 anos de 352,9 mil toneladas, indicando uma aceleração do ritmo de embarques.
Nesta safra 2021/22, e para os próximos anos, a demanda chinesa deve continuar como um dos principais drivers do mercado. Como já citado, a recuperação do setor têxtil no país deve seguir impulsionando as compras de algodão pelo país e, mesmo com os novos surtos de Covid-19 no país trazendo certa preocupação, as expectativas ainda são positivas.
 
Importações mensais de algodão - China (mil toneladas)
image 32943
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
Óleos vegetais
Desde o final de 2021, as crescentes cotações do complexo de óleos vegetais têm provocado uma certa retração da demanda internacional pela importação do complexo de óleos vegetais, que registram um fluxo de negociações mais moroso, em relação aos anos anteriores. As cotações dos óleos de soja e palma na CBOT e Bursa, respectivamente, exploram os níveis máximos históricos desde meados do ano passado, amparados por um cenário de disponibilidade apertada e preços crescentes das fontes energéticas. Desde o início de dezembro/21, até o final de março/22, as cotações dos óleos apertaram o passo de valorização e já acumulam mais de 35% de alta nos contratos mais ativos. 
Concomitante ao aumento do passo de valorização, a demanda pelos óleos enfraqueceu, marcando a queda no ritmo das comercializações no primeiro bimestre deste ano. Na Malásia, o volume de óleo de palma exportado no primeiro bimestre de 2022 foi 8% menor que na média dos últimos 5 anos para o período, e na Indonésia, os embarques de janeiro representaram uma queda de 24% em relação à média. Do mesmo modo, China e Índia, principais importadores do óleo de palma, registraram significativas reduções do volume importado de óleo de palma no primeiro bimestre, em relação à média dos últimos anos – queda de 49% e 68%, respectivamente.
Nos últimos meses, o óleo de palma, tradicionalmente mais barato que seus concorrentes, esteve operando a níveis muito próximos aos praticados pelos demais óleos historicamente mais caros, como o óleo de soja. Esta distorção de mercado acabou elevando a preferência dos importadores pelos óleos mais “nobres”, o que também explica a forte queda nas vendas do óleo de palma. Com isso, o óleo de soja ganhou uma vantagem competitiva no mercado, refletindo no aumento dos embarques brasileiros, que, apesar da retração de 35% em fevereiro em relação a janeiro, o embarcado no 1º bimestre de 2022 foi 200% maior que no ano passado. 
A partir de março, no entanto, o quadro de baixa demanda pelos óleos de palma e soja se inverteu, com o início da guerra na Ucrânia e perda do maior mercado global de óleo de girassol, o quarto maior mercado de óleo vegetal do mundo – no qual Rússia + Ucrânia respondem por quase 60% da produção global. A súbita ruptura do fornecimento de girassol, devido aos transtornos logísticos causados pela guerra, além da imposição de sanções contra a Rússia, obrigou que os importadores (principalmente Índia e China), aumentassem a procura pelos óleos de soja na América do Sul e de palma no Sudeste Asiático. Portanto, ao longo dos próximos meses, enquanto a oferta de óleo de girassol no Mar Negro não se reestabelecer, haverá uma demanda adicional pelos demais óleos no mercado internacional.

 

Volume importado de óleo de palma na China e Índia (mil toneladas)

image 32944
Fonte: Chinese Customs e Solvent Extractors Association of India.
 
Carne Suína
A carne suína é o tipo de proteína animal favorito da população chinesa, com seu consumo sendo significativamente superior ao de carne bovina e de frango. Nos últimos anos, entretanto, esse mercado tem enfrentado forte volatilidade, causando importantes variações no volume importado. Fazendo uma breve recapitulação, em 2017 e 2018  a China comprava no mercado internacional cerca de 100 mil toneladas de carne suína por mês. Em 2019, com a disseminação da Peste Suína Africana (PSA) e a consequente dizimação dos rebanhos locais, as importações passaram a crescer vertiginosamente. Elas alcançaram o auge entre março de 2020 e julho de 2021, momento em que as compras mensais se mantiveram dentro do intervalo 320 mil a 450 mil toneladas.
O movimento que vivemos atualmente, especificamente desde agosto de 2021, é o de forte desaceleração das importações de proteína suína. Essa tendência é em grande medida resultado da recomposição do rebanho chinês. Segundo divulgação da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China, em junho de 2021 o país já contava com 439,11 milhões de cabeças, número similar ao registrado antes da PSA. Dado esse crescimento da oferta local, era de se esperar a redução das importações.
Além dessa relação direta, a recomposição do rebanho também impactou negativamente as importações através da queda no preço doméstico dos suínos. Exemplificando, no dia 8 de janeiro de 2021, primeiro dia de negociação de contratos futuros de porco na bolsa de Dalian, o animal estava sendo negociado por RMB 28,29/kg; no dia 25 de março de 2022, pouco mais de um ano depois, o quilo do suíno foi negociado por RMB 11,50, uma desvalorização de 146%. Com isso, a carne suína importada perdeu competitividade, já que os custos logísticos dificilmente permitem que essa proteína seja ofertada a valores similares ao existente no mercado chinês. Assim, de um valor recorde de importações de 450,9 mil toneladas, em março de 2021, esse volume declinou para 126,6 mil toneladas em fevereiro de 2022, uma queda de 256%.
Analisando especificamente as importações do Brasil, elas continuaram crescendo mesmo depois que o volume total das compras chinesas passou a declinar. Entretanto, desde dezembro do ano passado que elas também estão em queda. Em fevereiro de 2022, chegaram aos portos chineses 28,0 mil toneladas de carne suína provenientes do Brasil. Em 2021, a média mensal foi de 45,5 mil toneladas.
Importações mensais de carne suína - China (mil toneladas)
image 32945
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
 
 
Carne Bovina
No último relatório trimestral do USDA intitulado “Pecuária e Aves: Mercados e Comércio Mundial”, o Departamento norte-americano estimou que a China possui o segundo maior rebanho de bovinos do mundo, com suas 99,5 milhões de cabeças de gado perdendo apenas para as 264,1 milhões levantadas para o Brasil. Também vale destacar que a quantidade de animais vem crescendo, ocorrendo um aumento de 10,1% desde 2018.
Entretanto, apesar desse crescimento, é fato que na última década a produção doméstica chinesa não é suficiente para a demanda por carne bovina do país. Historicamente baixa, essa procura começou a aumentar quando o crescimento econômico do país permitiu o florescimento de uma classe média e, com isso, o fortalecimento da aquisição de produtos relativamente mais caros, entre eles, a carne bovina. Desde 2018, o USDA estima que a demanda chinesa por esse produto saltou 30,0%, alcançando 10,15 milhões de toneladas agora em 2022. Como a estimativa é que as 99,5 milhões de cabeças de gado permitirão a produção de apenas 6,92 milhões de toneladas, uma parte significativa da demanda terá que ser suprida a partir de importações, condição que tem sido uma constante.
Analisando uma base amostral que tem início em 2017, ela mostra que essa distância entre produção e demanda por carne bovina na China cresceu vertiginosamente entre janeiro de 2017 e novembro de 2019, o que levou as importações mensais a saltarem de 46,3 mil toneladas para 187,0 mil, um aumento de 303,8%. Entretanto, desde então essa diferença se estabilizou, com as compras no mercado internacional se mantendo em torno deste valor, apesar de uma certa alternância entre períodos de fortalecimento com momentos de arrefecimento. 
Dado esses dezesseis meses de relativa estabilidade, é válido estimar que em 2022 a demanda chinesa por carne bovina continuará firme, com os importadores chineses continuando a ser os players mais importantes do mercado. Entretanto, também é provável que as compras não cresçam significativamente, já que elas têm se mantido em torno dessas 185 mil toneladas. 
Analisando especificamente os dois primeiros meses deste ano, o volume de importação ficou um pouco abaixo dessa média: em janeiro chegaram aos portos chineses 150,9 mil toneladas e em fevereiro foram 156,9 mil. Entretanto, essa limitação reflete o período de embargo às importações brasileiras, não sendo condizente com um cenário de condições normais de oferta. Janeiro de 2022, por exemplo, foi o mês em que as compras provenientes do Brasil tiveram seu menor volume mensal desde 2016, apenas 13,9 mil toneladas.
Mais recentemente, os dados da Secretaria de Comércio Exterior provam que uma quantidade significativa de carne bovina deixou os portos brasileiros em direção à China. Mais especificamente, foram 52,6 mil toneladas em janeiro e 87,1 mil em fevereiro. Portanto, nos próximos dias devem chegar grandes volumes de proteína bovina na China, o que deve ajudar a compensar a oferta menos abundante do início do ano e atuará para manter a média mensal de importação em torno das 185 mil toneladas.
Importações mensais de carne bovina - China (mil toneladas)
image 32946
Fonte: Alfândega Chinesa. Elaboração: StoneX.
 
  • Grãos e Oleaginosas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Grãos e Oleaginosas

Comentários de Abertura

12 de agosto – O foco de hoje está na inflação, com os dados do índice de preços ao consumidor de julho divulgados nesta manhã. Temos este e mais um mês de dados antes da próxima reunião do Federal Reserve. Claro, as manchetes das guerras do Oriente Médio e do Mar Negro também têm uma influência contínua sobre os mercados. Os futuros das bolsas registraram ganhos nesta manhã, enquanto o VIX foi negociado logo abaixo de 15. O dollar index foi negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,66%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,18%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 83, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 88 por barril. Os mercados de grãos e oleaginosas se recuperaram das perdas de ontem antes do tão aguardado relatório WASDE de safra de hoje, que está previsto para o meio-dia, horário do leste dos EUA.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

11 de agosto – Foi, em geral, uma noite tranquila para os mercados até o início desta manhã, quando surgiu uma manchete de que o Irã e Omã estavam perto de chegar a um acordo. Os futuros das bolsas subiram, enquanto o índice do dólar acompanhou os rendimentos dos Treasuries em baixa, juntamente com uma venda ativa nas commodities de energia e de alimentos. A manchete teve impacto limitado, no entanto, em um mundo que se tornou cético em relação às promessas de paz. Os futuros das bolsas permanecem estáveis a mais firmes neste momento, enquanto o VIX é negociado perto de 16 – logo acima das mínimas de 2026. O dólar index está sendo negociado perto de 99,8 nesta manhã, após se recuperar de sua venda no início da manhã ao longo da hora seguinte de negociação. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,69%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos são negociados perto de 4,22%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 82 por barril neste momento, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 88. Os mercados de grãos e oleaginosas estão majoritariamente mais fracos, após não conseguirem se recuperar da venda inicial desta manhã, que começou no mercado de petróleo bruto.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.