No início deste mês, a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA, sigla em inglês), divulgou seus mandatos finais de mistura de biocombustíveis nos EUA para o período entre 2020 e 2022.
Resumidamente, a agência manteve o volume total de uso de biocombustíveis que as refinarias são obrigadas a comprovar referentes a 2020, aumentou o mandato de 2021 e reduziu o de 2022.
Fonte: EPA. Elaboração: StoneX.
Em relação ao volume estipulado para 2021, a EPA elevou o mandato de mistura de combustíveis renováveis para 18,84 bilhões de galões (71,32 bilhões de litros), contra os 18,52 bilhões de galões (70,11 bilhões de litros) propostos em dezembro do ano passado.
Já para 2022, foi estabelecida a mistura obrigatória de 20,63 bilhões de galões (78,09 bilhões de litros) de combustíveis renováveis, levemente abaixo do volume de 20,77 bilhões de galões (78,62 bilhões de litros) proposto inicialmente no final de 2021.
Segundo o anúncio final feito pela EPA, a contração no volume obrigatório foi realizada para melhor se adequar ao comportamento dos preços, disponibilidade das matérias primas e dos biocombustíveis e da infraestrutura para sua distribuição, visto que o país ainda se recupera dos significativos impactos causados pela pandemia.
Mesmo com a redução no comparativo com a proposta anterior, esta ainda seria a maior obrigação já estabelecida na história do Renewable Fuel Standad (RFS). Até então, o maior mandato era o de 2019, que obrigava uma mistura de combustíveis renováveis de 19,92 bilhões de galões (75,41 bilhões de litros).
Além disso, a agência ainda tem planos de estabelecer uma obrigação suplementar de 250 milhões de galões (950 milhões de litros) para 2022.
Desse total de 20,63 bilhões de galões (78,09 bilhões de litros), as refinarias precisarão utilizar 5,63 bilhões de galões (21,31 bilhões de litros) de biocombustíveis avançados em 2022, 140 milhões de galões (530 milhões de litros) abaixo do originalmente estipulado, sendo que, desse volume, 630 milhões de galões (2,38 bilhões de litros) deverão ser especificamente de biocombustíveis celulósicos, abaixo também do número trazido em dezembro, de 770 milhões de galões (2,91 bilhões de litros).
Para a categoria do diesel de biomassa, que inclui o biodiesel e HVO, as obrigações foram mantidas sem alterações para 2020, 2021 e 2022. Sendo que neste último ano, estipula-se um requerimento de 2,76 bilhões de galões, um aumento de 330 milhões de galões em relação às obrigações dos dois anos anteriores.
O mandato “implícito” de utilização de etanol de milho, obtido pela subtração do volume total pelo volume de biocombustíveis avançados, para 2021 passou de 13,32 bilhões de galões (50,42 bilhões de litros) em dezembro para 13,79 bilhões de galões (52,2 bilhões de litros) neste mês, um aumento de quase 1,3 bilhão de litros em comparação com 2020. Para 2022, o mandato ficou em 15 bilhões de galões (56,78 bilhões de litros), inalterado em relação ao número originalmente proposto, volume que retoma o nível observado antes da pandemia.
O USDA aponta que com 1 bushel de milho pode-se produzir 2,7 galões de etanol. Desse modo, o aumento no mandato de etanol de milho para 2021 implica em um uso adicional de 4,42 milhões de toneladas de milho para atender a mistura obrigatória do biocombustível, totalizando 129,73 milhões de toneladas. Como não houve mudanças no volume obrigatório para 2022, o volume estimado de milho necessário para cumprir o mandato segue em 141,12 milhões de toneladas.
O aumento do uso obrigatório de biocombustíveis nos EUA é defendido pelo governo Biden como uma forma de garantir segurança energética, já que possibilitaria a redução da dependência do país do petróleo.