Esse desempenho geral mais fraco das importações chinesas é resultado de margens de esmagamento mais fracas que têm predominado na maior parte deste ano e que acabam limitando os volumes importados para direcionar ao processamento. Cabe lembrar que os preços da soja em atingiram as máximas em 10 anos em junho passado, diante das preocupações com o clima no hemisfério norte, após já ter havido perdas no Brasil na colheita do começo deste ano.
Por outro lado, essas importações mais fracas de soja resultaram em uma diminuição dos estoques do grão no país, num momento em que as margens da indústria de suínos estão mais positivas, incentivando a demanda por farelo, o principal ingrediente proteico da ração.
Essa oferta apertada de farelo de soja fez o os preços do derivado alcançarem níveis próximos do recorde nas últimas semanas no país, com a média parcial de novembro superando 800 dólares por tonelada na província de Sichuan, que é uma das maiores produtoras de proteína suína do país. Em março deste ano, a média de preços do farelo de soja também ficou acima do patamar de 800 dólares.
Dessa forma, o cenário atual se mostra positivo para as importações de soja pela China nos próximos meses, para fazer frente a essa demanda aquecida por farelo e num momento em que os preços do grão não estão mais tão altos quanto na metade de 2022. Esse cenário de preços menos elevados decorre, em grande parte, das perspectivas de produção recorde no Brasil, podendo superar os 150 milhões de toneladas, o que tenderia a dar uma folga para o balanço de oferta e demanda mundial.
Preço médio mensal de farelo de soja na região de Sichuan (USD/ton)
Fonte: JCI. Elaboração: StoneX.
É importante levar em conta, entretanto, a política de tolerância zero contra a Covid-19 adotada pela China, que tem trazido prejuízos economia do país, com potencial de afetar também a demanda por soja, por mais que a commodity seja alimentar e possua uma maior resistência em momentos de desaceleração econômica.
Recentemente, houve rumores que o país estaria avaliando relaxar as medidas de combate ao coronavírus, o que se configurou num fator altista para as cotações da soja, mas o governo negou esses boatos, afirmando que a política está mantida.
Na quarta-feira, dia 09/11, a China registrou o maior número de novos casos de Covid-19 desde o final de abril, atingindo 8.824. A província de Guangdong, que é um centro manufatureiro, localizado no sul do país, tem contabilizado mais de 2.000 casos por dia atualmente. Diante disso, várias fábricas estão sendo fechadas, bairros isolados, com pessoas em quarentena e testagem em massa. É importante destacar que as pessoas estão cada vez mais insatisfeitas, com as medidas muito restritivas adotadas, que têm resultado em muitas reclamações quanto à falta de alimentos e mesmo atendimento médico adequado para as pessoas em quarentena.