Nos últimos meses, os mercados de soja e milho têm visto preços mais pressionados, diante da oferta muito grande no Brasil, com a colheita recorde de soja e além de a produção de milho estar caminhando para a maior já registrada. As preocupações com a demanda também continuam pesando sobre as cotações, desenhando-se um cenário de descasamento entre a ampla disponibilidade e o avanço mais lento do consumo.
Ademais, as perspectivas positivas para a safra dos EUA contribuíram para esse tom baixista para os preços, com o mercado apostando em um bom resultado no campo em ano de influência do El Niño.
Contudo, além de o ciclo 2023/24 ainda estar no início, o cenário para a safra norte americana se modificou nas últimas semanas, com as condições meteorológicas no centro das atenções. Nesse período do ano, é usual o clima trazer volatilidade às cotações, configurando o que se conhece como mercado climático, enquanto o potencial produtivo da safra dos EUA é definido.
Um padrão mais seco tem se desenvolvido em parte do Meio Oeste dos EUA, trazendo preocupações quanto a impactos negativos sobre as lavouras. O período atual ainda não é o mais crítico para as plantas, com a fase de polinização do milho se concentrando em julho e o enchimento de grão da soja em agosto, estágios de desenvolvimento que devem adiantar um pouco devido ao plantio acelerado.
Além das condições mais secas, as previsões até o final de junho estão indicando chuvas abaixo do normal em grande parte do cinturão de grãos norte-americano, incluindo os maiores produtores, como Iowa e Illinois. Mesmo as precipitações que vêm sendo registradas não têm sido capazes de melhorar de maneira significativa a umidade do solo.
As condições da safra dos EUA, até o momento, estão consideravelmente piores que a média de 5 anos e que o registrado no ano passado. No domingo (dia 18), 55% das lavouras de milho do país estavam em condições boas/excelentes, um recuo de 6 p.p. em uma semana e abaixo da média de 5 anos, em 69%, e do registrado no mesmo período do ano passado, em 70%. Para a soja, o cenário é semelhante, com o percentual bom/excelente tendo recuado 5 pontos, para 54%, contra a média e o registrado no ano passado em 68%. Além da média nacional mais baixa, alguns estados, como Illinois, Michigan e Missouri, para a soja, e Illinois, Michigan, Missouri, Dakota do Sul e Pensilvânia, no caso do milho, registram um percentual bom/excelente abaixo de 50%. Destaque para Illinois, que alterna com Iowa no primeiro lugar da produção de milho e soja nos EUA e regista apenas 36% e 33%, respectivamente, das lavouras em condições boas/excelentes.
O clima mais seco e as condições inferiores de safra acabam gerando comparações com anos em que houve quebra, com destaque para 2012, quando a produção dos grãos norte-americanos foi fortemente afetada pela falta de chuvas. Por exemplo, nesta mesma semana de 2012, o percentual bom/excelente do milho e da soja era mais elevado que o observado para a safra corrente (ver gráficos a seguir).


De qualquer maneira, ao se observar como as condições da safra 2012 dos EUA evoluíram, a piora foi ocorrendo ao longo dos meses, atingindo as mínimas para o percentual bom/excelente (29% para a soja e 22% para o milho) em agosto e setembro.
Ao se olhar o monitor de seca divulgado na semana passada, observa-se que praticamente todo o Meio Oeste registra condições de seca variadas, com as áreas afetadas pela falta de umidade sendo até mais extensas que o apresentado na mesma semana de 2012. Há 11 anos, nessa época, as regiões de planícies estavam mais secas.




