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Especial | USDA - dezembro | Soja, Milho, Trigo e Algodão

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

 

 

Especial | USDA - dezembro | Soja, Milho, Trigo e Algodão
 
Ana Luiza Lodi
Especialista de Inteligência de Mercado
João Pedro Lopes
Analista de Inteligência de Mercado
Larissa Alvarez
Analista de Inteligência de Mercado
Raphael Bulascoschi
Estagiário de Inteligência de Mercado
O relatório de oferta e demanda o USDA de dezembro usualmente não traz maiores surpresas para os números do EUA, com o mercado acompanhado o que acontece em outros importantes players, como no Brasil.
SOJA

Aguardado após os impactos do fenômeno de El Niño, principalmente no Brasil, o último relatório de 2023 da Secretaria de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve um panorama favorável para a produção mundial de soja. Apear de um ligeiro ajuste entre no comparativo mensal, com uma diminuição de 1,5 milhão de toneladas, ainda se espera um recorde mundial para 2023/24. Desta forma, a safra ficaria em 398,88 milhões de toneladas, o que significa uma variação anual positiva de 6,5%. Assim, apesar de o potencial de produtividade ter sido afetado pelo excesso ou escassez das chuvas, a produção mundial ainda cresceria ano a ano.  

As projeções para o Brasil, maior produtor mundial da oleaginosa, eram especialmente aguardadas pelo mercado. Perdas no potencial produtivo por consequências climáticas já tinham sido anunciadas, o que foi confirmado pelo USDA, com uma redução de 2 milhões de toneladas. No entanto, mesmo com esse corte, se espera um novo recorde para a safra brasileira, que seria de 161 milhões de toneladas.

Para os Estados Unidos, as projeções se mantiveram inalteradas em comparação ao mês anterior. A produção esperada é de 112,37 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento alcançaria 62,6 milhões de toneladas.

A Argentina, que deve se recuperar dos resultados do ano passado, também manteve inalteradas suas projeções quando comparadas ao mês anterior. A produção quase se duplicaria entre uma safra e outra, com 48 milhões de toneladas, frente às 25 milhões de toneladas, resultado de uma das maiores secas já registradas no país.

Assim, o consumo mundial em 2023/24 ficaria em 383,96 milhões de toneladas demandadas, volume mais de 15 milhões abaixo da produção. Contudo esse cenário depende do resultado na América do Sul, que ainda pode mudar.

Balanço de O&D de soja - Brasil (milhões de toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
MILHO

Para o milho, houve um aumento de 5,6% na produção mundial quando comparada ao mês anterior, ficando em 1222,07 milhões de toneladas. O consumo projetado também indica um aumento, com 1206,95 milhões de toneladas, representando uma variação anual positiva de 3,4%.

A produção estadunidense se manteve inalterada, mas houve um crescimento de 1,2% nas exportações com uma redução também de 1,2% nos estoques finais. Enquanto para o Brasil, onde ainda existe uma preocupação pela possível perda da janela ideal da safrinha, face ao atraso no plantio da soja, as projeções se mantiveram estáveis. Ainda é cedo para fazer os ajustes correspondentes, mas a produção brasileira estimada já está 5,8% menor que no ano passado.

A produção de milho foi ajustada para cima na Ucrânia e Rússia, em 1 milhão de toneladas para cada, assim como na União Europeia, com um aumento de 300 mil toneladas. Em sentido contrário, a diminuição produtiva para o México também foi de 1 milhão de toneladas. Este último dado explica as importações mexicanas maiores que o normal de milho estadunidense.

Balanço de O&D de milho - Mundo (milhões de toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
TRIGO

A produção mundial de trigo foi revisada para cima, com um aumento de 1 milhão de toneladas, com melhoras das colheitas esperadas no Canadá e na Austrália, que compensaram a diminuição no Brasil. Já para a Argentina, as projeções se mantiveram inalteradas. Outro destaque foi que, para a União Europeia, não houve alterações em relação à produção, mesmo após os anúncios de que excessos de chuvas na França, principal produtor da região, afetariam a produção de trigo europeu. 

Diferentemente da soja e do milho, cujas produções superariam o consumo, as projeções para o trigo indicam o contrário, com o consumo (794,66 milhões de toneladas) sendo superior à produção (783,01 milhões de toneladas).

Para os Estados Unidos não se observaram grandes surpresas, mantendo-se estáveis as previsões para a produção, a importação e o consumo doméstico. Uma novidade foi o ajuste nas exportações esperadas. Após um recorde de compras da China de trigo estadunidense, que representou o maior volume observado desde julho de 2014, as exportações norte-americanas foram corrigidas para cima, passando de 19,05 milhões de toneladas em novembro/23 para 19,73 toneladas em dezembro/23 (aumento de 3,6%).

Para o Brasil, conforme esperado devido às excessivas chuvas no Sul do país, a produção foi reduzida em 1 milhão de toneladas para a safra 2023/24, passando a corresponder a 8,4 milhões de toneladas. Dessa forma, as exportações foram diminuídas em 500 mil toneladas. A redução da produção e da qualidade dos grãos tenderia a aumentar as importações e a moagem interna, mas essas duas variáveis permaneceram inalteradas no relatório. O aumento anual esperado para a importação é de 19,7%.

Balanço de O&D de trigo - Mundo (milhões de toneladas)
image 85865
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. *Estimativa.
ALGODÃO

Quando se refere ao mercado de algodão, o WASDE registrou quedas tanto na oferta quanto na demanda pela pluma. Do lado da oferta, o relatório repercutiu dados mais fracos para a produção estadunidense, puxados principalmente por mais uma queda na produtividade média das lavouras do país. O fato vem na esteira de dados mais consolidados sobre a safra no Texas, conforme o beneficiamento avança no estado, que é o principal produtor da pluma nos EUA. Dessa forma, a produção estadunidense foi reduzida em cerca de 70 mil toneladas no comparativo mensal. Além disso, outros países, como Turquia e México, também sofreram revisões em suas projeções produtivas, o que fez com que, no agregado mundial, a produção fosse revisada para 24,59 milhões de toneladas (-110 mil toneladas).

Lançando o olhar para a demanda, o relatório trouxe o enfraquecimento do consumo doméstico, que vem pautando o mercado nos últimos meses. A revisão veio principalmente relacionada à China e aos EUA. O gigante asiático teve sua demanda revisada em 210 mil toneladas para baixo, enquanto nos EUA a revisão foi de -40 mil toneladas. No agregado, a projeção de dezembro traz um consumo 340 mil toneladas menor do que o reporte de novembro. Dessa forma, as projeções para os estoques de passagem mundiais cresceram de 17,74 para 17,94 milhões de toneladas. O fato contribui para uma imagem ainda mais confortável para o balanço mundial de algodão, o que pode ser um fator de resistência dos preços.

O comércio internacional de algodão se mostra mais prejudicado nessa última fotografia publicada pelo USDA. Austrália e Brasil, dois países que são importantes exportadores da fibra, sofreram revisões para baixo nos carregamentos, influenciadas justamente pelo já citado desaquecimento da indústria do algodão no mundo.

Dessa forma, o Relatório de Oferta e Demanda de dezembro do USDA traz um cenário baixista para a pluma, com as perdas na oferta sendo ofuscadas e até superadas pelas perdas na demanda, o que contribui para um balanço relativamente mais confortável no mundo, o que pode pressionar os preços do algodão.

Estoque final mundial de algodão (milhões de toneladas)
image 85866
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX. *Estimativa.
 
  • Grãos e Oleaginosas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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