
Mercado Externo: Mercado avalia quais serão os próximos passos do Fed
A expectativa acerca das determinações do Fed quanto ao corte de juros segue sendo uma pauta de grande destaque no mercado. Com a divulgação de índices inflacionários ascendentes ao longo da semana nos EUA, ainda que de maneira desacelerada em comparação aos meses anteriores, a possibilidade de corte de juros acima de 0,25pp é modesta. Ainda assim, é bastante provável que esse recuo nos juros aconteça e os patamares se reduzam para a casa dos 4,25% a 4%.
O mercado hoje aguarda a divulgação do WASDE, que abrangerá estimativas acerca da produção, oferta e demanda no âmbito das commodities. Potencialmente, a publicação do relatório, que ocorrerá as 13h dessa sexta-feira, deve proporcionar aos agentes uma percepção significativa do atual ritmo do mercado de commodities, permitindo-os a elaboração de estratégias comerciais e, sobretudo, promovendo maior dinamismo aos preços.
O mercado asiático fechou essa sexta-feira com ganhos. O destaque vai para avanços tecnológicos gradualmente significativos na região, que podem valorizar os ativos dessas economias.
Na Europa, bolsas operam de maneira mista nesse recorte matinal. O Reino Unido registrou crescimento econômico zero no mês de agosto, e tal ocorrência pode ser um indicativo para adoção de políticas monetárias e fiscais significativas nos próximos momentos.
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado foi o destaque da última quinta-feira. Impactos dessa decisão sob a ótica interna brasileira e externa são aguardados pelos agentes econômicos.
Condenação de Bolsonaro e iminente corte de juros nos EUA são os principais vetores do comportamento do real frente ao dólar. A provável expansão da política monetária nos EUA tende a diminuir a atratividade do dólar e enfraquecê-lo no escopo global. Desta maneira, percebe-se margem para a valorização do câmbio doméstico, tendência essa que já é vista ao longo dos últimos dias.
As determinações do julgamento do ex-presidente podem convergir em desdobramentos comerciais negativos entre Brasil e Estados Unidos, considerando a aliança entre o governo americano e ao líder de direita brasileiro. Aumenta-se o risco em torno dos ativos nacionais e, portanto, pode haver um enfraquecimento do real sob esta ótica.
Soja em baixa
A soja encerrou as operações no pregão noturno em baixa, com ajustes após algumas altas recentes.
O mercado acompanha e a seca em parte significativa da região produtora nos EUA, apesar das expectativas de grande safra se manterem, o que tem pesado sobre os preços. A ausência de uma atuação mais incisiva da China sob a ótica importadora, atrelada às taxações, também alimenta essa tendência baixista. O relatório de vendas de exportação demonstrou resultados mais fracos que o esperado.
Ademais, a publicação do relatório de oferta e demanda do USDA (WASDE) tende a proporcionar novidades, podendo impactar os preços. As perspectivas para o relatório são de corte da produtividade, o que poderia dar suportes aos futuros a curto prazo, a depender do tamanho da redução.
Milho em alta
As cotações do milho terminaram o pregão noturno no campo positivo, numa correção após as recentes baixas.
De qualquer forma, o mercado continua apostando numa safra recorde nos EUA, mesmo com as perspectivas de corte de produtividade no relatório de oferta e demanda que será divulgado no começo desta tarde. Têm sido relatadas algumas perdas devido ao clima mais seco no final do ciclo em parte do cinturão. Mesmo assim, o crescimento anual da produção do país deve ser considerável, lembrando que a área plantada também avançou de forma significativa.
Trigo em baixa
O trigo contina sob pressão nas bolsa americanas, diante da falta de ameaças pelo lado da oferta, tanto nos EUA, quando no mundo, em geral.
Mesmo com os preços mais baixos tornando o trigo norte-americano mais competitivo, sinais de uma demanda mais fraca pelo produto dos EUA têm ocorrido nas últimas semanas. Foram negociadas 305,4 mil toneladas na semana encerrada em 04/08, volume 43% mais baixo que a média das últimas quatro semanas. Mesmo assim, no acumulado da safra 25/26, as vendas de exportação dos EUA estão mais aquecidas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.