
Mercado Externo: Rumos da política monetária em evidência
O grande destaque desta terça-feira é a expectativa com relação às decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, que serão anunciadas amanhã pela tarde. A expectativa, sob a ótica brasileira, é de que haja a manutenção da Selic em 15% ao ano, evidenciando a continuidade deste momento de inflexibilidade monetária nacional. Nos Estados Unidos, é esperado um corte de juros de 0,25pp, que colocariam os juros na casa dos 4,25% aos 4% em meio à fragilidade do mercado de trabalho americano e índices de desaceleração econômica. Em menor probabilidade, aguarda-se corte de 0,5pp, patamar de ajuste defendido pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump, que pressionou o Fed na última segunda-feira.
Ademais, outros índices de relevância foram divulgados nesta terça-feira, como a taxa de desemprego em julho, que ficou em 5,6%, abaixo das expectativas de 5,8%. Nos EUA, indicadores de consumo no varejo e preço dos bens importados avançaram acima do esperado. No entanto, em ambos os cenários, nacional e americano, não há expectativas de que as decisões monetárias sejam revisadas em meio às publicações desses dados.
O fechamento das bolsas asiáticas se deu de maneira mista nesta terça-feira. O mercado segue aguardando por avanços e/ou determinações advindas das negociações entre China e EUA na Espanha. A grande temática do momento, além dos entraves comerciais e as tarifas, é o potencial acordo pelo TikTok, que deverá ser vendido a uma empresa americana para seguir funcionando nos Estados Unidos. Existe a esperança de que novidades acerca dos acordos entre as potências se dê ainda nesta semana.
O mercado europeu opera em baixa nesse recorte matinal de terça-feira. É perceptível a cautela dos agentes perante as tratativas relevantes da quarta-feira.
No cenário nacional, o mercado segue atento a possíveis sanções dos Estados Unidos contra produtos brasileiros após a condenação de Jair Bolsonaro, na semana passada. O Secretário de Estado Marco Rubio prometeu que o anúncio de novas medidas mirando o Brasil serão anunciadas na semana que vem
Na ótica cambial, percebe-se a continuação da tendência de queda do dólar frente ao real, muito influenciada pelas expectativas com relação às taxas de juros nesta semana.
Soja em alta
A soja encerrou o pregão noturno desta terça-feira em alta. Após a divulgação do WASDE na última sexta-feira, o comportamento tem sido mais volátil.
O mercado se mantém bastante cauteloso quanto aos rendimentos da safra americana, uma vez que o clima seco em parcela relevante do plantio pode prejudicar os números finais de produtividade. Ontem, as lavouras em condições boas/excelentes recuaram 1 p.p.
As negociações entre China e Estados Unidos serão um ponto de atenção, uma vez que a China ainda me mantém ausente do programa de exportações norte-americano.
A curto prazo, tem-se que a forte demanda por soja pelas esmagadoras para a produção do óleo fornece estímulos altistas aos futuros do grão.
Milho em alta
As condições boas/excelente de milho dos Estados Unidos recuaram 1 p.p. na divulgação de ontem. O valor esteve abaixo do que era esperado pelo mercado e sinaliza uma safra ainda saudável em comparação a anos anteriores.
Os preços no pregão noturno avançaram após a forte liquidação de ontem. O mercado seguirá acompanhando as estimativas de produtividade da safra americana conforme a colheita avança e dados efetivos do campo possam dar mais pistas com relação à oferta total de milho americano nesta safra.
Na B3, o milho recuou ontem em resposta a uma valorização do real em relação ao dólar. A expansão do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos após as reuniões de política monetária amanhã tem fortalecido a moeda brasileira, o que tende a ser mais negativo para os preços das commodities para os produtores brasileiros.
Trigo em alta
O mercado de trigo inicia essa terça-feira em alta, espelhando o comportamento do dia anterior. Tais ajustes técnicos positivos continuam após a publicação do relatório de Oferta & Demanda do USDA, na última sexta.
Sob a ótica global, ajustes positivos de produção entregues pelo WASDE devem convergir em pressões ao trigo. A perspectiva de maiores safras é atrelada à Australia, Canadá, Rússia e União Europeia.
Nos Estados Unidos, foi observado mais um avanço na colheita do trigo de primavera, que no dia 14/09 estava 95% completa. Em comparação, nesse mesmo período no ano anterior a colheita havia atingido 91%. Com mais unidades do grão a serem ofertadas, entende-se mais um estímulo para o recuo nos preços.
No pregão noturno dessa terça-feira, o Trigo Chicago fechou no patamar de US¢529,75/bu.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.