
Mercado Externo: Agentes traçam estratégias após corte de juros
Ontem, conforme esperado, o Comitê Federal de Mercado do Aberto (FOMC) dos EUA formou maioria para aprovar um corte de 0,25 p.p. na taxa de juros da maior economia do mundo. A reunião também foi marcada pela divulgação das projeções dos membros votantes da autoridade monetária com relação ao rumo futuro dos juros no país, que apontou para dois novos cortes de 0,25 p.p. ainda neste ano. Houve pouca divergência entre os diretores de política monetária, demonstrando um alto alinhamento entre os membros com relação ao que é visto como necessário para garantir o cumprimento pleno dos mandatos de pleno emprego e baixa inflação. O tom do presidente do Fed, Jerome Powell, em sua coletiva de imprensa foi cauteloso, o que faz todo sentido, frente às incertezas no mercado, principalmente com relação à inflação americana.
O efeito dessa medida nos ativos americanos tem sido positivo. Os futuros dos principais índices indicam uma valorização para patamares recordes nesta manhã.
No Brasil, o Copom manteve a taxa de juros em 15%, conforme esperado. Além disso, a autoridade monetária sinalizou que a taxa deve se manter nesse patamar ao longo das próximas reuniões. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que entende que o atual patamar deve ser o suficiente para controlar a inflação, que atualmente opera acima da meta. A postura se dá em um momento de relativo conforto para tomar esse tipo de decisão, uma vez que o mercado de trabalho brasileiro não tem demonstrado um desaquecimento, diminuindo a pressão por cortes.
A expectativa de novos cortes na taxa de juros dos EUA e manutenção na taxa de juros brasileira ampliará ainda mais o diferencial de juros entre os países, o que se reflete em uma continuidade da trajetória de apreciação do real, que já opera abaixo dos R$ 5,30/USD. O Ibovespa também mantém trajetória de alta.
Ainda no cone-sul, vale pontuar que, ontem, o Banco Central Argentina teve que intervir no câmbio pela primeira vez desde o último acordo do país com o FMI, em abril. O peso argentino vem sofrendo uma desvalorização significativa desde as duras derrotas do presidente Javier Milei nas eleições provinciais de Buenos Aires, na semana passada. O que essa trajetória do peso argentino significará para o produtor de grãos argentino? A safra de milho terminou de ser colhida no começo do mês e esse movimento cambial recente tende a ser favorável para as exportações do país, o que será um ponto de atenção relevante, uma vez que a safrinha brasileira ainda está sendo comercializada e a colheita americana já começa a dinamizar a o mercado exportador global novamente.
Soja em baixa
A soja fechou o último pregão noturno em baixa. Os ajustes negativos observados podem ser explicados pela inconclusão acerca da política de biocombustíveis pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
Ademais, a ausência da China na pauta exportadora americana continua sendo um fator de pressão, apesar dos supostos avanços nas negociações comerciais nessa semana.
Sob uma ótica altista, o relatório de vendas de exportação dos EUA publicado hoje mostrou uma elevação nos níveis de exportação de soja. Nesta última semana, foram comercializadas 923 mil toneladas, registrando-se um aumento de 71% em comparação à semana anterior. Esse comportamento das vendas pode significar em novas altas a curto prazo, indo contra a dinâmica baixista previamente identificada.
Milho estável
Fatores altistas e baixistas parecem se neutralizar. A nebulosidade acerca das mudanças nas políticas de biocombustível deve afetar negativamente a demanda por milho para etanol a longo prazo. Por outro lado, as incertezas climáticas nas regiões agrícolas de milho nos Estados Unidos podem comprometer parcela da produção na safra, e, desta maneira, preços podem encontrar suporte.
O relatório de vendas de exportação dos EUA, por sua vez, demonstrou que houve uma grande elevação na comercialização do milho. Cerca de 1,23 milhão de toneladas foram exportadas na semana, representando-se um aumento de 128% em relação à semana anterior. O bom andamento do programa de exportações de milho seguirá como um fator de suporte apesar da ampla oferta.
O milho encerrou as operações no pregão noturno desta quinta-feira em estabilidade.
Trigo em alta
O trigo terminou o pregão noturno em alta após ajustes técnicos de mercado e mediante à competição entre EUA e Mar Negro no segmento. Após alta competitividade ao redor dos preços, sustentou-se uma forte demanda de exportação, o que fez com que os futuros encontrassem algum suporte.
O relatório de vendas de exportação dos EUA demonstrou leve aumento na comercialização do trigo norte-americano. Cerca de 377,5 mil toneladas foram vendidas, superando as 305,4 mil toneladas da semana anterior.
Ademais, o comportamento baixista dos preços ainda é estimulado devido ao excesso de oferta da commodity no mercado.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.