
Mercado Externo: Probabilidade de shutdown e tratativas comerciais entre Brasil e EUA movimentam o mercado
Os índices acionários norte-americanos avançaram na última sexta-feira (26) mediante à publicação de dados econômicos para o país. O PCE avançou em 0,3%, conforme o previsto. A Personal Income cresceu em 0,4%, refletindo uma evolução acima das projeções em 0,1%. O Produto Interno Bruto, divulgado na última quinta-feira (25), também cresceu significativamente.
Os resultados são razoáveis e, de modo geral, surtiu efeitos positivos às bolsas norte-americanas, ainda que a euforia com os dados não tenha convergido para o complexo de commodities.
O Ibovespa fechou a sexta-feira com ganhos, recuperando-se dos recuos da quinta-feira. O dólar operou em baixa frente ao real, e esse comportamento da relação entre as moedas foi significativo para que os ativos nacionais se valorizassem. Neste primeiro recorte matinal, Ibovespa opera em novos ganhos.
As bolsas asiáticas fecharam o dia em alta, conforme a percepção de recuperação de economia chinesa. Em agosto, os lucros industriais do país registraram uma alta de 20,4% em relação ao ano anterior. Foi a primeira alta em quatro meses. Na Europa, mercados operam em alta, em sua maioria.
A grande temática neste momento é a possibilidade de paralisação do governo norte-americano dada a inclusão acerca de um novo plano orçamentário para o país. O orçamento estadunidense expira nesta terça-feira (30). A situação atual é de que não há consenso entre republicanos e democratas no congresso para a aprovação de um novo plano e/ou de um financiamento temporário. Desta maneira, com a indefinição, o governo deve entrar em “shutdown”, o que abrange a suspensão de algumas atividades que contemplam gastos públicos. Consequentemente, diversos funcionários do governo poderão ser dispensados, uma alta gama de serviços deve ser interrompida, além do atraso subsidiário à pequenas empresas. A economia americana, portanto, entra em sinal de alerta, sendo que, caso se confirme o shutdown, diversos impactos poderão ser sentidos pela população e refletidos na esfera financeira, também.
A falta de consenso acerca da questão orçamentária existe desde que o atual presidente, Donald Trump, assumiu seu mandato no início deste ano.
Outro evento relevante ao mercado é a conversa entre Trump e Lula, que deve ocorrer nos próximos dias, por telefone. Os representantes devem discorrer acerca das tratativas comerciais e tributárias que envolvem os países. Avanços nas conversas são esperados e, caso confirmados, deverão gerar otimismo aos agentes mediante à diminuição do risco acerca dos ativos brasileiros, facilitações comerciais e potenciais valorizações no real.
O Relatório da Situação do Emprego nos EUA, que deve fornecer pistas acerca do futuro da política monetária e dos juros no país, também é aguardado para esta sexta-feira (03). Entretanto, com a possibilidade de paralisação do governo, a divulgação está ameaçada.
Soja em baixa
A soja fechou o último pregão noturno em baixa.
Os consideráveis recuos da sessão refletem o atual contexto do grão sob a ótica americana. A ausência da China neste segmento de exportação é bastante sentida, principalmente depois das retenciones serem suspensas e a nação asiática realizar compras significativas de soja junto à Argentina. Os suprimentos acumulados podem ser suficientes para as operações até o começo da colheita da safra brasileira, no início do ano que vem. Dessa maneira, a China não possui, neste momento, a necessidade de importar sequer uma unidade do grão dos Estados Unidos.
Milho em baixa
Apesar do alto grau de aquecimento das exportações norte-americanas de milho, há alguns fatores baixistas que promovem resistência aos preços no mercado.
Inicialmente, tem-se que as condições climáticas favoráveis - quentes e secas - devem acelerar ritmo da colheita no início de outubro.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de reajuste das estimativas dos resultados da safra atual, que será divulgado em conjunto ao Relatório Trimestral de Estoques do USDA. A expectativa é de que o USDA revise os rendimentos da safra para cima, o que indicaria uma maior oferta sendo lançada no mercado, pressionando os futuros da commodity.
Trigo em baixa
Apesar do último relatório de vendas de exportação do USDA ter demonstrado um melhor comportamento da demanda para o trigo, os estímulos baixistas seguem predominantes.
A alta competitividade em meio à ampla oferta do grão em âmbito mundial fazem com que, no atual contexto, os preços estejam sempre pressionados.
A atualização de safras estadunidenses, que será divulgada hoje, deve entregar novas visualizações acerca do ritmo de plantio do trigo de inverno. Na semana anterior, a etapa se encontrava 20% completa, ligeiramente abaixo em comparação ao andamento no mesmo período do ano anterior.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.