
Mercado Externo: França passa por nova instabilidade política enquanto governo dos EUA segue paralisado
Os principais índices acionários norte-americanos terminaram a sexta-feira (3) de maneira mista em meio à continuidade do shutdown. A paralisação pode abranger impactos políticos significativos caso se estenda muito. A publicação de relatórios e dados econômicos relevantes pelo governo continuam majoritariamente suspensos, e há a possibilidade de demissões em massa no setor público nos próximos momentos.
Desta maneira, o mercado assume um nível de cautela maior, ainda que as expectativas sejam de que o período até as resoluções na pauta orçamentário não seja tão longo. Além do mais, tem-se que, historicamente, os impactos negativos das paralisações governamentais foram recuperados um tanto quanto rapidamente na esfera financeira.
Hoje, principais bolsas e indicadores financeiros iniciaram o dia em alta nos Estados Unidos.
O Ibovespa havia fechado a última sexta-feira em ligeira alta, de 0,17%. Entretanto, no panorama semanal, registrou-se uma perda de 0,86% em comparação ao fechamento período anterior. No recorte matinal desta segunda-feira, o índice opera em alta, mas com comportamento bastante oscilante.
O dólar havia encerrado as operações em baixa frente ao real na semana após três dias de valorização sobre a moeda brasileira. Hoje, a divisa norte-americana inicia sob ligeira valorização em âmbito internacional. As interpretações do Fed acerca do shutdown, a elaboração da estratégia de juros nos EUA, e a possível conversa entre Lula e Trump deverão impactar as relações cambiais entre os Estados Unidos e o Brasil, novamente.
Na Ásia, mercados fecharam de maneira mista. Na China, a bolsa de Shanghai esteve fechada devido ao Feriado Nacional Chinês. No Japão, os ganhos foram abundantes. A bolsa japonesa subiu 4,75% após a eleição de Sanae Takaichi para liderar o Partido Liberal Democrata. Ganhos também são advindos do setor de tecnologia.
Na Europa, a dinâmica nesta segunda-feira é de queda. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, renunciou o cargo após duas semanas de sua nomeação. O clima é, desta forma, de continuidade de crise política na França, o que reflete negativamente nos mercados e na esfera financeira europeia como um todo. O CAC 40, da França, que abrange as 40 maiores empresas listadas na Euronext Paris, opera em torno de uma variação negativa de 1,5 pontos percentuais.
Soja em alta
A soja encerrou o pregão noturno desta segunda-feira em alta, com o futuro mais próximo a US¢1020/bu.
A recuperação da soja já havia sido percebida desde a quarta-feira passada, quando Trump anunciou a possibilidade de uma nova conversa com Xi-Jinping dentro das próximas quatro semanas e prometeu suportes financeiros aos produtores como um “Plano B”.
Percebe-se, entretanto, que o otimismo ao redor da soja norte-americana pode ser novamente minado, uma vez que é improvável que haja avanços nos acordos comerciais entre a China e os Estados Unidos para a comercialização do grão. A China possui independência significativa da soja estadunidense até o começo das colheitas da safra brasileira, no início do ano que vem.
Paralelamente, o auxílio aos produtores prometido por Trump ainda não saiu do papel. Desta forma, os fatores que potencializaram a valorização dos futuros podem ser um tanto quanto esgotados nos próximos dias, e novas altas podem estar ameaçadas nesse contexto.
No pregão principal da última sexta-feira, já havia sido percebida uma queda significativa, de 5,75 cents. Essa dinâmica pode ter refletido a saturação desses recentes estímulos altistas, ainda que os ajustes técnicos de mercado tenham sido também relevantes para tal comportamento da precificação.
Milho estável
O milho, como comentado nos últimos relatórios, detém estímulos altistas e baixistas de maneira simultânea para a sua precificação.
O recente comportamento das exportações do grão norte-americano entrega suporte aos futuros em Chicago. Sob a ótica baixista, tem-se os reajustes do USDA para os rendimentos e estoques de milho estadunidense acima das expectativas de mercado.
A continuidade do shutdown promove ainda mais incertezas para este mercado, uma vez que, com a suspensão dos relatórios e dados econômicos fundamentais, o rumo dos preços contempla nebulosidade nos próximos momentos.
Trigo em alta
O grão encontrou suporte nesta última sessão.
O comportamento de alta das precificações da soja e do milho em Chicago na última semana transbordou também para o trigo.
Ainda assim, a dinâmica predominante é de queda, uma vez que a ampla oferta em âmbito global proporciona uma alta competitividade do grão. Além do mais, condições favoráveis do clima nos EUA devem potencializar o desenvolvimento da cultura de inverno, o que pode promover novos reajustes crescentes das estimativas de rendimento desta safra.
Os resultados das atualizações, todavia, está suspenso de divulgação no momento devido à paralisação governamental nos EUA, como comentado anteriormente. O mercado, portanto, deve seguir atento aos estímulos ao redor do trigo enquanto aguarda resoluções no escopo político e novidades acerca do andamento da produção.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.