
Mercado Externo: Tensões macroeconômicas continuam
Ontem, os principais índices acionários norte-americanos fecharam o dia sem seguir um caminho único.
O shutdown alcança nesta quarta-feira (15) duas semanas de duração. A incerteza continua no ar, uma vez que, mediante a paralisação parcial do governo, seguem suspensas as divulgações de diversos relatórios econômicos relevantes e atualizações de safras norte-americanas pelo USDA, os quais são vistos como direcionadores do mercado.
As tensões comerciais entre a China e Estados Unidos seguem esquentando. Os recentes entraves ocorreram devido à limitação de exportações de recursos associados às terras-raras chinesas, essenciais à produção de tecnologias de alto calibre, como inteligências artificiais. Donald Trump respondeu com ameaças de imposição de novas tarifas à nação asiática. A resolução das divergências comerciais ainda é bastante incerta entre os dois países, uma vez que avanços nas tratativas são pouco prováveis apesar do potencial encontro entre os representantes no final do mês na Coreia do Sul.
O Fed ressaltou nesta terça-feira (14) a probabilidade considerável da continuidade da política monetária expansionista e, portanto, de novos cortes de juros. Caso confirmadas as tendências, esperam-se maiores níveis de aquecimento de consumo populacional e variações significativas nos fundamentos de mercado no âmbito produtivo.
A alta probabilidade de novos cortes de juros fortaleceram o apetite ao risco mediante a expectativa de maiores margens de crescimento econômico. A alta lucratividade recente dos bancos norte-americanos também potencializou a alta dos índices financeiros nesta quarta-feira.
Na Ásia, os mercados fecharam a sessão diurna de hoje com ganhos conforme o acompanhamento das principais temáticas macroeconômicas internacionais. Na Europa, ativos operam em alta, também.
Na pauta nacional, o Ibovespa encerrou a terça-feira com leves perdas. No geral, esse comportamento de recuos recente da bolsa brasileira pode estar associado às recuperações do dólar frente ao real. A valorização do dólar e de ativos de maior segurança desfavorecem a precificação de moedas emergentes como a brasileira. Ainda assim, a volatilidade cambial pode pender para novas recuperações do real levando em consideração a ótica monetária predominantemente expansionista em território americano. O fator de limitação de altas do real é a preocupação do mercado com a questão fiscal brasileira.
Soja em baixa
As tensões comerciais entre China e Estados Unidos seguem pesando na precificação da soja.
O comportamento dos últimos dois pregões diurnos foram um tanto quanto estáveis para a precificação dos futuros. Ainda assim, a dinâmica se dá predominantemente baixista para o grão norte-americano, considerando a ausência da China na pauta exportadora e a baixa probabilidade de avanços nas tratativas agrícolas entre os países. As recentes “trocas de socos” entre as potências econômicas envolveu a limitação de exportações de recursos das terras-raras por Xi Jinping, e as ameaças de novas tarifas comerciais por Donald Trump.
O USDA apontou que as embarcações de soja estadunidense, na semana que se encerrou no dia 9 de outubro, aumentaram em 27% em comparação à semana anterior, o que pode proporcionar certos estímulos de respiro aos preços no curto-prazo. Ainda assim, as quantidades se configuram significativamente abaixo daquelas obtidas no ano anterior, quando havia maiores níveis de comercialização do grão norte-americano para com a China.
No Brasil, o clima mostra-se favorável para o plantio e para os primeiros estágios de desenvolvimento da cultura de soja. A safra brasileira será colhida ao início do ano que vem e deve abastecer novamente os estoques chineses.
Milho em baixa
O milho norte-americano registrou uma ligeira perda neste pregão noturno.
O comportamento do milho, ainda que predominantemente baixista desde meados de setembro, exibe-se bastante oscilante. Na sessão diurna desta terça-feira, houve um pequeno ganho. Desta maneira, pode-se apontar novamente a coexistência de estímulos altistas, sobretudo o alto aquecimento da parcela exportadora norte-americana, e baixistas, com destaque às amplas ofertas mediante safras recorde.
As inspeções do USDA apontaram que, durante a semana que se encerrou no dia 9 de outubro, as embarcações de milho norte-americano corresponderam à 1,13 milhão de toneladas. A variação semanal é de -27%. Ainda assim, a demanda pelo grão segue consideravelmente aquecida, dado que no mesmo período no ano anterior foram observadas embarcações correspondentes a 514 mil toneladas.
É relevante destacar, mais uma vez, que a precificação do milho tende a acompanhar o comportamento e a dinâmica no complexo de soja, que no momento é recheado de estímulos para perdas.
Trigo em baixa
O trigo segue contemplando, assim como os outros grãos, uma dinâmica majoritariamente baixista.
A ampla oferta em âmbito mundial mediante à alta competitividade das nações produtoras vide grandes safras é o principal raciocínio por trás das constantes quedas nos futuros do trigo em CBOT. Ainda que as exportações de trigo nos Estados Unidos estejam consideravelmente aquecidas, a esfera da demanda não consegue atender aos altos rendimentos/produtividade já obtidas e esperadas nos diversos centros produtivos do grão em escala internacional. Exemplificando, a cultura de trigo demonstra resultados fortes nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina, Mar Negro, entre outros players.
Ainda que os relatórios de atualização de safra pelo USDA estejam suspensos, estima-se que a cultura de trigo de inverno nos Estados Unidos esteja em boa evolução. As condições climáticas são favoráveis, sobretudo no noroeste norte-americano, onde foram perceptíveis volumes interessantes de precipitação neste primeiro recorte de outubro.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.