
Mercado Externo: Diálogos entre China e EUA avançam e mercados sobem
Os principais índices acionários globais abrem em alta nesta segunda-feira após boas sinalizações nas tratativas comerciais entre Estados Unidos e China em seguida a uma série de reuniões durante a cúpula da ASEAN, na Malásia. Ontem, a reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessant, e o vice primeiro-ministro da China, He Lifeng, foi, ao que tudo indica, muito boa. As autoridades encontraram uma estrutura que pode pautar um futuro acordo comercial entre as potências, podendo incluir redução de tarifas, menor controle de exportações de terras-raras e o retorno da China na pauta exportadora de soja dos Estados Unidos.
Ainda na Malásia, as tratativas entre o presidente do Brasil, Lula, e o presidente dos EUA, Trump, parece ter surpreendido até mesmo as visões mais otimistas do mercado. Embora o resultado concreto ainda deva ser auferido, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, saiu da reunião declarando que o encontro entre as autoridades foi muito positivo e que os países devem seguir negociando propostas de acordo comercial nas próximas semanas. Em função disso, a taxa de câmbio USDBRL apresenta tendência baixista nas primeiras negociações do dia, movimento que também é ajudado por um sentimento global de maior propensão ao risco.
Bolsas na Ásia e na Europa também operaram em alta. Além das tratativas entre EUA e China, o mercado também observa potenciais acordos comerciais entre EUA e Japão, que podem se desenvolver ao longo dos próximos dias, uma vez que Trump aterrissou na ilha asiática há poucas horas.
O foco da semana estará no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, que deve acontecer nesta quinta-feira, na Coréia do Sul. Os Chefes de Estado devem avançar com o acordo comercial, o que pode ampliar o otimismo do mercado. Além disso, uma nova decisão de juros nos Estados Unidos ocorrerá na quarta-feira. O resultado deve ser um corte de 25 pontos-base na taxa de juros da maior economia do mundo, o que deve seguir ampliando a propensão ao risco nos mercados globais.
Também merece destaque o fato que que o La Libertad Avanza, partido do presidente argentino, Javier Milei, levou a melhor nas eleições legislativas do último domingo. Esse resultado eleitoral da força para o atual governo do país seguir com as reformas de cunho liberal, o que se traduz, nesta segunda-feira, em um fortalecimento dos ativos argentinos. O fortalecimento de Milei também deve seguir garantindo uma salvaguarda do Tesouro dos EUA, que tem fornecido dólares em forma de swaps cambiais para garantir o controle do peso argentino nas últimas semanas. Embora o peso mais valorizado retire certa competitividade dos produtos argentinos no mercado exportador, o presidente dos EUA, Donald Trump, já sugeriu que seu governo pode incentivar a importação de carne da Argentina para ajudar a controlar a inflação de alimentos em seu país, o que pode ser bastante positivo para o mercado exportador do país sul-americano.
Soja em alta
A soja abre em forte alta em reação às já citadas tratativas comerciais entre EUA e China. O mercado se mostra otimista com a fala de Scott Bessant de que o país asiático deve ampliar “substancialmente” suas importações de soja americana.
No Brasil, as semeaduras da soja 25/26 evoluem bem, sobretudo no Mato Grosso, principal estado exportador do grão. Conforme o IMEA, o plantio se encontra em 60%, superando até o mesmo momento, o ritmo médio dos últimos 5 anos (57%). Ainda assim, há certa preocupação com o clima, uma vez que algumas regiões de plantio esboçam certo estresse hídrico. A projeção climática da StoneX aponta para chuvas nesta semana no estado, que serão ainda mais intensificadas nas primeiras semanas de novembro.
Milho em alta
O milho acompanhou, neste pregão noturno, a euforia do complexo de soja, dados os avanços nos diálogos comerciais entre China e EUA, e os ganhos no segmento de grãos como um todo.
Nos Estados Unidos, o processo de dragagem está em andamento na tentativa de contornar os efeitos prejudiciais à logística advindos dos baixos níveis do Rio Mississipi. A manutenção de uma logística fluvial eficiente é fundamental para garantir a continuidade dos altos níveis de exportação de milho americano.
O clima para os próximos dias é de chuva no Meio-Oeste norte-americano, que deve abranger os estados de Iowa, Illinois, Nebraska, entre outras grandes regiões produtoras. Desta maneira, pode-se perceber um atraso nas colheitas nesta semana.
Donald Trump impôs sanções à Colômbia alegando tráfico ilegal de drogas. O país sul-americano ainda tem cerca de 1,5 mi tons de milho adquirido, mas não embarcado, dos EUA. Em caso de retaliação, esse volume poderá estar comprometido.
Trigo em alta
Após terminar a sexta-feira em estabilidade, o trigo voltou a subir conforme os ganhos do segmento de grãos nesta segunda-feira.
Não há novidades relevantes específicas para o grão, que ainda contempla uma dinâmica predominantemente baixista em função da alta oferta e safras robustas pelo mundo.
O clima nos estados unidos contempla poucas chuvas para as planícies centrais, o que certamente não impactará no plantio da cultura de inverno, que está em estágio final, nesta semana. Na região noroeste a previsão é pouco chuvosa, com exceção ao estado de Washington.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.