
Mercado Externo: Novos capítulos para a relação China x EUA
Os índices futuros do Estados Unidos recuam nesta manhã de quinta-feira. O principal fator está nos resultados das conversas entre o presidente Donald Trump com Xi Jinping, que aconteceu na Coréia do Sul nesta manhã (horário local). Embora a reunião tenha, ao que tudo indica, sido muito boa, os resultados dela ainda frustraram o mercado, com a manutenção de algumas tarifas entre Estados Unidos e China.
Outro fator importante guiando esse direcionamento baixista está nas declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após o antecipado corte de 25 pontos-base nas taxas de juros americanas. Powell revelou uma divergência após uma membra sugerir a manutenção dos juros na reunião que se encerrou ontem, o que colocou dúvidas em um novo corte de juros na reunião de dezembro, movimento que era amplamente antecipado pelo mercado.
Os balanços de empresas de tecnologia nos Estados Unidos seguem entregando bons resultados, o que inspira certa força nos mercados acionários. A atenção deve se ampliar nesta quinta-feira enquanto investidores aguardam a publicação de resultados de Apple e Amazon.
O mercado europeu se mantém em compasso de espera com relação à decisão de política monetária pelo BCE hoje. Destaca-se que a economia francesa cresceu 0,5% no terceiro trimestre, superando as expectativas do mercado.
No Brasil, os investidores seguem aguardando a divulgação dos balanços de outras empresas. O câmbio USDBRL abre em alta seguindo um fortalecimento global do dólar após a falta de direcionamentos para um corte de juros nos Estados Unidos em dezembro.
Soja em alta
A soja viveu uma verdadeira montanha-russa nesta última sessão após o encontro entre Trump e Xi Jinping.
Inicialmente, os futuros operaram em baixa, dado que a pauta agrícola havia contemplado uma parcela pouco significante do encontro. A princípio, os representantes não haviam chegado em nenhum acordo de compra e venda de soja, como era esperado por parte do mercado, o que acabou por esfriar a grande euforia dos agentes. Desta forma, os futuros estavam a recuar ao final da sessão.
Entretanto, “no apagar das luzes”, Scott Bessant (Secretário do Tesouro dos EUA) revelou que os países acordaram um negócio de 12 milhões de toneladas de soja, que serão compradas pela China ainda nesta atual temporada. Para os próximos anos, isto é, entre 2026 e 2029, a nação asiática deve importar 25 milhões de toneladas anualmente do grão norte-americano. A divulgação dessas informações reverteu o comportamento dos preços em Chicago, e a soja contemplou uma nova alta bastante significativa, e os futuros retornaram para as máximas de 15 meses.
Paralelamente, entende-se que a China está tendo prejuízos nas operações de esmagamento, e a compra de soja americana em patamares mais competitivos pode ser uma alternativa à nação asiática para reduzir alguns custos nos próximos momentos.
Milho estável
O milho acompanhou, em menor intensidade, a dinâmica oscilante do complexo de soja neste último pregão.
A commodity é impactada de maneira bem menos direta pelos avanços comerciais entre a China e os Estados Unidos na comparação à soja. Entretanto, como se sabe, os preços dos dois grãos possuem uma correlação notória. Assim, o milho operou boa parte do pregão em baixa, mas retornou à estabilidade no final.
Essencialmente, não há grandes novidades para o milho norte-americano. As condições climáticas bastante secas são esperadas no Meio-Oeste nos próximos dias, o que deve condicionar boas evoluções nos trabalhos de campo.
Trigo em baixa
O trigo Chicago recuou nesta sessão após contemplar alguns ganhos recentes, que retomaram os preços aos patamares mais altos desde meados de setembro.
As recentes valorizações ocorrem de modo paralelo ao otimismo no complexo de grão. Portanto, sabe-se que os estímulos altistas são um tanto quanto indiretos ao trigo norte-americano.
No Brasil, pode-se destacar os altos índices de precipitação. Nos últimos dias, o volume de chuvas foi consideravelmente robusto no sul, sudeste, e centro-oeste, o que pode ter impactado nos trabalhos de campo para o trigo brasileiro, que estão em estágio inicial. As estimativas apontam para a continuidade desses aspectos climáticos para as regiões produtores, com destaque ao Paraná, onde a expectativa é de que chova 200mm nas próximas duas semanas.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.