
Mercado Externo: Olhares atentos à reunião do Copom
Na cena internacional, os principais índices acionários norte-americanos fecharam ontem (03) de maneira mista. Os ganhos se deram principalmente na seção de tecnologia, perante o acordo comercial entre Microsoft e Nvidia, e a parceria bilionária entre OpenAI e Amazon. Hoje, os ativos nas bolsas estadiunidenses iniciam majoritariamente em queda.
No domínio nacional, é o primeiro dia da reunião do Copom. Amanhã, serão divulgados os patamares mais atualizados da Selic, que tende a permanecer em 15%. Caso se confirme essa tendência, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vai se manter alto, uma vez que o Fed cortou os juros na última sessão, ainda que Powell tenha indicado uma postura contracionista para as próximas reuniões. A manutenção de altos níveis do diferencial de juros é favorável à valorização do real, dado que os ativos financeiros brasileiros se tornam mais rentáveis.
No senado brasileiro, está sendo votado o PL 1087 de 2025, que prevê a ampliação da faixa de renda isenta de IR para cinco mil reais. A aprovação desse projeto deve causar impactos muito significativos à renda da população brasileira e, consequentemente, contribuir para o aquecimento da economia, das atividades produtivas e das operações financeiras.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda. As altas do Nikkei, no Japão, foram finalmente cessadas por um momento. Na Europa, os mercados operam em queda nesta manhã de terça-feira às vésperas do compartilhamento de balancetes de grandes empresas, como a Philips e a Ferrari. Há, portanto, certo sentimento negativo dos agentes quanto à essas divulgações.
Soja em baixa
Os agentes deverão, nos próximos momentos, ficar ansiosos para ver o acordo comercial entre a China e os Estados Unidos executado/materializado oficialmente. Isto é, o mercado está no aguardo da compra de soja pelos chineses. A absorção dos estímulos altistas advindos do otimismo com o acordo deve começar a ocorrer de maneira um pouco mais desacelerada. Neste último pregão, o grão apresentou um ajuste significativo para baixo.
Ainda assim, entende-se que há margem para que os preços continuem escalando, uma vez que na sessão ontem a soja em Chicago subiu US¢19/bu.
Paralelamente, há uma incerteza grande acerca das políticas para os biocombustíveis nos Estados Unidos que voltou à tona. As indefinições neste segmento fazem com que os esmagamentos de soja encontrem dificuldade em gerar receita via oil share. Portanto, esta é uma temática que demanda a atenção dos agentes, ainda que o farelo venha compensando e ajustando a margem de esmagamento em níveis de normalidade. A quantidade de soja esmagada vem crescendo nos últimos seis meses, o acaba entregando suporte ao grão.
Milho em baixa
As inspeções semanais do USDA indicaram que, na semana passada, foram embarcadas 1,67 milhão de toneladas de milho dos Estados Unidos, 34% a mais em comparação à semana anterior, e o dobro da quantia inspecionada no mesmo momento há um ano. Observa-se que, aparentemente, as exportações americanas para o grão continuam em alto nível, o que fornece suporte aos futuros em Chicago.
A Ucrânia também aumentou significativamente suas exportações no mês de outubro, o que poder revelar um aumento da competitividade do grão em cenário mundial. Este fator é baixista para os preços em Chicago, sobretudo caso realmente sejam perceptíveis maiores níveis de competitividade. Já há certos estímulos de pressão aos futuros uma vez que as projeções de safra indicam rendimentos recorde nos Estados Unidos, e em outras praças produtivas pelo mundo.
Trigo em alta
O trigo contemplou duas altas seguidas, nesta última sessão e no pregão de ontem.
Entende-se que os altos níveis de exportação do trigo americano, que é um dos mais baratos do mundo atualmente, seguem fornecendo suporte aos futuros em Chicago. As inspeções semanais do USDA mostraram que foram embarcadas 350 mil toneladas de trigo dos EUA na semana passada, 30% a mais do que na semana anterior e 61% a mais em comparação a mesma semana no ano passado.
No campo dos rumores, encontra-se a possível compra do grão estadunidense pela China. Ainda não há confirmações desse acordo, mas a especulação segue sendo um fator altista aos preços.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.