
Mercado Externo: Dia decisivo para o fim da paralisação nos EUA
A grande temática desta terça-feira (11) é o iminente fim do shutdown nos Estados Unidos. Após 41 dias de paralisação (a maior do país), o senado norte-americano aprovou um acordo orçamentário que pode dar o ponto final ao shutdown. A aprovação ocorreu após uma votação acirrada (60 – 40) no senado.
Ainda que um plano orçamentário tenha sido aprovado, ainda há bastante polaridade entre Democratas e Republicanos acerca da extensão dos subsídios para o Obamacare e garantias na esfera da saúde. De qualquer forma, o texto passará por votação também na Câmara dos Deputados antes de ser direcionado a Donald Trump, para assinatura.
O final do shutdown deve ser bastante relevante ao segmento de commodities, uma vez que as atualizações de safra, vendas de exportação, Relatórios de Oferta e Demanda (WASDE), entre outros relatórios do USDA, devem voltar a ser publicados na frequência padrão. Desta forma, haverá maiores direcionamentos e informações para os agentes de mercado.
Mesmo com a possibilidade de fim da paralisação, os principais índices acionários norte-americanos iniciam esta terça-feira com ligeiros recuos, dadas as preocupações com o setor de tecnologia voltando à tona. A SoftBank vendeu sua participação de 5,8 bilhões na Nvidia para investir diretamente na OpenIA. Ganhos no segmento de superinteligência artificial são ainda, sobretudo, incertos. Desta maneira, o mercado admite esta operação como uma grande aposta.
Os balancetes da Nvidia serão divulgados na próxima terça-feira (18), o que deve refletir os resultados de outras high techs na esfera financeira nos próximos momentos.
Na Ásia, índices encerraram sem direção única a sessão de hoje, considerando a grande operação da SoftBank.
Na Europa, bolsas sobem em conjunto à espera das resoluções do shutdown nos EUA. O destaque vai também para a Inglaterra, que apresentou aumento no índice de desemprego. Como os indicadores inflacionários parecem estar um pouco mais sob controle neste momento, intensificaram-se as expectativas por cortes nos juros na próxima reunião. Caso se confirme uma postura mais expansionista do Banco Central, índices acionários europeus devem contemplar ganhos.
Soja em baixa
No cenário norte-americano, a soja CBOT teve um recuo técnico após escalar 13 cents por bushel no pregão de ontem.
O grão segue operando em alta ainda que maiores ganhos estejam sendo limitados à medida que a China ainda não realizou compras mais volumosas dos Estados Unidos. Ainda assim, as inspeções semanais do USDA entregaram bons números de embarques para a soja americana. Foram cerca de 1,09 milhão de toneladas exportadas, ante 986 mil da semana anterior (aumento de 10,5%).
No Brasil, a balança comercial apontou para 1,18 milhão de toneladas exportadas na semana encerrada no dia 7 de novembro. Os números revelam um aumento de 14,6% em relação à mesma semana no ano anterior, quando foram exportadas 1,03 milhão de toneladas. O comportamento das vendas semanais brasileiras para a soja revela alta competitividade do grão nacional, que nas últimas semanas foi ainda mais intensificada, dada a disparada dos preços em Chicago. Tem-se que o basis brasileiro hoje é mais atrativo para grandes compradores, inclusive, a própria China.
Quanto à safra brasileira, o plantio estava em 59% na última sexta-feira. O ritmo é mais lento em comparação ao ano anterior, quando, neste mesmo momento, as semeaduras correspondiam a 68%. A explicação para isso se dá em meio ao clima irregular em território nacional, que contemplou chuvas volumosas nas últimas semanas. No Mato Grosso, curiosamente, a situação climática é um tanto quanto dispare, uma vez que em algumas regiões do estado foram registrados até mesmo 10 dias consecutivos sem chuva. Por lá, o plantio chegou a 76% da área prevista, abaixo da safra anterior em 3,4 p.p. para o mesmo momento.
Milho em baixa
O milho CBOT se comportou como a soja, e recuou neste pregão após ganhos na sessão de ontem.
As inspeções semanais do USDA revelaram 1,42 milhão de toneladas embarcadas na semana encerrada no dia 7 de novembro, 17% a menos que na semana anterior, mas 76% a mais em comparação à mesma semana no ano passado. Desta forma, observa-se que a demanda por milho estadunidense continua bastante aquecida sob a ótica de exportações, e segue entregando suporte aos futuros em Chicago.
No Brasil, foram exportadas 1,1 milhão de toneladas na semana passada, abaixo das 1,4 milhão de toneladas da semana anterior, e das 1,7 milhão de toneladas da mesma semana de 2024. Estima-se que 54% da área de plantio do ciclo de verão já tenha sido semeada até o dia 7 de novembro.
Trigo em baixa
O trigo seguiu o movimento do complexo de grãos neste pregão noturno e encerrou em baixa.
As inspeções semanais do USDA reportaram 290 mil toneladas exportadas de trigo americano na semana passada, 18% a mais que na mesma semana em 2024. As exportações americanas para o grão continuam a fornecer algum suporte aos futuros mesmo em um contexto bastante competitivo e sob dinâmica predominantemente baixista.
Conforme a média dos últimos anos, o plantio da cultura de inverno nos EUA deve estar por volta dos 65% neste momento. O clima nos próximos dias deve ser frio e seco nas regiões produtoras do país, sobretudo nas planícies do sul. Ao longo das próximas semanas deverá haver maiores informações acerca do impacto desse clima para o desenvolvimento das lavouras.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.