
Mercado Externo: Olhares voltados ao congresso norte-americano
Hoje ocorrerá a votação na Câmara dos Deputados norte-americana acerca da questão orçamentária. A expectativa é de que, finalmente, após 43 dias, a maior paralisação da história dos Estados Unidos esteja bastante próxima do fim. O otimismo se dá à medida que os Republicanos detêm a maioria no congresso.
Com as expectativas altas, os principais índices americanos operam em alta nesta quarta-feira (12), ainda que a preocupação quanto ao setor tecnológico proporcione incerteza a alguns estímulos baixistas.
A reabertura do governo será bastante significativa para o complexo de commodities, uma vez que relatórios relevantes no que tange às safras, estimativas e acompanhamentos de vendas deverão ter as publicações retomadas na frequência padrão.
Observando a esfera financeira norte-americana como um todo, uma eventual reabertura do governo deve estimular a atividade econômica, uma vez que voltarão à tona diversas atividades públicas, serão reabertos museus, praças, entre outros locais, além de que devem ser retomadas algumas operações referentes aos voos no país estadunidense, que estiveram suspensas devido ao shutdown. Desta forma, sob a ótica produtiva-financeira, o fim da paralisação deve ser bastante estimulante aos mercados, considerando também o próprio componente psicológico associado à euforia da reabertura em definitivo.
Na cena brasileira, Gabriel Galípolo concederá algumas falas hoje que devem ser monitoradas pelos agentes. A expectativa para as próximas reuniões do Copom é de manutenção da SELIC no patamar dos 15% a.a. Com isso, entende-se que o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos deve continuar elevado, visto que a tendência é de que o Fed realize pelo menos mais um corte nos juros americanos, ainda que Jerome Powell tenha adotado uma postura contracionista e este também seja o posicionamento de outros membros do Fed.
O Ibovespa continua disparando com o contexto monetário norte-americano em expansão. Ontem, o índice atingiu os 157 mil pontos no fechamento pela primeira vez na história.
Na Ásia, mercados operaram majoritariamente em alta nesta quarta-feira. As ações da SoftBank caíram bastante, refletindo a percepção do mercado de que a operação de venda da participação na Nvidia é um tanto quanto arriscada. Na Europa, bolsas operam em alta, com exceção da FTSE 100 do Reino Unido, país sob o qual foram divulgados dados bastante fracos no mercado de trabalho ontem.
Soja em baixa
A soja permaneceu praticamente inalterada nesta sessão após poucas variações na terça-feira.
O mercado continua cético em relação à operação entre China e EUA. A tarifa existente entre os dois países de maneira especial à soja dificulta a concretização das importações pelos compradores chineses. A nação asiática suspendeu parcelas significativas de tributações sob produtos agrícolas americanos, mas ainda há uma tarifa sob a soja, de 13%. Além do mais, a operação de compra de 20 milhões de toneladas em produtos de soja brasileira reflete a força da parceria entre a China e a nação sul-americana à medida que, paralelamente, indica um alto nível de competividade no segmento de grãos.
Admite-se que esse é o momento de maior oferta de soja americana, uma vez que as colheitas devem estar próximas à completude, considerando a média dos últimos três anos. Essencialmente, esta é uma época que, conforme a sazonalidade, deve haver certa pressão aos futuros sob a ótica da safra.
Milho em baixa
O milho apresentou pequenas perdas neste pregão após alguns ganhos na sessão anterior.
Neste momento, há poucos estímulos novos para o grão em Chicago. O mercado está bastante ansioso para averiguar quais são os atuais patamares de exportação e produção do milho norte-americano, que serão revelados na sexta-feira com o WASDE e a atualização de safra.
O movimento dos fundos, que vem se posicionando cada vez menos de maneira vendida (ainda que, em termos líquidos, esta seja a posição predominante), revela que, apesar das expectativas de safra recorde para os EUA, há fatores altistas - como as exportações em alto nível e os avanços comerciais norte-americanos mundo a fora - que vem equilibrando um pouco os estímulos para a formação dos preços.
Trigo em baixa
O pregão noturno foi de bastantes perdas para o trigo em Chicago após uma sessão bem tranquila e estável na terça-feira.
A maior estabilidade dos outros grãos não foi replicada ao trigo uma vez que a dinâmica baixista sob ele é um tanto quanto mais intensa e dotada de maiores estímulos de queda.
A colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos está bem próxima à completude, e as expectativas do mercado são bastante altas para a safra em termos de qualidade. O WASDE e a atualização de safra da sexta-feira devem ser bastante esclarecedores aos agentes nesse sentido.
Ainda assim, algumas transações admitidas nesta quarta podem movimentar um pouco o mercado. A Argélia, Tunísia e Coreia do Sul fizeram compras de trigo de cerca de 75 a 150 mil toneladas, que foram contabilizadas no mesmo momento. As principais origens destas operações devem ser diferentes para cada país, mas a tendência é de que a maior quantidade dos volumes exportados advenha da União Europeia e/ou do Mar Negro

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.