
Mercado Externo: Tensões na Ásia podem voltar à tona
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam a semana sem seguir uma direção única. Os agentes aguardam a divulgação dos balancetes da Nvidia, na quarta-feira, que deve promover um direcionamento maior ao mercado no que tange ao setor de tecnologia, o qual vem abrangendo muitas instabilidades e incertezas acerca da rentabilidade dos investimentos custosos em inteligência artificial.
Além disso, a expectativa está também voltada à divulgação do Payroll, na quinta-feira, o primeiro após o final do shutdown nos Estados Unidos. Os dados públicos de emprego devem fornecer pistas a respeito da próxima ação do Fed, em dezembro. Neste momento, as apostas para um corte ou manutenção dos juros nos EUA permanecem muito divididas.
O IBC-Br, prévia do PIB, caiu 0,2% em setembro, abaixo dos 0,1% esperados. Este pode ser um indicativo de início de desaceleração econômica, o que pode impactar às próximas decisões de juros pelo Copom, que recentemente determinou a manutenção da taxa básica SELIC à 15% a.a.
O dólar permaneceu praticamente estável na última sexta-feira (14).
Na Ásia, os mercados encerraram de maneira mista a sessão de hoje. As turbulências principais se deram no Japão, onde foi registrado uma contração econômica no trimestre de julho a setembro, após resultados positivos desde meados de 2024. As tarifas norte-americanas pesaram sob a ótica das exportações, e percebeu-se, paralelamente, um consumo doméstico mais fraco no período. Além disso, Japão e China se “estranharam” pela primeira vez após Sanae Takaichi assumir o cargo de primeira-ministra. Takaichi disse que pode haver uma resposta militar à China caso ataques à Taiwan ameacem a sobrevivência do Japão. Nos próximos dias, certamente, o mercado deve reagir considerando às tensões e riscos abrangidos nesta fala.
Na Europa, bolsas operam majoritariamente em queda nesta segunda-feira.
Soja em alta
A soja operou em alta neste pregão noturno após perdas consideráveis de US¢22,5/bu na sessão de sexta-feira, após a divulgação do WASDE.
Ainda que o Relatório de Oferta e Demanda do USDA tenha entregado resultados um tanto quanto estimulantes aos preços para os produtores, devido o ajuste para baixo na relação estoque/uso global e, sobretudo, dos Estados Unidos, tem-se que essas variações foram pouco significativas para alterar as bases do mercado hoje, pela ótica dos fundamentos.
A produção, como era de se esperar, foi ajustada para baixo, o que poderia carregar estímulos altistas. Paralelamente, os estoques estadunidenses para o grão tiveram uma redução na estimativa, o que também poderia contribuir para altas nos futuros em Chicago.
Ainda assim, a ótica das exportações foi determinante para segurar eventuais novas escaladas advindas dos resultados do WASDE e “virar o jogo”. Fundamentalmente, o ceticismo do mercado, associado às compras chinesas de soja americana, continuava a pesar mais sobre os preços, e assim houve uma queda de quase 23 cents em CBOT.
Entretanto, ao final da sexta-feira, Donald Trump voltou a ressaltar que a operação de compra iria acontecer por parte da ponta chinesa, o que reacendeu às expectativas dos agentes e contribuiu para uma alta no pregão noturno desta segunda-feira. Todavia, o crescimento dos preços nesta sessão ainda foi um pouco modesto em comparação às perdas anteriores. Investidores aguardam novas definições para realizarem suas operações.
Simultaneamente, a China seguiu realizando operações de compra de soja junto ao Brasil, que contempla um basis menor e mais atrativo. No país sul-americano, contudo, os preços podem ter leves ajustes para cima nos próximos momentos, uma vez que as churras irregulares atrasaram o ritmo de plantio, que está em cerca de 70% no momento ante 80% referente ao mesmo período no ano anterior.
Milho em alta
O milho encerrou a sessão com pequeníssimos ganhos após perdas mais intensas na sexta-feira após o WASDE.
As falas de Trump acerca da soja não ofereceram suporte ao milho na mesma intensidade. Desta maneira, o grão operou nos patamares entre US¢430/bu e US¢431/bu neste pregão noturno.
O WASDE entregou estímulos baixistas aos futuros em Chicago à medida que revelou estoques e rendimentos maiores que o esperados para a atual safra.
Ainda que o consumo doméstico esteja essencialmente aquecido pela ótica dos biocombustíveis, houve um ajuste para baixo nesta destinação de uso que culminou no aumento dos estoques norte-americanos. Além do mais, o mercado esperava uma redução mais significativa na produção/rendimentos, que recuaram em apenas 0,4%. Os estoques também aumentaram significativamente no Brasil e na Argentina, apesar de recuarem (com menor intensidade) na União Europeia e na Ucrânia. A China também apresentou um recuo nos estoques, mas pouco se movimentou no mercado externo para realizar compras junto aos Estados Unidos ou com outro player relevante. De maneira ilustrativa, observou-se a redução das estimativas de importação da nação asiática para o milho em 2 milhões de toneladas.
Trigo em alta
O trigo em Chicago apresentou ganhos neste pregão, após acompanhar os grãos no movimento de queda da sexta-feira.
Os ganhos nesta última sessão são um tanto quanto curiosos pois, essencialmente, o WASDE entregou resultados pouco estimulantes aos preços para os produtores.
A oferta cresceu, como era de se esperar, mas cresceu consideravelmente acima das expectativas. As estimativas indicam que a produção nas safras pelo mundo é muito volumosa, em níveis impressionantes. Houve aumento produtivo nos EUA, Brasil, Canadá, União Europeia, Argentina e Rússia, conforme o entendimento do USDA.
Os números indicam que a tendência de pressão sobre os futuros em Chicago deve continuar, pois há muitas praças bastante competitivas no momento, com destaque à Argentina, que tem o FOB mais barato do mundo no momento, à França, cuja cultura vem se desenvolvendo muito bem e tem um preço competitivo, aos próprios Estados Unidos que mantém níveis recorde de exportação, e a própria Rússia, que mantém um nível interessante de exportações e deve acelerar as vendas com a chegada do inverno. Por sinal, o preço do FOB russo opera abaixo do suporte de US$230/ton.
O Egito é um principal importador de trigo no atual ano safra, e vem fornecendo suporte aos futuros por meio das compras. Ainda assim, para o próximo ano, entende-se que o país buscará por maior autossuficiência produtiva, o que, caso se confirme, pode contribuir ainda mais para que os futuros sejam pressionados.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.