
Mercado Externo: Nvidia, Payroll, e pistas sobre o próximo ato do Fed ditam o ritmo do mercado
Os principais índices acionários norte-americanos estendem os recuos da sessão de hoje nesta manhã com os temores em torno da rentabilidade do setor de tecnologia, e mediante às expectativas acerca do Payroll e da próxima decisão de juros do Fed.
Amanhã, quarta-feira (19), será divulgado o balancete da Nvidia referente ao último trimestre. Os resultados devem refletir o dinamismo do segmento de tecnologia perante os aspectos financeiros. Recentemente, as incertezas sobre o setor fizeram com que muitos investidores e companhias se desfizessem de suas partes em ativos financeiros associados à IA.
Na quinta-feira (20), será divulgado o Payroll, que abrange dados relevantes do mercado de trabalho. O relatório será base para a próxima decisão do Fed, em dezembro.
O dólar index (DXY) apresentou mais uma alta, a terceira consecutiva. Desta vez, valorizou-se sobre o real. Estímulos de alta cambial para a moeda brasileira são admitidos externamente, uma vez que as expectativas de que o Fed assuma uma postura mais contracionista e opte pela manutenção dos juros no próximo encontro vêm crescendo cada vez mais.
Na Ásia, as tensões entre China e Japão continuam, após Sanae Takaichi indicar que poderia responder militarmente caso eventuais ataques chineses à Taiwan ameaçassem de alguma forma o Japão ou os japoneses residentes na região. O clima entre os países está quente, e o mercado, enfim, reagiu de maneira negativa nesta terça-feira. O Nikkei, do Japão, contemplou perdas em 3,22%. De maneira geral, dado todo esse contexto e as incertezas nos EUA, as bolsas asiáticas operaram em queda hoje.
Na Europa, mercados também operam em queda à espera de respostas mais positivas do segmento de tecnologia pelo mundo.
Soja estável
A soja permaneceu estável neste pregão após uma sessão de forte alta ontem. A COFCO, estatal chinesa, realizou a compra de 840 mil toneladas de soja norte-americana. A operação agradou o mercado, e a soja em Chicago reagiu de maneira bastante acentuada, registrando ganhos de US¢32,75/bu ontem.
Ainda há muita soja americana para ser comprada pela China, considerando o acordo comercial do final do mês passado. Este continua sendo um estímulo pelo lado da demanda, ainda que em hiatos de compra o mercado adote certo ceticismo. Fato é que há pouco tempo restante para que todo o volume acordado seja comercializado. Caso a China realmente compre toda a quantidade de soja “pendente”, a tendência é de que o grão amplie seus ganhos, que já estão nos patamares recordes do ano e que não eram atingidos desde junho de 2024. Por outro lado, caso as compras sejam abaixo do especulado, pode haver uma reação negativa do mercado com maior volatilidade.
A China movimentou o mercado também realizando compras de farelo argentino.
A curto prazo, o que também vem entregando suporte à soja são as altas taxas de esmagamento nos EUA. Os números de esmagamento vieram bastante acima das expectativas no relatório mensal da NOPA, o que indica uma forte demanda por derivados e, consequentemente, entrega estímulos à soja pela ótica da demanda.
Milho em alta
Os ganhos voltaram a aparecer de maneira mais acentuada para o grão em CBOT à medida que as inspeções do USDA entregaram um número de embarque de 2,05 milhões de toneladas de milho americano na semana passada. Os volumes correspondem a um aumento de 38% em relação à semana anterior e mais do que o dobro da quantidade exportada no mesmo período no ano passado (807 mil toneladas). Portanto, ainda que as estimativas recordes de safra e a grande oferta do grão limitem as altas, o grão em Chicago segue sendo suportado pelas exportações norte-americanas muitíssimo aquecidas.
Trigo em alta
O trigo contemplou ganhos nestas últimas sessões, de maneira conjunta ao complexo de grãos, liderado pela soja.
As inspeções do USDA revelaram que as exportações do grão desaceleraram no mês. Na última semana, os volumes exportados correspondem a 246 mil toneladas, 15% a menos que na semana anterior. Ainda assim, tem-se que o nível de exportações continua a entregar suporte aos futuros, visto que supera o ritmo do ano anterior consideravelmente.
Quanto à cultura de inverno nos EUA, o clima deve ser bastante adequado nos próximos dias, e o trigo deve se desenvolver bem, sobretudo nas planícies do sul. Para comentários mais detalhados sobre o clima e outros aspectos essenciais do atual contexto do trigo americano, acesse o mais recente Relatório Semanal de Trigo da StoneX, publicado ontem.
Assim como o Egito, a Índia pensa em expandir a área de plantio no ano que vem, de forma a aumentar sua autossuficiência, produção e estoques do grão. A qualidade do solo indiano é bastante boa no momento, contemplando muita umidade. Quanto ao clima, tem-se que o La Niña deve contribuir para abaixar um pouco as temperaturas na região produtora, o que deve ser ótimo para o cultivo de trigo. No ano que vem, portanto, as expectativas para a safra indiana devem ser ótimas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Hoje não teremos a publicação da Posição dos Fundos por problemas técnicos.
Fonte: **Estimativas StoneX.