
Mercado Externo: Dia decisivo para o setor de tecnologia
Os índices acionários norte-americanos abrem em ligeira alta nesta manhã de quarta-feira (19) após grandes perdas na sessão de ontem.
Os balancetes da Nvidia serão finalmente divulgados hoje ao final do pregão, contemplando os resultados trimestrais da empresa mais valiosa do mundo atualmente. A expectativa é de que a high tech entregue números satisfatórios ao mercado à medida que vem se criando uma grande preocupação acerca da rentabilidade dos volumosos investimentos na Inteligência Artificial. A incerteza começara perante os resultados não muito animadores do outras high techs anteriormente.
A ata do Fed é mais um fator que deve movimentar o mercado nesta quarta, de modo a fornecer pistas aos agentes da próxima decisão do Banco Central norte-americano. O mercado começa a precificar uma manutenção dos juros no intervalo entre 4% e 3,75% a.a, à medida que as estimativas atuais apontam para 42% de chance de ocorrer um novo corte na reunião de dezembro.
A euforia ou maior cautela do mercado deverão ser refletidas com a divulgação dos dados do mercado de trabalho amanhã, quinta-feira (20), com a publicação do Payroll pelo governo americano. A expectativa, conforme os dados do setor privado (ADP), é de que o mercado de trabalho tenha tido uma performance pouco aquecida, novamente. Ainda assim, veremos se os números serão suficientemente determinantes para que a esfera financeira adote uma dinâmica de recuo por definitivo.
O dólar se manteve praticamente estável nesta terça, considerando uma pequena depreciação frente ao real.
No cenário nacional, a grande temática foi a liquidação extrajudicial do Banco Master após determinação do BC e considerando as recentes investigações sobre a instituição. Ainda que a ocorrência seja essencialmente negativa à esfera financeira, uma vez que esta é uma das maiores operações de liquidação bancária do Brasil, o mercado não reagiu de maneira significativamente negativa. O Ibovespa recuou apenas 0,3% nesta terça-feira, o que aponta que os impactos de imediato foram pouquíssimos. Ainda assim, é possível que alguma reação com maior volatilidade aconteça, sobretudo se houve uma esquematização de fraudes mais abrangentes, que envolva outras instituições no segmento bancário e financeiro.
Na Ásia, mercados tiveram mais um dia de queda considerando os temores no âmbito financeiro norte-americano e as tensões entre China e Japão. A China suspendeu as importações de frutos do mar japoneses hoje, o que pode indicar o início de algumas retaliações entre os dois países.
Na Europa, mercados operam de maneira mista à medida que o Reino Unido apresentou um recuo inflacionário, que deve ser significativo para que o Banco Central local volte a cortar os juros no próximo encontro.
Soja em baixa
Os futuros da soja recuaram ligeiramente no pregão, considerando ajustes técnicos que já se estendem desde ontem após a euforia de segunda-feira, quando a China comprou cerca de 792 mil toneladas de soja (número entregue pelos chineses).
O mercado segue observando atentamente para a possibilidade de novas compras volumosas, e tais operações ainda devem proporcionar muita volatilidade em Chicago.
O Brasil continua muito competitivo no mercado, uma vez que o prêmio no porto continua abaixo em comparação ao dos Estados Unidos e continua contemplando certos recuos. Na semana passada, o país sul-americano exportou cerca de 1,12 milhão de toneladas da oleaginosa. Acredita-se que a China segue sendo uma destinação importante nas negociações.
O clima ainda é um ponto de atenção no país, uma vez que a La Niña tende a dificultar o cultivo no sul. Neste momento, todavia, as condições se mantêm adequadas, admitindo-se, inclusive, a necessidade de maiores volumes pluviométricos no Mato Grosso, assim como no cinturão produtor da Argentina.
Milho em baixa
Os futuros do milho acompanharam o complexo de soja na sessão noturna de hoje e encerraram em baixa. Ontem, diferentemente da oleaginosa, o milho contemplou pequenos ganhos em CBOT.
No momento, o grão continua a procurar por estímulos mediante o cenário de safra recorde e alta demanda. O milho segue sem ser citado diretamente nas negociações entre China e EUA. O WASDE de novembro, inclusive, estimou uma queda nas importações chinesas para o grão, ainda que tenha ajustado as exportações norte-americanas para cima. A tendência é que, dentre os três grãos analisados, o milho seja o menos provável de abranger uma compra mais volumosa.
No âmbito brasileiro, a balança comercial revelou que foram exportadas 1,5 milhão de toneladas do grão na última semana. Percebe-se que o milho brasileiro segue competitivo, e as exportações nacionais seguem causando alguma pressão nas vendas norte-americanas, ainda que estas estejam bastante aquecidas e que o ritmo exportador brasileiro estava maior em 2024.
Trigo em alta
Diferentemente dos outros grãos, o trigo contemplou pequenos ganhos neste pregão. O mercado segue esperançoso quanto alguma operação mais significativa de compra chinesa pelo trigo americano, à medida que pode haver a necessidade de o país asiático ampliar seus estoques considerando imprevistos climáticos.
A Ucrânia deve ampliar suas exportações de trigo da safra 2025/26 mediante os níveis de produção bastante elevados. A colheita deve entregar cerca de 22,6 milhões de toneladas do grão, quantidades próximas às estimadas pelo WASDE (23 milhões), e as exportações devem se situar na casa dos 15,7 milhões, 700 mil toneladas acima do estimado pelo USDA. A princípio, o país do Mar Negro tinha algumas preocupações em diminuir os estoques devido as possibilidades de aumento de preço do pão, mas a safra ucraniana deve ser consideravelmente melhor que a do ano anterior, e este fator motiva o fomento pelas vendas.
Sob o cenário europeu, a França continua sendo um ponto de destaque após a retomada dos dados de exportação e dadas as retomadas nos bons avanços no plantio.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.