
Mercado Externo: Quais os planos de Trump para a Venezuela?
Os principais índices acionários norte-americanos operam em baixa neste início de semana.
O contexto macroeconômico e político global abrange diversas problemáticas no momento, o que faz com que as bolsas e a esfera financeira como um todo operem de maneira avessa ao risco.
Inicialmente, temos a questão da Guerra da Ucrânia. Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, viaja a Moscou para dialogar com Vladimir Putin acerca da proposta de paz de 19 pontos, que já foi aceita pela Ucrânia. Além da questão humanitária, a resolução do conflito deve impactar bastante as redes de comércio mundial, os fluxos de insumos e produtos e, sobretudo, o setor de petróleo.
O mercado da commodity também deve responder aos crescentes desentendimentos entre os EUA e a Venezuela. Trump alega que as redondezas do território venezuelano deverão ser monitoradas ao máximo a partir de agora, de tal forma a evitar o tráfico ilegal de drogas na região norte do país sul-americano. Maduro entende as determinações como uma “cortina de fumaça” para que os EUA possam obter maior influência nas reservas de petróleo venezuelano. Desta maneira, como a Venezuela é um grande player no segmento petrolífero, entende-se que poderá haver estímulos altistas nesse sentido, imaginando-se uma limitação de oferta de petróleo venezuelano em âmbito internacional. O país sul-americano consultou à OPEP e pediu apoio mediante este entrave. Seguiremos acompanhando essa questão.
Recentemente foram divulgados os dados de atividade industrial na Europa e Ásia. A tendência majoritária para os principais países desses continentes é de atividade industrial baixa, vide uma demanda fraca que converge para o aumento do desemprego.
No “Velho Continente”, a demanda por produtos industriais está desaquecida. O contexto para as companhias europeias é complicado, considerando esse aspecto do consumo, as tarifas e a competitividade chinesa. A França reforçou tais conclusões ao apresentar queda na produção industrial em meio à redução do PMI de 48,8 (outubro) para 47,8 (novembro). O patamar de 50 reflete a estabilidade da produção industrial. Valores abaixo deste nível representam recuos de produção, e quanto menor for o índice em relação ao marco de estabilidade, maior é a contração.
Na Ásia também temos exemplos de desempenho industrial limitado, através da China, Japão, Taiwan e Coreia do Sul, ainda que neste último caso, as exportações tenham aumentado em novembro.
De maneira geral, as bolsas na Ásia operaram sem direção única considerando tais informações econômicas, associadas à indústria, e outros pontos de atenção do contexto macroeconômico mundial, como o provável corte de juros pelo Fed na próxima semana. Os mercados já precificam este ato expansionista levando com uma probabilidade de 87,4% de haver um novo corte. Na Europa, as bolsas recuam em conjunto.
Soja em baixa
A soja permanece em patamares altos após a alta na sessão de sexta-feira (28), depois do feriado de Ação de Graças (27) e dos problemas no data center da CyrusOne, que proporcionou instabilidades e paralisações nas cotações em Chicago.
Nesta segunda-feira, todavia, a soja devolveu alguns ganhos no pregão noturno. O comportamento do grão tende a ser oscilante enquanto os agentes não tiverem uma concepção mais consolidada acerca do comércio entre China e Estados Unidos, considerando o acordo da Fase 2. A China está comprando soja dos EUA, mas o ritmo das comercializações é lento considerando as quantidades ainda pendentes perante o acordo. Nas últimas 3 semanas, o país asiático importou cerca de 2,5 milhões de toneladas, valor ainda aquém das 12 milhões de toneladas esperadas até o início do ano que vem. Desta maneira, os futuros não possuem estímulos para ultrapassar resistências maiores.
O desenvolvimento da soja brasileira é outro ponto de atenção, uma vez que a competitividade em torno do grão é reforçada. O plantio está em 86,9%, segundo a StoneX, e há algumas preocupações climáticas quanto a falta de chuva, sobretudo em lavouras no Mato Grosso. Nas próximas duas semanas, entretanto, a previsão é de que os volumes de precipitação atinjam a marca de 100mm, acumuladamente, considerando o território do MT em sua totalidade. Em algumas regiões, as chuvas devem ser ainda mais acentuadas, entre 140 e 180 mm nos próximos 14 dias.
A StoneX publicou hoje as . Houve um ajuste para baixo em 0,9% no que diz respeito à produção. Esse recuo está associado às questões climáticas, sobretudo no MT e GO, comentadas anteriormente.
O USDA publicou nesta manhã outro relatório de vendas de exportação, desta vez referente aos dados de exportação da semana que se encerrou no dia 23 de outubro. A soja contemplou resultados bastante fortes na semana, sendo que 1,45 milhão de toneladas foram comercializadas neste período. A tendência vem se mostrando altista à soja, uma vez que nas próximas divulgações já vão estar abrangidas às comercializações decorrentes dos avanços comerciais entre China e EUA, da Fase 2.
Milho em baixa
O milho acompanhou a soja e apresentou uma baixa na sessão após ganhos acentuados na sexta-feira, decorrentes das vendas de exportações que entregaram valores bastante significativos de exportação de milho americano (2,82 milhões de toneladas) para a semana encerrada no dia 16 de outubro.
Nesta manhã, a nova divulgação do USDA revelou que 1,8 milhão de toneladas foram exportadas pelos EUA na semana que se encerrou no dia 23 de outubro.
Desta forma, percebe-se que o atraso dos dados vai diminuindo, e os valores de exportação estão se mantendo em alto nível. Cada vez mais, este vem sendo o grande estímulo altista pela ótica da demanda, e potenciais escaladas nos preços podem ocorrer perante essa questão, ainda que a ampla oferta limite ganhos mais significativos no momento.
Após os números de exportação, é possível que, na sessão diurna, ocorra uma reversão das perdas obtidas nas operações noturnas.
A StoneX aumentou a estimativa referente à produção de milho verão no Brasil, sobretudo devido às boas condições das lavouras no Rio Grande do Sul, ainda que algumas regiões necessitem de maiores níveis de chuva para um melhor desenvolvimento. Para a safrinha houve um corte, com o total nacional ficando em 105,8 milhões de toneladas. Saiba mais .
Trigo em baixa
Desde o dia 18 de novembro, o trigo pouco conseguiu ultrapassar a resistência dos US¢540/bu. Isto é, há uma dinâmica baixista de curto prazo ao grão, que também é visualizada a médio e longo prazo, considerando a ampla oferta, grandes safras e ajustes de produção para cima ao redor do mundo.
Na Ucrânia, as estimativas para a safra vigente aumentaram para a faixa dos 24 aos 25 milhões de toneladas, ante 23 milhões na última produção. Na Austrália, as quantidades produzidas na safra 25/26 foram ajustadas para cima em 400 mil toneladas. Os resultados devem girar em torno de 36,1 milhões de toneladas, acima dos 34,1 milhões da última safra. Esta deve ser a terceira maior produção australiana de trigo registrada. A colheita está em estágio final neste momento no país oceânico. Todos esses ajustes reforçam a tendência de ampla oferta, o que limita qualquer tipo de recuperação mais acentuada do grão em Chicago. Além do mais, os agentes aguardam esperançosamente por uma transação mais acentuada de trigo americano junto à China, operação esta que ainda não ocorreu, mas pode acontecer perante a preocupações climáticas no país asiático.
As vendas de exportação referentes à semana que se encerrou no dia 23 de outubro registraram aproximadamente 499,8 mil toneladas vendidas de trigo americano. Os valores são consideravelmente bons, 46,4% acima das 341,3 mil toneladas da semana anterior (que se encerrou no dia 16 de outubro) e 21,4% acima em comparação a mesma semana em 2024. As exportações americanas, assim como para o milho, vêm entregando algum suporte aos futuros em meio a um contexto baixista sob o olhar da oferta.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.