
Mercado Externo: Mercado segue atento às possibilidades de cortes de juros no Brasil e nos EUA
A quinta-feira até então mostra-se pouco movimentada sobre a ótica financeira. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários operam próximos à estabilidade. No Brasil, o PIB cresceu em 0,1% no terceiro semestre, abaixo dos 0,2% esperados pelo mercado. Os dados começam a entregar certos indícios de desaceleração econômica, o que pode contribuir para uma redução da taxa SELIC antes do previsto pelo Banco Central. É possível que teores mais expansionistas comecem a surgir nas falas dos membros do COPOM já nestes próximos encontros em dezembro. Ainda assim, a probabilidade maior é de que, considerando os recentes dados de atividade econômica, possa haver um corte nos juros em janeiro, fundamentalmente.
O dólar segue a cair conforme às expectativas de corte de juros nos EUA. Ontem, o dólar index (DXY) fechou em baixa, apresentando perdas de 0,51%. Nesta manhã de quinta-feira, a divisa norte-americana segue sob dinâmica de queda. O petróleo no Brent, por sua vez, continua se recuperando cautelosamente à medida que as tratativas de paz na Ucrânia esfriaram, apesar de que houve certa produtividade na reunião ocorrida em Moscou na última terça-feira (02) entre Putin e os representantes norte-americanos.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com destaque ao Nikkei, do Japão, que avançou 2,33%. Na Europa, bolsas também operam em alta. Macron visitou a China e dialogou com Xi Jinping, formalizando alguns acordos entre os dois países, sobretudo no aspecto sustentável.
Soja em alta
O prazo para a China efetuar a compra das 12 milhões de toneladas de soja americana aparentemente foi estendido para fevereiro do próximo ano. Assim, o país asiático terá mais tempo para realizar as importações, o que vai ao encontro do ritmo lento observado nas operações até o momento. Com essa informação, a soja pode apresentar oscilações menos acentuadas.
As vendas de exportação referentes à semana encerrada em 30 de outubro totalizaram 1,25 milhão de toneladas de soja americana. O ritmo das exportações dos Estados Unidos seguia em alta na época, considerando a retroatividade dos dados. Dessa forma, entende-se que o mercado passou a receber maiores estímulos sob a ótica da demanda, ainda que o ceticismo em relação às operações entre China e EUA limite volatilidades mais expressivas.
A soja encerrou o pregão em alta, recuperando-se ligeiramente das três quedas consecutivas registradas nas últimas sessões.
Milho em alta
O milho acompanhou a soja e encerrou a sessão em alta, ainda que de maneira menos intensa.
Na semana passada, a produção de etanol nos EUA cresceu 1,2% em relação à semana anterior, atingindo o patamar de 1,13 milhão de barris. A demanda por milho permanece aquecida no mercado interno, além de que as exportações tendem a continuar fortes, conforme os dados divulgados sobre as vendas externas. Na semana encerrada em 30 de outubro, foram exportadas aproximadamente 2 milhões de toneladas de milho pelos EUA.
Os estímulos altistas sob a ótica da demanda seguem consistentes, porém altas mais acentuadas são limitadas pela ampla oferta do grão, pela grande safra nos EUA e pela competitividade de outras origens. O Brasil divulgará hoje, às 15h, os dados da balança comercial referentes à semana passada.
Os produtores norte-americanos estão definindo a distribuição entre milho e soja para a próxima safra. A tendência é de que a soja ocupe uma área maior de plantio, à medida que lidera os ganhos no complexo de grãos, mas a divisão deve permanecer próxima.
Trigo em baixa
O trigo estendeu as perdas da última sessão no pregão noturno.
Os ganhos obtidos com as tensões na costa turca ontem já foram devolvidos, à medida que não houve escalada nas declarações entre Trump e Zelenskiy. A dinâmica para o grão segue baixista no CBOT, todavia.
Perdas mais volumosas podem não ter ocorrido devido à Argélia, que fomentou a demanda no mercado internacional ao comprar cerca de 800 mil toneladas. As origens mais prováveis não incluem os EUA, contudo. As negociações devem ter ocorrido junto ao Mar Negro e à Argentina, que continuam oferecendo os FOBs mais baratos do mundo no momento.
As vendas de exportação referentes à semana encerrada em 30 de outubro registraram 505 mil toneladas de trigo americano, configurando novamente um bom volume.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.