
Mercado Externo: China, Nvidia, Fed... um pouco das principais temáticas desta terça-feira
O mercado segue no aguardo da decisão do Fed às vésperas do encontro do Banco Central norte-americano, que ocorrerá nesta quarta-feira (10). As expectativas continuam elevadas para um ato expansionista, e os agentes precificam, com grande probabilidade, um corte de 25 pontos-base.
A tendência é que, em 2026, as tensões em torno do aspecto monetário cresçam consideravelmente, à medida que a polarização política e econômica nos Estados Unidos também vem aumentando de forma significativa nos últimos meses. A provável nomeação de Kevin Hassett à presidência do Fed deve, todavia, alinhar os ideais do Banco Central aos de Donald Trump.
Os Estados Unidos devem permitir exportações volumosas de chips de inteligência artificial da Nvidia à China, de modo a obter 25% dos valores por meio de tarifas sobre as vendas.
Ainda que esta seja uma operação um tanto arriscada — no sentido de que alguns agentes temem uma contribuição norte-americana ao fortalecimento bélico/militar chinês por meio das exportações de tecnologia avançada —, o governo tende a permitir que os negócios aconteçam. Trata-se de um ato político bastante significativo de Donald Trump, e as relações entre os EUA e o país asiático parecem gerar frutos no momento. Esses frutos serão doces tanto para a China quanto para os EUA? Veremos... O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, acredita que será uma operação de benefícios mútuos entre os países.
As ações da Nvidia subiram 2% após o anúncio, o que transbordou ganhos para a esfera financeira como um todo, equilibrando o comportamento dos principais índices acionários norte-americanos nesta terça-feira, que operam de maneira majoritariamente mista antes da decisão do Fed.
Na cena nacional, a iminente candidatura de Flávio Bolsonaro limita altas mais acentuadas e maior confiabilidade na esfera financeira, à medida que Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, é o candidato favorito da direita no país. O governador, entretanto, reitera o apoio à candidatura de Flávio, de modo a manter a lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O real segue se depreciando frente ao dólar desde que o anúncio ocorreu, uma vez que a candidatura de Flávio foi mal recebida pela esfera financeira. O dólar index (DXY) também apresenta ligeiros ganhos nesta manhã, ainda insuficientes para consolidar uma recuperação da divisa norte-americana em âmbito global, pelo menos até a reunião do Banco Central amanhã.
À espera de atualizações do cenário monetário dos EUA, as bolsas da Ásia encerraram em queda, e os mercados europeus operam sem direção única no dia de hoje.
Soja em baixa
Neste momento, os futuros estendem as perdas que vêm ocorrendo desde a última sexta-feira (05), à medida que as quantidades acordadas em outubro parecem estar bem distantes das comercializações reais. Para “caçoar” dos agentes desse segmento, o USDA anunciou uma nova compra de cerca de 132 mil toneladas pela China, um valor pouco significativo para que a meta de 12 milhões até o início de 2026 seja atingida. Até então, a China importou cerca de 3 milhões de toneladas desde que o acordo comercial foi firmado.
Para contribuir com a dinâmica baixista, as vendas de exportação estadunidenses associadas à semana encerrada em 6 de novembro revelaram que apenas 511 mil toneladas de soja foram comercializadas, valores bastante aquém das três semanas anteriores. Ainda que a retroatividade dos dados limite maiores absorções desses números pelo mercado, as exportações seguem sob um olhar bastante atento.
Trump deve conceder 12 bilhões de dólares dos valores obtidos por meio das tarifas aos produtores agrícolas norte-americanos. Ainda assim, o plano não está muito claro em termos de distribuição dessa quantia e do momento em que ocorrerá. Portanto, esse potencial estímulo altista não é capaz de evitar as quedas da oleaginosa, que atingiu os patamares mais baixos desde as determinações do acordo no final de outubro.
O WASDE desta terça-feira será fundamental para corrigir as expectativas em relação aos fundamentos. Talvez as projeções de exportação caiam consideravelmente, refletindo o ceticismo do cenário atual. É possível também que o USDA aguarde até o final do ano para realizar ajustes mais acentuados em janeiro.
Milho em alta
O milho teve uma sessão menos intensa em relação à soja, e os futuros mantiveram-se mais equilibrados e contemplaram ligeiros ganhos à medida que inspeções semanais do USDA indicaram valores um pouco mais expressivos e com menor retroatividade em relação às vendas de exportação.
As vendas de exportação revelaram que, na semana que se encerrou no dia 6 de novembro, foram exportadas cerca de 979 mil toneladas de milho norte-americano. Os dados seguem com retroatividade, agora de 30 dias. As inspeções, por sua vez, indicam que cerca de 1,45 milhão de toneladas foram embarcadas na semana passada, ante 1,07 milhão no ano anterior. O ritmo continua bom, aparentemente, o que faz com que o milho consiga se sustentar mesmo que a soja contemple perdas mais robustas.
Os agentes também aguardam novos ajustes, em termos de fundamentos, pelo USDA em meio ao WASDE, que será publicado hoje às 14h.
Trigo em baixa
As tensões em torno do mercado de trigo diminuíram desde que o acordo de paz da Guerra da Ucrânia se distanciou após novas desavenças entre Ucrânia e Rússia no escopo territorial. A sessão foi novamente menos volumosa.
As vendas de exportação noticiaram 462 mil toneladas exportadas na primeira semana de novembro, valores dentro da média das últimas semanas divulgadas. As inspeções do USDA apontaram para 390 mil toneladas na semana passada, quantias também pouco significativas para alterar a dinâmica do mercado.
A Ucrânia deve ter novos ajustes positivos na produção da atual safra, o que deve contribuir para o cenário majoritariamente baixista em torno do grão.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.