
Mercado Externo: Expectativas para o PIB americano promovem volatilidades às vésperas do Natal
Os principais índices acionários norte-americanos iniciam a semana em alta. As operações podem ser limitadas devido ao feriado de Natal, que deve impactar a liquidez das bolsas.
Os investidores aguardam a divulgação do crescimento anualizado do PIB norte-americano no terceiro trimestre, prevista para amanhã às 10h30 (horário de Brasília). A expectativa é de que o crescimento anualizado no período seja de 3,2%. O indicador é relevante para a próxima decisão do Fed sobre a taxa de juros.
No cenário nacional, o relatório Focus semanal revisou para baixo as expectativas do IPCA para 2025 e 2026. Para o fechamento do ano atual, espera-se um acumulado de 4,33%, e para o próximo ano, 4,06%. Paralelamente, as estimativas para a Selic em 2026 e 2028 foram levemente ajustadas para cima. As alterações indicam que o Banco Central deve manter certa cautela no próximo ano, ainda que sejam esperados alguns cortes na Selic, a fim de garantir que o ritmo inflacionário não saia do controle.
O dólar apresenta perdas pelo índice DXY nesta manhã. Após três sessões em alta, a moeda norte-americana volta a recuar. A tendência de longo prazo é de desvalorização, sobretudo diante da possibilidade de uma postura mais dovish do Fed com a saída de Jerome Powell em maio.
Com a queda do dólar, o ouro vem se fortalecendo cada vez mais como uma opção de reserva, e a demanda da ponta compradora tem sustentado cada vez mais os futuros do metal que, nesta madrugada, atingiu novos patamares recordes em 2025.
Ouro - Contrato contínuo (2025)

Fonte: COMEX | Elaboração: StoneX
O real, por sua vez, mostra apreciação frente ao dólar hoje. Ainda assim, a moeda brasileira vem se desvalorizando significativamente, sendo que o fechamento da última sexta-feira (19), a R$ 5,54, foi o maior dos últimos três meses. As perdas do real estão associadas às incertezas políticas diante do cenário eleitoral de 2026, à preocupação dos agentes com a saúde fiscal do país e à candidatura de Flávio Bolsonaro, anunciada em 5 de dezembro, que desagradou ao mercado.
No fim de semana, mais um navio venezuelano foi perseguido em meio às operações norte-americanas na costa do país sul-americano. As tensões continuam entre os dois países desde o anúncio do bloqueio naval — direcionado às embarcações previamente sancionadas pelos Estados Unidos — feito por Donald Trump na última semana. Os entraves seguem fornecendo suporte ao petróleo Brent, que hoje registra ganhos superiores a 2%.
Na Ásia, os mercados encerraram majoritariamente em alta, com destaque para o Nikkei, do Japão, que avançou 1,84% após comportamento baixista decorrente da decisão de aumento de juros pelo banco central local.
A China determinou a imposição de tarifas de até 43% à importação de produtos lácteos advindos da UE. A região é a segunda maior exportadora de laticínios à nação asiática. Desta maneira, entende-se que a produção chinesa de gado poderá aumentar no longo prazo e este pode ser um estímulo para a soja e para o milho, dado o potencial aumento por demanda de ração animal. Ainda assim, são impactos pouco visualizáveis no curto-prazo, uma vez que a formação de rebanhos é um processo bastante longo e gradual e, portanto, a produção deve demorar para ser ajustada.
Na Europa, as bolsas operam em queda.
Soja em alta
A soja se recupera por fatores técnicos após seis sessões consecutivas de baixa. O patamar mais baixo dos últimos 30 dias - US¢1059,50/bu - foi atingido no fechamento da última sexta-feira. Os baixos níveis nos preços estimulam a operação da ponta compradora, o que faz com que os futuros encontrem algum suporte na CBOT.
Na sexta-feira, o USDA revelou mais 134 mil toneladas exportadas de soja americana à China. Ainda assim, o mercado se mantém pouco sensível a essas vendas rápidas, visto que a quantidade até o cumprimento da meta de 12 milhões de toneladas ainda é bastante significativa.
A vendas de exportação da semana do dia 4 de dezembro, divulgado hoje, apontaram para 1,55 milhão de toneladas exportadas.
Milho em alta
O milho acompanhou os ganhos do complexo de grãos e encerrou o pregão noturno em alta.
O grão segue recebendo suporte através das exportações estadunidenses, que continuam bastante aquecidas, ainda que a ampla oferta promova certa pressão aos futuros, paralelamente.
As vendas de exportação dos EUA para a semana encerrada no dia 4 de dezembro revelaram 1,48 milhão de toneladas vendidas, volume abaixo do registrado em semanas anteriores.
Trigo em alta
O trigo também apresentou ganhos na sessão, indo na mesma direção dos outros grãos.
Na Argentina, a colheita já havia ocorrido em aproximadamente 73,3% da área semeada até o dia 17 de dezembro. O Trigo russo para a safra 2026/27 segue estimado em 83,8 milhões de toneladas, levemente abaixo das 88,8 estimadas para a safra 2025/26 colhida há pouco.
As vendas de exportação da semana de 4 de dezembro indicaram 381 mil toneladas exportadas do trigo americano.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.