
Mercado Externo: Mundo interpreta ações dos EUA na Venezuela
Os principais índices acionários dos Estados Unidos iniciam o dia em alta, enquanto o mercado absorve as nuances do ataque à Venezuela ocorrido no último sábado (03).
O momento é de tensão geopolítica global. A ação dos norte-americanos, que resultou na captura de Nicolás Maduro, líder da Venezuela, gerou posicionamentos negativos de outros grandes players do cenário econômico-financeiro internacional, como China e Rússia, elevando os riscos políticos e militares neste início de 2026.
Os Estados Unidos vão assumir a tutela do novo governo venezuelano temporariamente, conforme mencionou o Secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo Donald Trump, os americanos permanecerão no controle governamental do país sul-americano até que seja possível realizar uma transição “segura e adequada”. O presidente estadunidense também comentou sobre o combate ao narcoterrorismo, fazendo menções à Colômbia e ao México.
Apesar dessas tensões, o mercado de petróleo se mantém relativamente equilibrado, absorvendo estímulos altistas decorrentes do ataque à Venezuela e estímulos baixistas relacionados à ampla oferta global.
A prata e o ouro voltam a subir significativamente nesta manhã, retomando a dinâmica de alta após grandes oscilações no final do ano passado. O ouro registra alta de 2,3%, enquanto a prata apresenta ganhos de 5,9%, impulsionada pelo início das restrições de exportação na China.
Os mercados europeus operam majoritariamente em alta nesta segunda-feira. Na Ásia, os índices futuros registraram ganhos expressivos no setor de tecnologia, sobretudo após o anúncio da ampliação de dispositivos com inteligência artificial pela Samsung.
Soja em alta
A soja apresentou uma leve recuperação na sessão noturna após cinco recuos consecutivos nos últimos dias.
O mercado esboça alguma reação diante de ajustes técnicos. Os patamares relativamente mais baixos da última semana possibilitaram certo suporte advindo da ponta compradora.
O auxílio financeiro aos produtores agrícolas foi confirmado pelo USDA em 31 de dezembro de 2025. Serão distribuídos 12 bilhões de dólares diretamente, sendo que, para a soja, serão destinados 30,88 dólares por acre (76,3 dólares por hectare). Esse suporte pode oferecer algum fôlego aos agentes do mercado, uma vez que a dinâmica em torno do grão tem se mostrado baixista desde que o ceticismo sobre as operações entre China e EUA passou a predominar.
Neste momento, parte do mercado acredita que as compras chinesas de soja americana atingirão 12 milhões de toneladas. Ainda assim, o pessimismo se estende às negociações de longo prazo, já que Trump e Xi chegaram ao acordo de comercializar 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos.
No Brasil, o clima desta semana deve ser um pouco mais seco em comparação à anterior. Mesmo assim, a questão climática segue sem grande preocupação no momento. Na Argentina, entretanto, a seca vem se intensificando, sobretudo na região de Buenos Aires, o que é bastante alarmante e pode impactar as expectativas para a safra do país.
As vendas de exportação dos EUA referentes à semana de 25 de dezembro revelaram 1,18 milhão de toneladas exportadas, 19% a mais em relação à semana anterior.
Milho em alta
O milho acompanha a soja e registra ganhos nesta segunda-feira, até o momento.
O auxílio financeiro do USDA deve destinar 44,36 dólares por acre (109,6 dólares por hectare).
A produção de etanol nos Estados Unidos na semana passada foi de 1,12 milhão de barris por dia, 2,3% a mais em relação à semana anterior e 1,2% acima do mesmo período do ano passado, o que indica que a demanda por milho deve continuar alta no mercado doméstico por meio desse segmento produtivo, sendo um fator altista para o grão em Chicago.
As vendas de exportação de milho, todavia, caíram abruptamente na semana de 25 de dezembro. Foram 756,4 mil toneladas, o menor volume desde a semana de 4 de setembro. Na semana anterior (18 de dezembro), haviam sido negociadas 2,2 milhões de toneladas, para efeito de comparação.
Trigo em alta
O trigo acompanhou o complexo de grãos e registrou ganhos na sessão.
O auxílio do USDA destinará 39,35 dólares por acre (97,2 dólares por hectare) ao trigo, enquanto a divulgação dos dados de exportação foi pouco animadora para os produtores.
Na semana de 25 de dezembro, apenas 95,4 mil toneladas de trigo americano foram comercializadas, o que pode indicar o enfraquecimento das exportações nacionais, que vinham sendo um ponto de suporte aos futuros em Chicago diante de um comportamento predominantemente baixista dos preços. Na semana anterior (18 de dezembro), 147,9 mil toneladas haviam sido comercializadas, também valores pouco animadores.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.