
Mercado Externo: Probabilidade de manutenção dos juros aumenta
Os principais índices acionários norte-americanos operam com ligeiros ganhos após a divulgação do CPI no país.
Sob análise anualizada, o índice de preços ao consumidor avançou em 2,7% no último mês, comparando-se com dezembro de 2024. Em relação a novembro de 2025, o indicador subiu 0,3%. Ambas as variações estiveram dentro das expectativas de mercado, o que indica que a divulgação deve alterar pouco as premissas para a próxima decisão do Fed, ao final deste mês.
A expectativa do mercado é de que o Banco Central norte-americano mantenha as taxas de juros no próximo encontro. Os dados do mercado de trabalho são modestos, sobretudo em termos de criações de emprego no setor público e privado. Ainda assim, o recuo do desemprego e a manutenção dos patamares inflacionários podem pesar na decisão do órgão monetário. Com uma possível manutenção dos juros no intervalo entre 3,75% e 3,5%, a destinação de capital a ativos financeiros de alta segurança é potencializada, o que é relativamente desestimulante às ações e às bolsas norte-americanas.
O dólar apresenta ganhos nesta manhã, à medida que, como mencionado anteriormente, uma possível manutenção nas taxas de juros deve beneficiar ativos de baixo risco, como a divisa norte americana, que pode retomar uma recuperação mais acentuada em caso de confirmação desta tendência monetária.
A probabilidade de um novo corte ainda não está descartada também, tanto pela atividade econômica no mercado de trabalho, quanto pelas pressões de governamentais para uma redução mais acelerada dos juros, desejo de Donald Trump.
Outros Mercados:
Os metais estendem os ganhos dos últimos dias, ainda que em menor intensidade. A prata avança em 3%, atingindo novos patamares recordes assim como o ouro, que contempla ganhos de 0,26%
O petróleo Brent é o destaque da sessão, à medida que os futuros avançam em quase 2% em meio ao aumento das tensões entre EUA e Irã. A possibilidade de ação militar norte-americana no Oriente Médio aumenta a preocupação em torno da oferta de petróleo no âmbito global, uma vez que o país asiático é um dos principais produtores, inclusive um dos principais fornecedores da commodity energética à China. O tema é mais bem explorado no Diário de Petróleo.
O algodão amplia seus ganhos nesta sessão após WASDE altista, temática que também foi mais bem explorada no Diário de Algodão. A pluma avança em 0,4% neste momento.
Soja em baixa
A soja recuou no pregão noturno, estendendo as perdas de 1,27% registradas na sessão desta segunda-feira (12).
O Relatório de Oferta e Demanda do USDA apresentou um viés baixista para a oleaginosa, à medida que as produções nos EUA e no Brasil aumentaram, elevando os estoques e a relação estoque/uso em âmbito global.
Embora, nos EUA, os pequenos ajustes para cima na produção e na área plantada tenham sido compensados pela elevação da demanda — em termos de consumo doméstico e esmagamento —, houve uma revisão para baixo nas exportações do país, de 3,7% (1,63 milhão de toneladas). Mesmo com a aceleração do ritmo de comercializações junto à China, este segue sendo o menor volume de vendas das últimas safras.
No Brasil, a produção foi estimada em 178 milhões de toneladas nesta divulgação de janeiro, 3 milhões de toneladas a mais em relação à publicação de dezembro. Os estoques brasileiros foram ajustados para cima, paralelamente, em 400 mil toneladas. Além disso, as expectativas de exportação do país para a safra 2025/26 cresceram em 1,5 milhão de toneladas, totalizando agora 114 milhões de toneladas. A iminente competitividade do país, diante da safra robusta deste período, contribui para o recuo dos futuros na CBOT.
A atualização da balança comercial brasileira confirma o ritmo acelerado das vendas de soja no país. Na semana passada, foram exportadas 645,7 mil toneladas, ante 226,5 mil toneladas no mesmo período do ano passado.
As inspeções do USDA revelaram que 1,53 milhão de toneladas de soja americana foram embarcadas na última semana, 55% a mais em comparação à semana anterior e 12,5% acima do mesmo período do ano passado. Ainda assim, o panorama do mercado continua predominantemente baixista, sobretudo devido à competitividade brasileira.
Milho em baixa
O milho apresentou baixa na sessão, estendendo as perdas do dia anterior, assim como a soja.
Em termos fundamentais, o milho demonstra ser o grão mais suscetível aos estímulos baixistas do WASDE divulgado ontem, uma vez que as estimativas de oferta subiram substancialmente, e em maior intensidade em comparação aos outros grãos. O mercado encerrou as operações com um recuo de 5,44% nos futuros ao fechamento.
Em âmbito mundial, houve um aumento na produção de 13,05 milhões de toneladas, valor robusto e significativo. Essa elevação decorre, sobretudo, dos rendimentos nos Estados Unidos e na China. Nos EUA, a produção deve crescer em 6,83 milhões de toneladas, número que reafirma os patamares volumosos da safra.
Os estoques globais também foram revisados para cima, em 11,76 milhões de toneladas. O aumento está associado às elevações de estoque nos EUA, Brasil, União Europeia e China. A relação estoque/uso corresponde agora a 22,38%, ante 21,52% da divulgação de dezembro.
As inspeções do USDA revelaram 1,49 milhão de toneladas exportadas pelos EUA na semana passada, ante 1,32 milhão na semana anterior e 1,44 milhão no mesmo período do ano passado.
Trigo em baixa
O WASDE também foi baixista para o trigo, que registrou perdas na sessão desta segunda-feira e as estendeu para o pregão noturno.
O relatório do USDA revelou um aumento de 4,31 milhões de toneladas nas estimativas de produção, protagonizado principalmente pela Argentina e pela Rússia, que tiveram ajustes produtivos para cima de 3,5 e 2 milhões de toneladas, respectivamente. No Brasil, houve uma revisão para cima, também, de 300 mil toneladas.
Os estoques globais estão estimados agora em 278,25 milhões de toneladas, ante 274,87 milhões da divulgação de dezembro (+1,2%), enquanto a relação estoque/uso avançou 1,1%.
A Argentina e a Rússia, como mencionado anteriormente, conduziram as maiores volatilidades do mercado. O país sul-americano teve seus estoques ampliados em 1,49 milhão de toneladas, ainda que ajustes para cima na demanda doméstica e nas exportações — considerando a redução das tributações sobre as vendas — tenham compensado parte do crescimento das expectativas de produção. No país do Mar Negro, os estoques foram revisados para cima em 1,5 milhão de toneladas.
Nos EUA, os estoques também aumentaram, em 680 mil toneladas, sobretudo pelas estimativas de queda do consumo doméstico, referente tanto aos grãos da safra 2024/25 quanto aos da safra mais recente.
O ritmo das exportações — sob a ótica das inspeções — voltou a acelerar após as festividades de fim de ano, ainda que os valores sejam modestos. Foram exportadas 317 mil toneladas na semana passada, ante 183 mil na semana anterior e 311 mil toneladas no mesmo período do ano passado. O volume das exportações continua caminhando de maneira que a meta do USDA deve ser atingida em julho.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.