
Mercado Externo: Eleições-relâmpago no Japão?
Os principais índices acionários norte-americanos operam em alta nesta manhã, amparados pelo bom desempenho das big techs e das companhias do setor bancário.
Na noite de ontem, os Estados Unidos e Taiwan firmaram um acordo comercial bilateral, no qual os americanos reduziram as tarifas sobre produtos taiwaneses de 20% para 15%. Em contrapartida, pelo menos 250 bilhões de dólares serão investidos por empresas taiwanesas em tecnologia avançada norte-americana, sobretudo em chips, semicondutores e outros dispositivos voltados à inteligência artificial.
Lula receberá hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, às vésperas da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia no Paraguai, prevista para amanhã.
Na Ásia, as bolsas encerraram majoritariamente em baixa. No Japão, seguem as tentativas de antecipação das eleições. Sanae Takaichi deseja aproveitar o momento de alta popularidade para iniciar o processo legal de dissolução da Câmara dos Representantes (Câmara Baixa), de modo a anunciar eleições relâmpago no início de fevereiro, obter maioria no Legislativo e implementar políticas fiscais expansionistas para estimular a economia. O cenário envolve riscos significativos para a economia japonesa, o que mantém o iene em trajetória de desvalorização.
Na Europa, os mercados operam de forma mista, com agentes atentos às tratativas envolvendo a Groenlândia. A reunião entre representantes americanos e dinamarqueses nesta quinta-feira (15) teve poucos avanços, mas os países seguirão dialogando.
Soja em baixa
A soja encerrou a sessão com leves perdas.
O governo norte-americano estuda a possibilidade de conceder mais um auxílio financeiro de 15 bilhões de dólares aos produtores agrícolas do país. O mercado pode, nas próximas sessões, precificar essa possibilidade e, sobretudo, uma eventual confirmação da medida. Ainda assim, produtores de soja — assim como os de milho — pleiteiam um suporte mais estrutural para a continuidade das produções no longo prazo. Em especial, há demanda por uma definição mais acelerada da políticade biocombustíveis, que impulsionaria a produção de biodiesel e, portanto, elevaria a demanda por óleo de soja.
A participação projetada da demanda de soja destinada ao esmagamento em 2026 nos EUA é de 60,4%, segundo o USDA. Essa destinação é favorecida pelo estímulo à produção de biocombustíveis, e a demanda para esmagamento deve crescer ainda mais, em termos relativos, em detrimento das exportações.
Os Estados Unidos processaram 6,12 milhões de toneladas em dezembro de 2025, alta de 4,1% ante novembro de 2025 e de 8,9% ante dezembro de 2024. É o segundo maior nível de esmagamento já registrado, o que indica que esse pode ser o caminho — em conjunto com a pauta energética — para alavancar a demanda por soja nos próximos meses, dando suporte e atribuindo um viés altista dos futuros em Chicago.
A competitividade brasileira segue sendo um fator limitante para os preços no âmbito global, uma vez que a colheita já começou e as estimativas para a safra são bastante robustas.
Houve algumas vendas nesta quinta-feira que podem ter contribuído para a alta da soja nesta manhã: cerca de 204 mil toneladas de soja americana foram vendidas para a China — elevando o acumulado desde o acordo do fim de outubro para quase 11 milhões de toneladas, aproximando-se das 12 milhões acordadas —, além de aproximadamente 110 mil toneladas destinadas a compradores não revelados.
Milho em alta
O milho acompanhou a soja e avançou levemente na sessão.
Não há grandes novidades hoje. O sentimento dos produtores americanos segue relativamente pessimista, em função dos números do USDA publicados na segunda-feira. A expectativa é de redução da área de milho em favor da soja no próximo plantio, ainda que haja avanços nas tratativas em torno do E15.
Algumas vendas avulsas podem ter contribuído para o suporte em Chicago nesta manhã. Nesta quinta-feira, foram comercializadas 260 mil toneladas de milho americano para o Japão, e cerca de 500 mil toneladas para destinos não revelados.
Trigo em alta
Os baixos preços do trigo em Chicago desde o WASDE de segunda-feira, somados ao viés majoritariamente baixista recente, atraíram compras técnicas, levando a uma alta de 1,3% na sessão.
A seca nos Estados Unidos segue como preocupação para a safra de inverno, sobretudo nas planícies do Sul, onde os níveis de estiagem são mais elevados. Parte da alta do grão na bolsa pode refletir esse fator climático.
Outros Mercados:
Com a redução das tensões entre EUA e Irã após o início de semana conturbado, os metais preciosos — ouro e prata, considerados reservas mais seguras de valor — estendem as perdas. A prata recua cerca de 5,1%, enquanto o ouro cai 0,4%.
O petróleo opera em leve recuperação, em meio a ajustes técnicos e suporte de compra, após diminuírem as apostas de uma invasão norte-americana no Oriente Médio. O algodão segue praticamente estável nesta manhã, após a divulgação, ontem à tarde, de posições “On-Call” predominantemente baixistas. O WASDE havia sido bastante estimulante para os futuros da pluma em Nova York.
O dólar segue praticamente estável nesta manhã, com ligeiras perdas.

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.

Fonte: **Estimativas StoneX.