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Grãos | Chamada de Abertura

By: Lucca Scalvi, Market Intelligence Intern

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Mercado Externo: Agentes aguardam a decisão do Fed

Os principais índices acionários norte‑americanos abrem em alta nesta quarta‑feira, enquanto os agentes aguardam a decisão de juros do Fed, às 16h (horário de Brasília).

O Fed deve manter as taxas inalteradas na reunião de hoje, a fim de observar o comportamento dos principais indicadores macroeconômicos domésticos após o último ciclo de cortes. A inflação está relativamente controlada, embora ainda acima da meta — o que segue como preocupação para os norte‑americanos. Os dados recentes do mercado de trabalho são modestos. Ainda assim, o Fed deve considerar plausível acompanhar a evolução desses indicadores antes de realizar novos ajustes na política monetária.

Inflação EUA | Variação (%) em relação ao mesmo mês no ano anterior

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Fonte: BEA | Elaboração: StoneX

Resumidamente, o momento da economia dos EUA é moderado. As declarações de Jerome Powell após a divulgação da decisão, ao final da sessão, serão bastante relevantes, pois poderão sinalizar a tendência para os juros e, consequentemente, traçar um novo horizonte para os agentes.

O quadro político norte‑americano permanece instável, dado o elevado nível de polarização na população, as divergências no Congresso e as ações do presidente Donald Trump — especialmente quanto às tarifas e a uma postura geopolítica mais assertiva.

O Índice DXY atingiu ontem os menores patamares desde 2022, refletindo a política de dólar fraco defendida por Trump. O próprio presidente afirmou estar satisfeito com os níveis atuais da moeda, por considerar que favorecem as negociações comerciais dos EUA — citando Japão e China como exemplos de países que historicamente utilizam políticas de desvalorização cambial. Trata‑se de mais uma jogada política para fortalecer a produção norte‑americana, tanto no setor agrícola quanto industrial.

Essencialmente, Trump busca reforçar sua aprovação junto ao setor produtivo — parcela relevante de sua base eleitoral. A compensação, em termos de popularidade, tende a vir pela percepção do consumidor: a inflação sobre produtos estrangeiros pode aumentar, à medida que a dinâmica cambial doméstica se torne mais altista.

Índice DXY | Evolução desde o início do governo Trump (jan/25)

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Fonte: ICE | Elaboração: StoneX

A recente depreciação do iene também contribuiu para pressionar o dólar e sustentar moedas de países emergentes. Nas próximas sessões, o Banco do Japão pode intervir — por meio da compra de moeda local (iene) e venda de dólares — para conter a depreciação. Houve sinalização de que essa atuação poderia ocorrer, o que acabou por reverter a tendência baixista nos mercados locais. Caso a intervenção se confirme, os Estados Unidos podem contribuir com compras de ienes, a fim de limitar ganhos de competitividade do Japão.

As bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta; o Nikkei avançou 0,54%. Na Europa, os mercados operam em baixa, refletindo perdas concentradas no segmento de luxo.

No Brasil, o Banco Central também anuncia hoje sua decisão de política monetária, e a expectativa é de manutenção da taxa em 15% a.a. As declarações de Gabriel Galípolo após o anúncio serão muito aguardadas, dado que o país se aproxima de um novo ciclo de redução de juros — com possível início em março.

 

Soja em alta

A soja encerrou a sessão em alta, à medida que o mercado continua a absorver os estímulos altistas das exportações, e das compras chinesas.

A tendência é de que, no entanto, as comercializações americanas junto à China diminuam nos próximos momentos – uma vez que o acordo comercial, que resultou na compra das 12 milhões de toneladas de soja americana, foi mais uma relação de troca no sentido político do que, propriamente, uma verdadeira mudança/reversão estrutural das exportações norte-americanas. Além do mais, o país asiático deve optar pelo Brasil – que está em estágio inicial de colheita e tem os preços mais acessíveis – nas próximas compras. A China já sinalizou a compra de 25 carregamentos de soja brasileira, que devem chegar à Ásia entre março e abril.

A seca na Argentina continua, o que segue entregando algum sustento aos futuros em Chicago.

Milho em alta

O milho também apresentou alta na sessão, após o discurso de Trump em Iowa.

O presidente norte-americano reascendeu as esperanças dos produtores nacionais ao prometer uma rápida resolução para a liberação do uso de E15 sem restrições sazonais. Trump disse que está trabalhando para que a determinação saia o mais rápido o possível, de modo a satisfazer os agricultores.

Ainda que, possivelmente, a liberação do E15 não traga efeitos imediatos à balança do milho (via etanol), o mercado absorveu estímulos altistas da declaração. Contudo, esta pauta pode não sustentar uma tendência mais longeva de alta dos preços ainda assim, e este comportamento dos futuros deve vir mais a longo prazo, com a reorganização dos padrões de produção e demanda do biocombustível, e, sobretudo, a redução dos hectares produtivos nas lavouras para o próximo plantio.

Trigo em alta

O trigo acompanhou o complexo e obteve alta na sessão – a maior dentre os grãos, inclusive.

Sem grandes atualizações sob a ótica dos fundamentos, é deduzível que parte desta recente dinâmica altista de curto-prazo esteja associada à esfera técnica. Ainda assim, algumas preocupações climáticas nas safras da Rússia e dos Estados Unidos seguem contribuindo para os ganhos dos futuros em Chicago, mesmo que a cobertura de neve tenha aumentado no território americano neste início de semana.

O dólar fraco – como comentado anteriormente – tende a beneficiar as exportações americanas, que vêm sendo uma das principais fontes de sustento dos preços nos últimos meses. 

 

Outros Mercados:

O dia é de alta para os metais, que seguem se beneficiando de uma dinâmica baixista do dólar, que hoje opera lateralizado. O ouro contempla ganhos de 3,5%, retomando as máximas históricas – tal como a prata, que opera em alta de 7,2%. O petróleo Brent estende os ganhos, à medida que o retorno das tensões no Oriente Médio sustenta os preços. O algodão segue em recuperação técnica, após o mercado adentrar à dinâmica de knife catching e atingir as mínimas anuais. 

image 125812odityNetwork Traders’ Pro.

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Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
image 125814Fonte: **Estimativas StoneX.
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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5 de agosto – Os mercados de ações dos EUA estão em chamas nesta semana, com tanto o Dow Jones quanto o S&P 500 estabelecendo novas máximas históricas ontem, com os futuros indicando novos ganhos novamente hoje; o mercado permanece otimista quanto a um acordo com o Irã, apesar de nenhuma evidência disso até o momento. O petróleo bruto trabalha em uma máxima e uma mínima mais baixas hoje, mas permanece ligeiramente no lado alto na sessão, enquanto o dólar recua de volta em direção à mínima de quase dois meses de segunda-feira. O título de dez anos está estável a mais baixo nesta manhã (embora solidamente mais baixo até agora neste mês), em 4,605%, enquanto o índice VIX continua a se recuperar no meio da semana, com uma leitura de quase 17 pontos nesta manhã.

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