
Mercado Externo: Metais promovem alta volatilidade ao segmento financeiro
Os principais índices acionários norte‑americanos iniciam a semana em baixa, à medida que os agentes digerem a escolha de Kevin Warsh para a presidência do Fed e reagem à queda abrupta dos metais registrada na última sexta‑feira.
É plausível que os dois eventos — o anúncio de Warsh e a queda dos metais — estejam entrelaçados, uma vez que o mercado aguardava, em essência, uma escolha mais dovish para o cargo. Portanto, a indicação de Warsh pode ter contribuído para a alta volatilidade de curto prazo nos mercados, sobretudo no segmento de commodities, no final da última semana. Ainda assim, caso Warsh demonstre que realizará um mandato autônomo em relação ao Fed ou, minimamente, não baseado em lealdade política, isso poderá conferir credibilidade aos mercados no médio prazo, quando ele já estiver envolvido nas próximas decisões de juros.
Paralelamente, entende‑se que a queda dos metais na última sexta‑feira teve um grande componente técnico. Pode‑se dizer que se tratou da maior correção do segmento de metais da história, uma vez que o ouro encerrou em baixa de 11,3%, enquanto a prata registrou perdas surpreendentes de 31,4%. Esse movimento impactou as commodities agrícolas, como os grãos, de forma amplamente baixista, e as perdas se estendem nesta segunda‑feira — ainda que os metais operem em recuperação.
O dólar opera em alta, estendendo os ganhos do fim da última semana após um fechamento mensal em baixa em relação a dezembro. O discurso e o plano econômico de Trump contribuíram para pressionar o índice DXY e protagonizaram o recuo mensal da divisa norte‑americana. Entretanto, a escolha de Warsh pode favorecer a moeda, ao reforçar a credibilidade do banco central e a responsabilidade monetária.
O petróleo Brent apresenta grande volatilidade neste início de semana, operando em queda após Trump afirmar que os diálogos e os negócios com o Irã seguem “bastante sérios”. O presidente norte‑americano reduziu a tensão entre os EUA e o Oriente Médio em seus últimos discursos no fim de semana, o que pressionou os futuros do Brent. Além disso, os oito países da OPEP+ decidiram, em reunião neste domingo (1º), manter as cotas de produção inalteradas para março, o que é baixista para o mercado, uma vez que os níveis atuais de oferta são bastante amplos no mundo. O cenário atual fornece estímulos predominantemente baixistas para o petróleo bruto, ainda que as incertezas geopolíticas no Oriente Médio tenham garantido alguns ganhos nos períodos recentes.
No cenário nacional, o Relatório Focus, publicado nesta manhã, revelou alterações nas expectativas de inflação para este ano. O IPCA para 2026 teve sua estimativa ajustada para baixo em 0,01 ponto percentual, de 4,00% para 3,99%. As projeções de câmbio para 2027 e 2029 também sofreram pequenos ajustes para baixo.
Na China, a divulgação do PMI trouxe novas interpretações sobre o nível de atividade econômica no país. O National Bureau of Statistics (NBS) da China informou que, em janeiro, o PMI industrial foi de 49,3 pontos, abaixo das expectativas e do 50,1 registrado em dezembro. No setor não manufatureiro, o índice ficou em 49,4 pontos, também abaixo do esperado. Os resultados sugerem atividade industrial e não manufatureira modesta no período, reforçando a leitura de que o país enfrenta dificuldades econômicas domésticas no momento. Ainda assim, o segmento exportador se mantém resiliente, como indicado pelo PMI privado da S&P Global — que capta principalmente o comportamento de pequenas e médias exportadoras —, ao subir para 50,3 em janeiro, de 50,1 em dezembro, o maior nível desde outubro.
Na Ásia, os mercados encerraram o dia predominantemente em queda. A exceção foi justamente o Shanghai SE, na China, que registrou ganhos robustos de 2,48%, apesar dos dados modestos de PMI. Por outro lado, o Shenzhen Composite Index, também da China, recuou 2,69%. É possível concluir que, apesar dessa disparidade, o PMI foi essencialmente baixista para os indicadores econômicos chineses.
Na Europa, os mercados operam majoritariamente em alta.
Soja em baixa
A soja estendeu as perdas do final da semana passada nesta segunda-feira, em Chicago.
A oleaginosa norte-americana segue sob influência dos fatores relacionados à demanda – sobretudo pelas definições nas regulamentações dos biocombustíveis (45Z). O mês de janeiro registrou alta na CBOT, de aproximadamente 5,5%.
No momento, a soja absorve os efeitos da queda abrupta dos metais na última sexta-feira. Além disso, a valorização do dólar também contribui para a pressão sobre os futuros, uma vez que encarece o produto norte-americano para compradores estrangeiros, dificultando a entrada de estímulos pela demanda.
As condições de solo na Argentina melhoraram recentemente, mas, ainda assim, a região de Buenos Aires – onde há grande concentração produtiva – carece de chuvas, que devem ocorrer apenas na próxima semana. Os rendimentos argentinos podem ser afetados, tanto para a soja quanto para o milho, e, no médio prazo, poderemos observar alguma volatilidade (possivelmente altista) na bolsa de Chicago, considerando os impactos para o balanço global dessas commodities.
A StoneX publica hoje a atualização mensal para as safras de soja e milho no Brasil.
Milho em baixa
O milho também estendeu as perdas na sessão.
O grão compartilha um cenário bastante semelhante ao da soja, tanto em termos técnicos quanto sob a ótica dos fundamentos. O mercado também aguarda estímulos do lado da demanda, uma vez que o balanço norte-americano permanece folgado neste momento, devido aos robustos números da safra 2025/26.
Como mencionado anteriormente, as condições climáticas na Argentina podem oferecer suporte no médio prazo.
Trigo em baixa
O trigo acompanhou o complexo de grãos e registrou baixa na sessão.
O mercado também absorveu as perdas dos metais e de outras commodities, como o petróleo Brent, no início desta semana. Paralelamente, diminuíram as preocupações associadas à cobertura de neve nos Estados Unidos e na Rússia, o que aumenta as possibilidades de uma nova dinâmica baixista de curto prazo, uma vez que esse fator vinha oferecendo suporte aos futuros nos últimos dias.
Na Europa, o risco de winter kill continuou fornecendo sustentação aos futuros na MATIF, com as preocupações concentradas principalmente na Ucrânia.
Sob um viés altista, Taiwan movimentou o mercado ao adquirir 105 mil toneladas de trigo norte-americano. A operação pode ter limitado perdas maiores do grão nesta manhã, embora o cenário predominante ainda seja baixista.
A Índia também deve enfrentar dificuldades climáticas neste mês de fevereiro, já que as temperaturas devem ficar muito acima da média para o período. Além disso, está previsto que as principais regiões produtoras do país recebam níveis de precipitação 78% abaixo da média, o que pode resultar em um ambiente bastante seco, prejudicial ao desenvolvimento do grão local. Caso esse cenário se confirme, os impactos podem ser potencialmente altistas, uma vez que a Índia – país que possui certa autossuficiência para o trigo - deve ampliar as importações pelo grão, estimulando os preços pela ótica da demanda.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.