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Matéria Especial | O peso das decisões da Índia no comércio internacional de trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Matéria Especial | O peso das decisões da Índia no comércio internacional de trigo
 
Aumento dos preços internacionais no mercado futuro

O trigo é um dos alimentos mais consumidos no mundo, tendo destinação principalmente para a alimentação humana, uma vez que é essencial para a segurança alimentar de diversas nações. O início de 2022 foi marcado por elevações históricas para o preço futuro contínuo do trigo na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês). Em boa parte, este cenário altista foi condicionado pelo conflito no Mar Negro, entre Rússia e Ucrânia. 

É notável o impulso registrado nos preços após a invasão do território ucraniano, no dia 24 de fevereiro. Duas semanas depois, a valorização dos contratos de maior liquidez atingiu o limite diário máximo de variação de US¢ 75,00/bu, o que levou o vencimento contínuo para registros históricos. Desde então, o trigo se manteve em patamar elevado de preços, oscilando entre notícias de continuidade do conflito, condições climáticas desfavoráveis ao redor do mundo e aumento da inflação global.

Variação dos preços na Bolsa de Chicago para o mercado futuro de trigo (US¢/bu)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Em síntese, a relação entre oferta e demanda global é o grande guia para os preços, por um lado, impulsionados pela escassez da oferta e por outro, pela crescente demanda. Na estimativa divulgada este mês, o USDA indicou que os estoques mundiais de trigo podem sofrer redução de 12 milhões de toneladas durante o ano de comercialização de 2022/23. Os estoques finais mundiais, para o trigo disponível quando a próxima safra estiver pronta para a colheita, seriam os menores em seis anos.

O último relatório da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, divulgado ainda em 2021 - sem levar em consideração o conflito entre Rússia e Ucrânia e a possível redução na safra de trigo da Índia - confirmava a inclusão de 30% da população mundial em estado de insegurança alimentar.

Relevância da Índia

É neste cenário que a Índia emerge como alternativa no comércio internacional. A Índia é o segundo maior produtor de trigo no mundo, com as últimas cinco safras registrando recordes. Entretanto, o mercado de trigo indiano não era considerado de relevância para o comércio internacional, dado que, assim como a China, tem como foco o mercado interno. 

Pelo lado das exportações globais, a Índia avançou como um parceiro comercial estratégico em meio à persistência do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o mês de abril de 2021, foram registradas apenas 242,8 mil toneladas fornecidas ao mercado externo. Em contraste, para o mesmo período no ano corrente, foram registrados 1,4 milhão de toneladas exportadas segundo a Reuters, evidenciando a reconfiguração dos fluxos comerciais. A Índia tem ganhado espaço como alternativa ao fornecimento do cereal e os principais compradores estão no sul e sudeste asiático, Oriente Médio, Europa e norte da África. 

WASDE Trigo (4)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Em março deste ano, uma onda de calor atingiu o país, ultrapassando 45°C em Nova Délhi, no noroeste e centro da Índia. O cenário de seca e altas temperaturas levou ao colapso da distribuição de água e energia e prejudicou principalmente as plantações de trigo, levando a uma redução nas estimativas de rendimento da safra, segundo o Ministério da Agricultura, informação que foi divulgada na quinta-feira (19). O trigo se encontra na etapa de maturação, com perspectivas de que o clima adverso leve a uma queda da produção, passando de 111,32 milhões de toneladas para 106,41 milhões em 2022 (-4,4%).

Variação da produção de trigo dos principais produtores globais (milhões/ton)

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Fonte: USDA. *Estimativa. Elaboração: StoneX.
Antes da redução nas projeções de rendimento e produção do trigo, a Índia já havia se posicionado frente às preocupações com a oferta interna e o aumento de preços, ao proibir suas exportações de trigo no sábado (14), como um mecanismo para assegurar o nível de preços domésticos. Em meio ao cenário global de pressão sobre a oferta e a disputa por fornecedores, esse posicionamento do governo indiano levou a uma elevação de preços nas bolsas dos Estados Unidos e a um novo limite de alta na segunda-feira (16). 

Na terça-feira (17), o governo indiano mudou sua decisão, ao introduzir algumas possibilidades mais flexíveis para o fluxo comercial. Os embarques de trigo que ainda aguardam liberação alfandegária poderão prosseguir, além das exportações com destino para o Egito. Por fim, o governo afirmou que só permitirá exportações com lastro em cartas de crédito (LCs), ou garantias de pagamento, geradas antes de 13 de maio. Em suma, essas medidas não aliviarão o balanço de oferta e demanda global, mas garantirão que os compradores que já haviam firmado as transações tenham o produto em mãos.

Medidas protecionistas em meio a redução da oferta global agravam o cenário e podem elevar ainda mais os preços no mercado futuro de trigo. A Índia e os demais mercados produtores recebem foco e toda decisão com objetivos internos tem implicações em toda a cadeia de fornecimento global. Para acompanhamento do cenário internacional, veja as publicações diárias da Chamada de Abertura, especialmente voltada para os acontecimentos no mercado externo e para o mercado de grãos.
 

  • Grãos e Oleaginosas

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10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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