
Exportações de soja recordes em 2025, puxadas pela China
Nesta terça-feira (dia 06) foram divulgados os dados oficiais de exportação do Brasil para o mês de dezembro, com o país tendo embarcado 3,38 milhões de toneladas de soja no último mês de 2025. Com isso, foi exportado o recorde de 108,18 milhões de toneladas da oleaginosa no ano, superando o recorde anterior de 2023, que alcançou 101,87 milhões de toneladas.
A China continuou sendo o principal comprador da soja brasileira, com 85,4 milhões de toneladas em 2025, ou 79% do total exportado. Antes de 2025, o maior volume importado de soja brasileira pela China tinha sido observado em 2023, com 74,47 milhões de toneladas. Destaca-se que em 2024, o maior importador mundial comprou um total de 72,5 milhões de toneladas de soja do Brasil, que representou 73,4% do total embarcado.
Dessa forma, a combinação da colheita recorde brasileira no ciclo 24/25 com as tensões comerciais entre China e EUA durante a maior parte de 2025 contribuíram para o país asiático ampliar ainda mais sua participação nas exportações de soja do Brasil. Anteriormente, em 2018, a China foi responsável por importar 82,3% da soja brasileira, também numa situação de guerra comercial, no primeiro mandato Trump.
Brasil | Exportações de soja (milhões de toneladas)

Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
Destaca-se que desde o final do ano passado, a China voltou a comprar mais soja dos EUA no contexto acordo comercial entre os dois países, o que ajuda a explicar por que os volumes exportados pelo Brasil para os chineses em novembro e dezembro de 2025 ficaram mais baixos que os registrados nos mesmos meses de 2023. Atualmente, a China continua comprando soja dos EUA, com boas chances de alcançar as 12 milhões de toneladas previstas até fevereiro, mesmo com o produto norte-americano estando menos competitivo que o brasileiro.
Brasil | Exportações mensais para a China (mil toneladas)

Fonte: Comex Stat. Elaboração: StoneX.
Com isso, a relação entre EUA e China continuará sendo acompanhada de perto, com o Brasil caminhando para colher um novo recorde de soja na safra 25/26. Os volumes que a China deverá comprar dos EUA nos próximos anos para cumprir o acordo não são diferentes dos observados usualmente. Ao mesmo tempo, há dúvidas sobre o apetite chinês por soja no longo prazo, enquanto o Brasil tem potencial de continuar aumentando a produção e as exportações da oleaginosa, o que gera certa apreensão. Por mais que o mundo deva continuar crescendo e os hábitos alimentares se modificando, favorecendo o consumo de proteínas, não há nenhum país atualmente que ocupe o lugar que a China ocupou até meados da década passada no mercado de soja, com forte avanço econômico e consequente consumo de sua população.
Os biocombustíveis têm muito potencial de reforçar a demanda de soja, por meio do óleo, como se observa nos EUA e também no Brasil. A busca por energias limpas deve ser um incentivo ao crescimento da produção de biocombustíveis que utilizam óleos vegetais e gorduras para a além do biodiesel, como é o caso do diesel renovável. Contudo, a produção de biocombustíveis é totalmente dependente de políticas de incentivo, que podem sofrer influência de questões diversas, como as condições econômicas e políticas vigentes, reduzindo a previsibilidade para o setor, com reflexos no mercado de soja.