Comentários de Abertura
O foco de hoje está nos empregos e no que o relatório mensal de empregos nos diz sobre o estado da economia em meio à guerra comercial. Os futuros das ações estão reagindo aos números divulgados nesta manhã, sendo negociados em alta após já terem registrado ganhos sólidos durante a madrugada. O VIX está sendo negociado abaixo de 23, enquanto o dollar index está próximo de 99,9. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos estão em torno de 4,29%, e os de 2 anos estão próximos de 3,78%. Os preços do petróleo bruto estão modestamente mais baixos, em torno de US$ 59 por barril, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas apresentaram maior firmeza durante a madrugada.
A economia dos EUA criou 177 mil empregos não-agrícolas em abril, superando as expectativas dos analistas de 130 mil, embora os números de março tenham sido revisados para 185 mil, abaixo dos 228 mil originalmente divulgados. As contratações no setor privado cresceram em 167 mil em abril, acima das expectativas de 125 mil, embora o número de março tenha sido revisado para 170 mil, abaixo dos 209 mil anteriores. O setor manufatureiro perdeu 1 mil empregos, resultado um pouco melhor do que a perda esperada de 3 mil. O setor de saúde adicionou 51 mil empregos em abril, enquanto transporte e armazenagem adicionaram 29 mil, atividades financeiras somaram 14 mil, assistência social acrescentou 8 mil, e o setor público perdeu 9 mil postos. Isso reverte uma tendência dos últimos anos, em que cerca da metade dos empregos criados mensalmente vinham diretamente do governo ou de contratos relacionados ao setor público. Em outras palavras, o crescimento econômico estava se tornando dependente do crescimento contínuo do governo. Agora vemos os primeiros sinais de reversão dessa tendência, embora ainda haja um longo caminho pela frente.
Vale destacar, porém, que a criação de empregos em fevereiro e março foi revisada para baixo em um total de 58 mil vagas. Ainda assim, o relatório de empregos de hoje permite certo alívio aos mercados, pois as pesquisas que compõem este relatório foram realizadas na semana em que a incerteza estava em seu auge, logo após o anúncio das tarifas recíprocas do presidente Trump. Isso não significa que a situação não possa piorar, mas sugere que talvez a economia não tenha reagido à guerra comercial de maneira tão negativa quanto as manchetes indicavam, refletindo, até aqui, certa resiliência. A taxa de desemprego permaneceu em 4,2% em abril, um número historicamente baixo. Na verdade, a taxa de participação da força de trabalho subiu para 62,6% em abril, refletindo um aumento no número de pessoas ingressando no mercado de trabalho. O ganho médio por hora subiu 0,2% no mês, abaixo da expectativa dos analistas de 0,3% de inflação salarial. Os ganhos por hora aumentaram 3,8% em comparação com o ano anterior, inalterados em relação a março, mas abaixo das expectativas de 3,9%. Assim, a inflação salarial parece estar estável ou suavizando. A jornada média semanal foi de 34,3 horas, acima da expectativa de 34,2 horas, sugerindo que os empregadores estão aproveitando melhor sua força de trabalho. No geral, é um bom relatório, considerando o contexto em que foi divulgado — ou seja, a guerra comercial que se desenrolava em abril. Isso sustentou a força do mercado de ações nesta manhã, com o Nasdaq atingindo ontem seu maior nível desde 27 de março, antes do início das tarifas recíprocas. O Dow e o S&P vêm logo atrás.
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China indicou que o país está considerando os pedidos dos EUA para iniciar negociações comerciais. Uma coisa que a China não queria era passar a imagem de que estava implorando por negociações. O presidente Xi Jinping desfruta atualmente de enorme popularidade dentro da China por ser o único líder mundial disposto a enfrentar o “bullying” dos Estados Unidos. Vale lembrar que a mensagem dentro da China é rigidamente controlada, e a população é informada de que os EUA adotam práticas comerciais injustas há anos e agora declararam guerra à China, com Xi sendo o único líder mundial com coragem para enfrentar esse agressor. Pedir por negociações enfraqueceria essa imagem e mancharia sua popularidade. O presidente Trump fechou uma brecha que permitia que alguns produtos evitassem tarifas ao serem comprados online, e também endureceu sanções contra países que compram petróleo iraniano. A China é a principal compradora desse petróleo, financiando as atividades militares do Irã no Oriente Médio. Esses fatores apertam ainda mais o cerco sobre a já combalida economia chinesa. Em seguida, Trump ofereceu uma saída a Xi, comunicando que ele poderia dizer que “os Estados Unidos estão pedindo negociações”.
Essa é a porta aberta que eu dizia que a China precisava. Ainda acredito que estamos longe de um acordo com a China. Xi Jinping ainda acredita que tem a vantagem — que os eleitores americanos se voltarão contra Trump antes que ele perca o apoio de seus seguidores, já que Xi controla a narrativa. No entanto, a guerra comercial já levou ao fechamento de fábricas na China e ao aumento da dívida, à medida que o governo tenta sustentar a economia. Assim, essa porta aberta pode permitir que as coisas comecem a caminhar na direção certa. Foram necessárias 13 rodadas presenciais para chegar ao acordo da Fase Um no primeiro mandato de Trump, e as questões atuais são muito mais complexas. O foco de Trump será concluir outros acordos comerciais com parceiros estratégicos, o que lhe permitiria manter a pressão máxima sobre a China.



