
Dólar deve refletir ata do FOMC, cenário eleitoral e acirramento das tensões comerciais entre EUA e Brasil
- Altista
- A proximidade do período eleitoral tende e elevar a incerteza e a percepção de risco político entre os investidores, o que pode afastar capitais externos e prejudicar o desempenho da moeda nacional.
- Ata do FOMC pode sugerir uma disposição para manter os juros mais elevados a fim de recuperar a estabilidade de preços, o que elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país e fortaleceria o dólar globalmente.
- O acirramento das tensões comerciais entre Brasil e EUA tende a elevar a imprevisibilidade da relação entre os países e aumentar a percepção de risco, prejudicando o real.
- Baixista
- Não há fatores predominantemente baixistas identificados para a taxa de câmbio nesta semana, porém é preciso considerar que a taxa de câmbio é historicamente volátil e que uma queda continua possível, seja pela frustração das premissas altistas quanto pela ocorrência de eventos inesperados.
Resumo da semana passada
- Nos EUA, a leitura de julho dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) sinalizaram uma moderação das pressões inflacionárias, diminuindo as apostas para altas de juros no curto prazo.
- No cenário doméstico, a aproximação do período eleitoral somada à divulgação de pesquisa de intenção de voto elevou sensivelmente a percepção de riscos locais, prejudicado o desempenho do real.
- O governo brasileiro comunicou os Estados Unidos que iniciará o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra as tarifas recém aplicadas, embora não haja nenhuma medida retaliatória imediata.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | Diária: +0,53% | Semanal: +2,68% | Mensal: +3,00% | Anual: -4,70% | Em 12 meses: -3,66%
Variações do dollar index | Diária: -0,32% | Semanal: +0,11% | Mensal: -0,25% | Anual: +1,35% | Em 12 meses: +1,48%
O MAIS IMPORTANTE: Cenário eleitoral
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Volatilidade realizada no mês do USDBRL
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX. *Dados até o final de julho.
Com o início oficial das campanhas eleitorais para a Presidência da República neste domingo (16), os investidores devem se mostrar cada vez mais sensíveis ao noticiário eleitoral.
- Na semana passada, o real apresentou forte desvalorização após pesquisas de intenção de votos aumentarem a percepção de riscos políticos de ativos nacionais.
- Nesse contexto, investidores devem reagir à divulgação de mais uma pesquisa na segunda-feira (17).
Por que isso é importante: O período eleitoral tende a ser um momento de maior volatilidade nos mercados financeiros domésticos, o que pode elevar a incerteza e levar os investidores a reduzirem suas posições em ativos nacionais.
- Além disso, parte dos investidores associa uma eventual reeleição de Lula a maiores riscos para o equilíbrio das contas públicas.
- Por essa interpretação, uma pesquisa indicando vantagem do presidente tende a elevar a percepção de riscos políticos de ativos nacionais, prejudicando o desempenho do real.
Panorama: Ao longo da semana, o real sofreu grandes perdas ante o dólar.
- Na terça-feira (11), foi divulgada uma pesquisa de intenção de voto indicando liderança do presidente Lula sobre o candidato Flavio Bolsonaro em um eventual segundo turno, reacelerando a percepção de riscos políticos.
- Nas demais sessões, mesmo sem fatos novos, a percepção de riscos continuou elevada e aprofundaram a desvalorização do real.
- Conforme as eleições se aproximam, os investidores esperam que a volatilidade cambial aumente à medida que novas notícias e pesquisas sobre a disputa presidencial sejam divulgadas.
Ata do FOMC
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 16 de setembro
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 14 de agosto de 2026.
Em uma semana sem indicadores mais relevantes na agenda, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação da ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que manteve taxa de juros estável, no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.
- Adicionalmente, três dos doze membros do Comitê votaram a favor de uma alta de juros imediata – os presidentes regionais Neel Kashkari (Minneapolis), Lorie Logan (Dallas) e Beth Hammack (Cleveland).
- Por outro lado, a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, gerou uma impressão de menor comprometimento com a busca pela estabilidade de preços.
Por que isso é importante: Ao buscar “corrigir o registro”, o documento pode mostrar uma preocupação maior dos membros do FOMC com a inflação acima da meta, sugerindo uma disposição para manter os juros mais elevados a fim de recuperar a estabilidade de preços.
- Isto, por sua vez, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.
Corrigindo o registro: A ata da decisão do FOMC pode ajudar a desfazer o desconforto causado pelas declarações de Warsh na coletiva de imprensa.
- Por exemplo, ela deve explicar por que o FOMC preferiu manter os juros estáveis se haveria tamanho incômodo com a inflação acima da meta, algo que Warsh se recusou.
- Além disso, ela pode oferecer pistas sobre quais critérios poderiam levar o Fed a aumentar juros no futuro, algo que Warsh também não quis dizer.
- Por fim, é pouco provável que o documento faça alguma menção à qualidade dos índices inflacionários, tema abordado indiretamente por Warsh na coletiva.
Alta de juros em dúvida: Desde a decisão de 29 de julho do FOMC, investidores apostam cada vez menos na possibilidade de altas de juros no curto prazo.
- O principal fator para esse movimento foi a percepção de um Fed menos disposto a aumentar juros após a coletiva de imprensa de Warsh, como mencionado acima.
- Porém, os dados econômicos mais recentes também têm sugerido uma economia americana menos aquecida que o antecipado, sugerindo que talvez não haja urgência para juros mais elevados.
- Os Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) apresentaram leituras moderadas por dois meses consecutivos.
- Da mesma forma, os números para o mercado de trabalho foram mais fracos que o estimado também por dois meses seguidos.
- Na semana passada, as vendas do varejo surpreenderam ao mostrar uma retração de 0,6% no mês de julho, bem abaixo do esperado.
- Porém, em sentido contrário, a reescalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio em julho voltou a impulsionar os preços globais de petróleo, elevando temores de pressões inflacionárias no segundo semestre.
Fique ligado: Antes da próxima decisão de juros do Federal Reserve, em 16 de setembro, ainda serão divulgados mais uma leitura mensal do CPI, do PPI e do mercado de trabalho americano.
- Até lá, os membros do FOMC devem adotar uma postura mais neutra, esperando acumular mais evidências sobre os riscos inflacionários para os Estados Unidos.
- Adicionalmente, será importante observar o discurso de Kevin Warsh no importante Simpósio de Jackson Hole, em 28 de agosto.
- Nos anos anteriores, o discurso do presidente do Fed em Jackson Hole trouxe informações importantes sobre a condução da política monetária americana e influenciou as expectativas de investidores quanto à trajetória dos juros no país.
Tensões comerciais entre Brasil e EUA
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Na semana passada, o governo brasileiro iniciou o processo para adotar a Lei de Reciprocidade contra os EUA em resposta às tarifas anunciadas recentemente pelo governo norte-americano.
- Embora nenhuma medida seja adotada imediatamente, investidores temem uma piora do relacionamento comercial e diplomático entre as duas nações.
Por que isso é importante: O acirramento das tensões comerciais entre Brasil e EUA tende elevar a percepção de riscos de ativos nacionais, afastando capitais externos e enfraquecendo o real.
- Adicionalmente, um acirramento das tensões com o segundo maior parceiro comercial brasileiro pode prejudicar as exportações do país, reduzindo a expectativa de entrada de moeda estrangeira e enfraquecendo o real.
Em detalhes: O governo brasileiro comunicou o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) que notificou o governo dos EUA sobre o início da adoção da Lei de Reciprocidade e solicitou a realização de consultas diplomáticas.
- Nesse momento, nenhuma tarifa adicional será aplicada. Inicialmente, será iniciado um processo de análise das medidas externas consideradas prejudiciais, dos setores nacionais impactados, além de uma estimativa do impacto econômico.
- Na nota emitida pelo governo federal, a etapa de consulta diplomática tem como objetivo “mitigar ou anular” as medidas norte-americanas e eventuais contramedidas brasileiras, indicando que prioriza o diálogo antes de adotar medidas de retaliação.
Setores afetados: O governo brasileiro segue realizando estudos sobre quais contramedidas seriam adotadas sem trazer prejuízos para o país.
- Segundo reportagens, as medidas retaliatórias podem incluir restrições sobre remessas de dividendos e royalties do audiovisual, taxações sobre esses fluxos e quebra de patentes de medicamentos farmacêuticos e agrícolas.
- Os setores impactados seriam aqueles que favorecem sobretudo os EUA na balança comercial.
Panorama: No mês passado, os EUA aplicaram tarifas sobre as exportações brasileiras que chegam a até 37,5% para alguns produtos.
- A medida americana foi amparada pelas seções 232 e 301 da Lei de Comércio, baseada em alegações de que o Brasil estaria adotando práticas comerciais injustas e uma legislação ineficiente para combater práticas de trabalho forçado.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.