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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir Simpósio de Jackson Hole, dados de inflação nos EUA e no Brasil e corrida eleitoral nacional

  • Altista
  • Discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole deve detalhar como o Federal Reserve pretende recuperar a estabilidade de preços nos EUA, aumentando as apostas de investidores por novas altas de juros no curto prazo e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Uma leitura benigna da inflação no Brasil tende a reforçar as apostas de continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), reduzindo a atração de capitais externos e enfraquecendo o real.
  • Baixista
  • Números moderados para inflação e PIB nos EUA devem reforçar a percepção de uma economia menos aquecida, diminuindo apostas de novas altas de juros no curto prazo e enfraquecendo o dólar globalmente.
  • Reportagens de investigações envolvendo o filho do presidente Lula aumentam as expectativas de uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, diminuindo a percepção de riscos políticos de ativos nacionais e favorecendo o desempenho do real.

Resumo da semana passada

  • Em semana esvaziada de indicadores, a notícia de ampliação das operações de recompra de títulos (Treasuries) de longo prazo pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos foi o principal direcionador para os mercados financeiros globais.
  • A medida significa que o governo comprará mais Treasuries e sinalizou uma maior oferta de dólares no mercado, o que desvalorizou o dólar. Além disso, indicou que o governo não possui interesse em reduzir o déficit público, elevando a percepção de riscos inflacionários.

 

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 136260

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -1,05% | Semanal: -1,52% | Mensal: +1,43% | Anual: -6,15% | Em 12 meses: -6,15%


Variações do dollar index | Diária: -0,07% | Semanal: -0,84% | Mensal: -1,09% | Anual: +0,49% | Em 12 meses: +0,15%

 

O MAIS IMPORTANTE: Discurso de Warsh em Jackson Hole

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 21 de agosto de 2026image 136261

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O mercado de divisas deve repercutir o discurso da próxima sexta-feira (28) do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no importante Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole, buscando calibrar expectativas para a trajetória dos juros americanos.

 

Por que isso é importante: É provável que o discurso de Warsh buscará ser mais específico em como o Federal Reserve pretende recuperar a estabilidade de preços nos EUA, aumentando as apostas de investidores por novas altas de juros no curto prazo.

  • Isto, por sua vez, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Panorama: Nesta semana ocorre o importante Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole, realizado pelo Federal Reserve de Kansas City, de quinta-feira (27) a sábado (29).

  • O evento contará com palestras de diversas autoridades de bancos centrais de todo o mundo, e investidores devem acompanhar com especial atenção o primeiro discurso de Warsh no evento como presidente do Federal Reserve, na sexta-feira (28).

 

O que esperar: Nos anos anteriores, o discurso do presidente do Fed em Jackson Hole trouxe informações importantes sobre a condução da política monetária americana nos meses seguintes, influenciando as expectativas de investidores quanto à trajetória dos juros nos Estados Unidos.

  • Warsh seguramente abordará as reformas pretendidas ao arcabouço intelectual que baseia a condução da política monetária no Federal Reserve através das cinco forças-tarefas anunciadas em junho.
  • Por exemplo, ele deve falar sobre o papel do balanço patrimonial do Fed na condução da política monetária, sobre como isso se articula com a definição do nível dos juros, sobre os possíveis efeitos desinflacionários das novas tecnologias de inteligência artificial e sobre como deve ser a comunicação do banco central.
  • Porém, como o novo presidente do Fed se recusa a fornecer qualquer tipo de orientação futura (foward guidance) para investidores, há dúvidas se ele manterá essa tradição de detalhar o balanço de riscos para a economia americana e as perspectivas para os juros no curto prazo.

 

Corrigindo o registro? Do ponto de vista dos investidores, há uma forte demanda por uma melhor compreensão de como o Federal Reserve atuará sob a gestão de Warsh.

  • A coletiva de imprensa da decisão de juros de 29 de julho prejudicou a credibilidade do Fed junto a operadores do mercado financeiro, que receberam negativamente as respostas vagas e evasivas de Warsh sobre como o banco central se comportaria caso a inflação permanecesse elevada.
  • Adicionalmente, também foram mal-recebidas sugestões de que o Fed poderia combater a inflação sem aumentar juros e que poderia haver mudanças nas métricas utilizadas como referência para a meta do banco central.
  • Por isso, há uma possibilidade de que Warsh seja mais específico e detalhado em seu discurso, buscando, de certa forma, “corrigir o registro” e desfazer o desconforto da coletiva de imprensa.

 

Alta de juros em dúvida: Desde a decisão de juros de 29 de julho, investidores apostam cada vez menos na possibilidade de altas de juros no curto prazo pelo Federal Reserve.

  • O principal fator para esse movimento foi a percepção de um Fed menos disposto a aumentar juros após a coletiva de imprensa de Warsh.
  • Porém, os dados econômicos mais recentes também têm sugerido uma economia americana menos aquecida que o antecipado, sugerindo que talvez não haja urgência para juros mais elevados.
  • Tanto os índices inflacionários como os dados para mercado de trabalho apresentaram leituras moderadas por dois meses consecutivos.
  • Adicionalmente, embora o Fed seja independente, as eleições legislativas de novembro diminuem a probabilidade de uma alta de juros nas decisões de setembro e outubro, pois há um risco de ser interpretada como uma interferência política se não houver uma fundamentação cristalina.
  • Porém, em sentido contrário, a reescalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio em julho voltou a impulsionar os preços globais de petróleo, elevando temores de pressões inflacionárias no segundo semestre.

 

Dados econômicos nos EUA

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Medidas de inflação para os Estados Unidos (%)image 136262

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 14 de agosto de 2026.

Além do discurso de Jackson Hole, investidores devem reagir à divulgação de alguns indicadores relevantes para avaliar a evolução da economia americana, influenciando as expectativas de investidores para a condução da política monetária.

 

Por que isso é importante: Números moderados para inflação e PIB nos EUA devem reforçar a percepção de uma economia menos aquecida, diminuindo apostas de novas altas de juros pelo Fed no curto prazo.

  • Isto, por sua vez, reduziria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e prejudicaria a atração de capitais estrangeiros para o país, enfraquecendo o dólar globalmente.

 

Estimativas: A mediana das estimativas para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), métrica utilizada pelo Fed para acompanhar a inflação para o consumidor, aponta que sua variação mensal passará de -0,1% em junho para 0,1% em julho.

  • Já o núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, deve passar de 0,1% para 0,2% no período.
  • Por sua vez, a estimativa mediana para a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre aponta para manutenção de sua taxa anualizada de crescimento em 1,5%.
  • Tais números, se confirmados, reforçam a percepção de uma economia americana menos aquecida que o antecipado, diminuindo a urgência de novas altas de juros pelo Fed.

 

Cenário eleitoral doméstico

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Com o início oficial do período eleitoral, os mercados financeiros seguem atentos às atualizações do cenário eleitoral no país, buscando calibrar suas expectativas para a condução das políticas econômicas brasileiras pelos próximos quatro anos.

  • Em particular, investidores devem repercutir notícias sobre investigações que envolvem o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que podem prejudicar a viabilidade de sua campanha pela reeleição.

 

Por que isso é importante? Investidores julgam que as notícias aumentam as chances de uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, diminuindo a percepção de riscos políticos de ativos nacionais e favorecendo o desempenho do real.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.

 

Caso Lulinha: Na quinta-feira passada (20), houve o vazamento de documentos relacionados à investigação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para jornalistas.

  • Segundo as reportagens, a Polícia Federal (PF) apontou que Lulinha atuava em “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger, negociando contratos com o governo federal.
  • Além desse caso, Lulinha é alvo de mais duas investigações da PF.

 

Divulgação de pesquisas: Na segunda-feira (24) será divulgada mais uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República, que pode apontar possíveis impactos dos vazamentos relacionados à investigação de Lulinha sobre os eleitores.

  • Na última segunda-feira (17), pesquisa do BTG/Nexus apontou que Lula manteve a liderança no primeiro turno com 41% das intenções de voto, ante 40% registrados na pesquisa anterior, enquanto Flávio Bolsonaro também aumentou suas intenções de voto de 35% para 36%.
  • Já em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, foi registrado estabilidade em relação à pesquisa da semana anterior, com os candidatos mantendo 47% e 44% das intenções de voto, respectivamente, um cenário de empate técnico.

 

Inflação no Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

IPCA-15 acumulado em 12 meses (%) image 136263

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Os investidores devem repercutir, também, a divulgação da leitura de agosto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), buscando calibrar suas expectativas para a trajetória inflacionária e a condução da política monetária nacional.

 

Por que isso é importante: A desaceleração do IPCA-15 deve elevar as apostas dos investidores por uma continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), reduzindo os rendimentos dos títulos públicos nacionais e dificultando a atração de capitais externos, o que enfraqueceria o real.

 

Estimativas: A mediana das estimativas aponta que a variação mensal do IPCA-15 deve passar de 0,06% em julho para -0,3% em agosto.

  • Esse valor deve ser influenciado pela queda dos preços de alimentos, transportes e vestuário, bem como pelo alívio temporário nas contas de energia elétrica por conta de um crédito extraordinário no mês.
  • Já o núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, deve se manter ao redor de 0,25%, reforçando a percepção de moderação inflacionária no país.

 

Copom adota tom mais neutro: Desde o último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), as autoridades do Banco Central têm adotado um tom mais neutro sobre a condução da política monetária.

  • No comunicado publicado após a decisão, o Copom voltou a dizer que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”, mas descreveu um quadro inflacionário ainda preocupante e que seus próximos passos procurarão manter “a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

 

Perspectivas: Tendo em vista a falta de uma sinalização clara sobre os próximos passos, o acompanhamento da trajetória inflacionária no país será fundamental para os investidores calibrarem suas expectativas.

  • Até a próxima decisão de juros pelo Copom, em meados de setembro, haverá a divulgação da leitura de agosto do IPCA.
  • Vale ressaltar que na ata da última reunião, o Copom sinalizou uma assimetria altista de riscos inflacionários (isto é, maior risco de uma inflação mais acelerada do que mais moderada) e um descolamento das expectativas inflacionárias de investidores em relação à meta para 2027 e 2028, o que deve elevar a cautela das autoridades monetárias.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

 

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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