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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir corrida eleitoral no Brasil, CPI nos EUA e IPCA

  • Altista
  • A persistência de dúvidas sobre a trajetória da inflação americana pode elevar as apostas dos investidores em novas altas de juros pelo Fed, pressionando os rendimentos dos títulos do Tesouro do país (Treasuries) e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Uma leitura benigna da inflação no Brasil pode consolidar as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), reduzir o diferencial de juros e enfraquecer o real.
  • Baixista
  • O fortalecimento da percepção de uma disputa eleitoral mais equilibrada, ao ampliar a possibilidade de alternância de governo e de uma condução fiscal mais conservadora, pode reduzir o prêmio de risco dos ativos nacionais e favorecer o real.

Resumo da semana passada

  • Na última semana, o cenário eleitoral foi o principal vetor da taxa de câmbio do real. Pesquisas de intenção de voto para presidente, somado ao noticiário político, reforçaram a percepção de uma eleição mais acirrada, elevando as perspectivas de mudança de governo.
  • Na agenda de indicadores econômicos, o Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) de agosto veio mais forte do que o esperado, elevando as apostas de alta de juros nos EUA no curto prazo.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 137068

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: +0,53% | Semanal: -1,31% | Mensal: -0,99% | Anual: -6,33% | Em 12 meses: -5,82%


Variações do dollar index | Diária: +0,16% | Semanal: -0,52% | Mensal: -0,28% | Anual: +0,83% | Em 12 meses: +0,86%

O MAIS IMPORTANTE: Cenário político e eleitoral brasileiro

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Na esfera política doméstica, os mercados financeiros seguem acompanhando os avanços da corrida eleitoral para as eleições presidenciais em outubro.

  • Durante a semana, serão divulgadas novas pesquisas de intenção de voto na segunda (07) e terça-feira (08), que devem ajudar os investidores a verificarem possíveis efeitos do noticiário recente sobre as campanhas eleitorais.

 

Por que isso é importante? Uma disputa eleitoral acirrada pode diminuir a previsibilidade sobre as políticas econômicas brasileiras para os próximos quatro anos, aumentando a percepção de riscos de ativos nacionais, amplificando a volatilidade e prejudicando o desempenho do real.

  • Em particular, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
  • Por isso, uma maior perspectiva de mudança de governo tende a diminuir a percepção de risco de ativos nacionais e favorecer o desempenho do real.

 

Eleições disputadas: Pesquisas de intenção de voto recentes têm sinalizado um estreitamento da vantagem do presidente Lula sobre o senador Flavio Bolsonaro, embora ambos ainda estejam em empate técnico.

  • A última pesquisa divulgada, elaborada pelo Datafolha na quinta-feira (03), indicou Lula com 46% e Flavio Bolsonaro com 44% das intenções de voto, ante 47% e 43%, respetivamente, no levantamento anterior.
  • Apesar do empate técnico, analistas apontam que um cenário de “50/50” (quando ambos os candidatos apresentam praticamente as mesmas chances de vitória) não esteja totalmente precificado pelos mercados financeiros, o que pode gerar movimentações caso a leitura de eleições acirradas se reforce.

 

Tensões no STF: A última semana foi marcada por notícias envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

  • Os investidores interpretam que a notícia possa prejudicar a candidatura de Lula, embora não exista uma relação direta, e favorecer a perspectiva de mudança de governo.

 

Produção do filme Dark Horse: Por outro lado, na quinta-feira (03), foi noticiado que a Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, que realizou os repasses em dólar do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”.

  • Segundo as notícias, Freixo Junior deu detalhes sobre os repasses feitos ao Havengate Development Fund, fundo indicado por Flavio Bolsonaro para financiar o filme.
  • Nesse sentido, tendo em vista os possíveis impactos das últimas notícias em ambas as candidaturas, investidores buscam verificar efeitos nas próximas pesquisas de intenção de voto.
  • Diante de notícias com potenciais impactos sobre as duas candidaturas, os investidores devem observar as próximas pesquisas em busca de sinais mais claros sobre seus efeitos na corrida eleitoral.

 

Dados de inflação nos EUA

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 16 de setembroimage 137069

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 04 de setembro de 2026.

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) americano de agosto, buscando calibrar expectativas para a trajetória dos juros do país.

 

Por que isso é importante: A inflação americana não deve sinalizar claramente uma tendência de estabilização, o que aumentaria as apostas de investidores por novas altas de juros pelo Federal Reserve, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Estimativas: Após dois meses de números moderados para a inflação americana, analistas antecipam uma leitura um pouco mais aquecida para o mês de agosto.

  • A mediana das projeções para o CPI aponta que a variação mensal deve passar de 0,1% em julho para 0,4% em agosto, enquanto o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, deve repetir uma variação mensal de 0,2%.
  • Isto levaria o núcleo da inflação acumulada em 12 meses de 2,5% para 2,4%, e reduziria a média anualizada dos últimos três meses para 1,6%.
  • Já a mediana das projeções para o PPI aponta para leve aceleração no período, de 0% para 0,3% no índice cheio e de 0,2% para 0,3% em seu núcleo.

 

Alta de juros em dúvida: Caso as projeções se confirmem, o CPI deve oferecer argumentos para ambos os lados do debate. A aceleração do índice cheio dificultaria uma sinalização mais confortável do Fed, enquanto a moderação do núcleo reduziria a evidência de uma piora disseminada da inflação.

  • A leitura, portanto, pode não atender plenamente à exigência de estabilização inflacionária “de forma clara e a uma velocidade suficiente”, apresentada por Kevin Warsh em Jackson Hole, mas também não caracterizaria uma deterioração inequívoca das pressões subjacentes.
  • Na semana passada, integrantes do Fed, como o presidente da instituição em Nova Iorque, John Williams, e o membro do Conselho de Governadores Christopher Waller, indicaram que precisariam observar uma piora das tendências de inflação para defender uma alta dos juros.

 

“Payroll” mais forte em agosto: Na semana passada, o Relatório da Situação do Emprego surpreendeu investidores ao mostrar números bem mais fortes que o antecipado para o mercado de trabalho americano, suavizando a leitura de fraqueza causada pela leitura dos dois meses anteriores.

  • Os Estados Unidos tiveram um saldo líquido de 162 mil empregos no mês de agosto, bem acima da estimativa mediana de geração de 55 mil empregos.
  • Além disso, os dados dos meses anteriores foram revisados para cima, aumentando em 55 mil o total de empregos originalmente reportados.
  • Adicionalmente, a taxa de desemprego se manteve em 4,1% mesmo com uma recuperação da taxa de participação de 61,4% para 61,6%.
  • Essa leitura aponta para um mercado de trabalho mais saudável e estável, reforçando que o balanço de riscos da economia americana está muito mais inclinado para a inflação do que para o desemprego e aumentando a importância da divulgação do CPI para a decisão de juros do Fed de setembro.

Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidosimage 137070

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Inflação no Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 28 de agosto de 2026image 137071

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Na agenda de indicadores domésticos, os investidores devem repercutir a leitura de agosto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve ajudar na calibração das expectativas para a condução da política monetária no país.

  • Segundo o último Boletim Focus, a estimativa mediana dos agentes financeiros é de deflação de 0,21%, o que desaceleraria a inflação acumulada em 12 meses de 4,44% para 4,34%, mantendo o indicador dentro do intervalo de tolerância da meta.
  • A leitura mensal deve ser puxada pelas quedas dos preços de alimentos, energia elétrica e transportes, com destaque para o efeito temporário do bônus de Itaipu sobre as contas de luz.

 

Por que isso é importante: Uma leitura benigna do IPCA tende a consolidar as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic, reduzindo os rendimentos dos títulos públicos nacionais e o diferencial de juros em relação ao exterior, o que pode enfraquecer o real.

 

Copom deve ser mais cauteloso: Desde o último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), as autoridades monetárias têm adotado um tom mais neutro, reforçando que dependerá dos próximos indicadores econômicos para definir os próximos passos na condução da política monetária.

  • Na ata da última reunião, o Copom sinalizou uma assimetria altista de riscos inflacionários (isto é, maior risco de uma inflação mais acelerada do que mais moderada) e um descolamento das expectativas inflacionárias de investidores em relação à meta para 2027 e 2028, o que deve elevar a cautela das autoridades monetárias.

 

Perspectivas: A projeção mediana do Boletim Focus indica que deve ocorrer um corte da Selic na próxima reunião, de 14,00% para 13,75% ao ano, mas que deve ser o último do ano. 

  • Por um lado, uma leitura mais fraca do Produto Interno Bruno (PIB) no segundo trimestre somada a uma perspectiva de desaceleração da inflação em agosto reforçam as apostas de mais cortes.
  • Por outro lado, a taxa de desemprego em 5,3%, próximo das mínimas históricas, favorece a leitura de mercado de trabalho aquecido e pode limitar as apostas de mais cortes.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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