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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Clima, logística e câmbio suportam as
cotações de café
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
Além do sentimento construtivo em meio a redução na oferta, os problemas logísticos e a nova onda da Covid-19 no Vietnã levou os preços de robusta a máxima de 4 anos
 
 
Resumo

•    Preços de café arábica avançaram 1070 pontos em NY e Indicador Cepea avança 3,1%, para R$ 1.075/saca
•    Robusta avança USD 136 (7,2%) em Londres, 1.700 VND/kg (4,5%) em Dak Lak e R$ 31,52/sc (4,8%) no Brasil
•    Dólar terminou a semana com queda de 3,3%, fechando a semana em USDBRL 5,196
•    Previsão de clima seco no Brasil segue preocupando o mercado
•    Balanço de O&D negativo em 2021/22 sustenta cotações
•    Perda pelas geadas estimadas entre 2 e 10 milhões de sacas; Emater-MG aponta para perdas pela geada de 3,5 milhões de sacas em MG
•    Crise na logística mundial provoca forte alta no custo dos fretes e preocupa mercado
•    Nova onda da Covid-19 no Vietnã provoca novo lockdown e acentua problema logístico
•    Ocorrência do La Niña pode provocar perdas e preocupa os agentes
•    Pioram as expectativas de crescimento e inflação da economia brasileira em 2021
•    PIB do 2º trimestre no Brasil e relatório de empregos em agosto nos EUA devem influenciar câmbio na semana

 

Na última semana, os preços de café arábica avançaram 1070 pontos (5,89%) em relação à sexta-feira anterior (20) para terminar o período a US₵ 191,20/lb para o contrato mais ativo (dezembro). Os preços de café reagiram à forte queda do dólar, ao clima seco no Brasil, aos problemas logísticos causados pela pandemia e ao novo surto da Covid-19 no Vietnã. No mercado doméstico, mesmo com a queda do dólar na semana, a forte alta em Nova Iorque suportou novos ganhos para os preços de café. O indicador CEPEA avançou 3,1% nos preços de café arábica, que fecharam a semana cotados a R$ 1075,88 por saca.
Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 23/08 a 27/08
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.
Do ponto de vista fundamental, o sentimento do mercado continua construtivo, devido à forte redução na produção brasileiras e os problemas ligados ao clima. A forte queda na produção brasileira em 2021/22, resultado da bienalidade negativa e do clima seco no final de 2020 e no primeiro semestre de 2021, resultará em um déficit no balanço de oferta e demanda mundial na temporada 2021/22 – as estimativas para o balanço de oferta e demanda em 2021/22 variam de -2,6 a -13 milhões de sacas. 

Além disso, a ocorrência da geada afetou o potencial para a próxima safra de café no país. Várias organizações apontam para perdas entre 2 e 10 milhões de sacas, sendo que o sentimento do mercado é que as perdas seriam em torno de 5 milhões de sacas. Recentemente, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG), divulgou suas estimativas para as perdas causada pela geada no estado de Minas Gerais. Segundo a empresa, 19% das áreas de café foram atingidas, o que representaria 173,7 mil hectares, com uma perda potencial de 3,47 milhões de sacas.
 
No início da semana passada, os modelos climáticos apontavam para o retorno das chuvas no início do mês de setembro. Porém, as atualizações dos últimos relatórios mostram um cenário diferente – o relatório de clima da StoneX, que se baseia nos dados da agência americana NOAA, através do modelo GFS, indicam que estas chuvas não devem ocorrer nos próximos dias. Apesar deste cenário, existe a expectativa do retorno das chuvas nas regiões produtoras a partir da segunda semana de setembro; importante notar que estes modelos podem mudar, portanto o monitoramento diário é necessário. O retorno das chuvas neste momento contribuiria para a recuperação das lavouras, que estão sob estresse hídrico, além de promover a abertura da florada. Além disso, é importante lembrar que os modelos do NOAA apontam para uma probabilidade de 70% na ocorrência do La Niña no final do segundo semestre e no início de 2022, o que poderia resultar em excesso de chuva na América Central, Colômbia e Ásia, fator que também deve ser monitorado.

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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.

Como será abordado em sessão específica, o mercado de café tem reagido aos sérios problemas logísticos, resultado da pandemia da Covid-19. Além disso, um novo surto da doença tem provocado sérios problemas no Vietnã, maior produtor e exportador de café robusta do mundo. 

Nas próximas semanas, os problemas ligados ao clima no Brasil, logística e ao novo surto da Covid-19 no Vietnã estarão no foco dos participantes, fatores que favorecem um cenário com viés mais altista para os preços. Além disso, vale destacar atenção especial aos dados de exportação de alguns países que serão divulgados nas próximas semanas, com destaque para as exportações do Vietnã, Brasil e Colômbia.

Ademais, o mercado esteve de olho na chegada da furação IDA, que atingiu a região sul do estado americano da Luisiana na tarde do domingo e que foi classificado como furacão categoria 4, ou seja, ventos superiores a 210 km/h. No momento em que este relatório foi escrito, a categoria do furacão havia sido reduzida para nível 3. Para o café, a grande preocupação são os armazéns da commodity que ficam localizados na costa americana. Segundo os dados da GCA, mais de 350 mil sacas de café estão armazenadas em Nova Orleans, no estado da Luisiana. Em 2005, os armazéns no porto de Nova Orleans foram severamente danificados devido a chegada do furacão Katrina. 

Falta de contêineres continua a impactar a cadeia de fornecimento do café
Enquanto o mundo enfrenta surtos contínuos de Covid-19 e novas restrições e bloqueios, o mercado de café continua a se deparar com desafios na disponibilidade de contêineres, colocando ainda mais pressão sobre a cadeia de oferta.

“O café brasileiro ainda está em disputa para conquistar espaço nos navios e ser embarcado na hora certa. Os atrasos têm gerado dificuldades operacionais sem precedentes para os exportadores e, sobretudo, um ônus financeiro decorrente da falta de fluxo de caixa planejado para este cenário inimaginável. Vale lembrar que isso ocorre simultaneamente a uma realidade de mercado em que os preços atingem os patamares mais elevados dos últimos anos e a colheita da safra brasileira está em torno de 80%”, disse o presidente do Cecafé, Nicolas Rueda.

Na Colômbia, a indisponibilidade dos contêineres está mais uma vez impedindo o café colombiano de chegar ao seu destino porque algumas empresas de transporte não estão atracando nos portos do Pacífico colombiano, causando um atraso nas exportações de café. A interrupção começou em 20 de agosto, quando a agência marítima Hamburg Sud se recusou a atracar no porto de TcBuen, no Pacífico, um dos quatro terminais na cidade de Buenaventura. Outras companhias de navegação, incluindo a MSC, não estão atracando na Sociedad Portuaria de Buenaventura.

A China está pagando de USD 10 mil a USD 15 mil em frete por contêiner, enquanto os exportadores de café pagam até USD 2,5 mil por contêiner, levando as empresas de navegação a preferir pelo cliente que paga mais pela carga, resultando na escassez de navios porta-contêineres dispostos a levar o café colombiano aos mercados internacionais de Buenaventura. Desde o começo de 2021, 47 navios foram cancelados ou reprogramados, enquanto 171 contêineres foram afetados.

No Vietnã, os produtores de café encaram restrições causadas pela Covid-19 além da contínua escassez de contêineres. Além disso, o bloqueio do Canal de Suez no início deste ano interrompeu a capacidade dos navios de voltar à China para retomar suas rotações, além da escassez de contêineres. Isso foi agravado por um aumento dos produtos dentro dos contêineres durante o lockdown nos Estados Unidos, uma vez que as importações aumentaram nos pedidos de permanência da população em casa.

Vimos uma consolidação das transportadoras marítimas, o que levou a uma redução da capacidade. Os navios são relativamente pequenos da América do Sul para a América do Norte, a rota usada pela maior parte do café do mundo, e o envio de navios maiores não era financeiramente justificável. Além disso, os contêineres de café são pesados; consequentemente, as transportadoras exigiam um prêmio de 300-400% ou mais para abrir espaço para o café.

Além disso, os contêineres marítimos são fabricados na China, portanto, quando o país está em lockdown, não há contêineres. Estima-se que existam 51 embarcações disponíveis em todo o mundo sem capacidade disponível no momento. Embora novas embarcações estejam sendo construídas, elas não devem estar disponíveis até 2023-2024.

Cotações de café robusta atingem máxima em 4 anos em Londres
O robusta teve um forte começo na semana passada, assim como na quinta e sexta-feira, impulsionado pela aplicação de novas restrições de bloqueio conforme os casos de Covid-19 continuam aumentando. Um bloqueio rígido foi aplicado em Ho Chi Minh, uma das maiores cidades exportadoras de café do Vietnã. Relatos indicam que os cidadãos atualmente não têm permissão para deixar suas casas, o que obviamente terá implicações para a cadeia de abastecimento em um momento em que os fluxos de café do Vietnã já estão sendo adiados devido à escassez de contêineres e aperto na oferta antes da nova temporada. Assim, os receios do lado da oferta foram os verdadeiros impulsionadores do aumento dos preços ao longo da semana. As exportações continuam de 1,5 milhão de sacas atrás do ano passado, e os estoques certificados seguem uma tendência de queda constante desde o final de maio. Infelizmente, os dados da alfândega vietnamita não mostraram nenhuma indicação do impacto sobre as exportações por duas a três semanas, mas uma grande queda nos embarques obviamente serviria para fornecer mais combustível para esse incêndio. Até então, a ação dos preços em torno disso provavelmente será impulsionada por reportagens da mídia.

A região das Terras Altas do Centro deve receber chuvas moderadas a fortes esta semana, com temperaturas médias em torno de 25°C. Na sequência de uma queda na densidade da vegetação no início do mês, as chuvas recentes ajudaram no desenvolvimento da safra. Os bons níveis esperados devem continuar a promover o desenvolvimento e fornecer reservas de umidade que, com sorte, serão adequadas para o estágio de preenchimento.

Até o fechamento da última quinta-feira, o contrato mais ativo de novembro/21 havia subido 7,0% na comparação semanal, conseguindo ultrapassar USD 2.000/t pela primeira vez em quatro anos na sexta-feira, em meio à crescente preocupação com o impacto do bloqueio em Ho Chi Minh sobre os embarques vietnamitas. Os preços em Dak Lak (Vietnã) também foram impactados, avançando 4,5% na semana. Relatos indicam que os exportadores estão lutando para transportar os grãos para embarque nos portos, o que se agrava com a contínua escassez de contêineres e fretes altos, bem como um aperto geral na oferta conforme nos aproximamos do final da temporada. A Associação Café-Cacau vietnamita solicitou ao governo que abrandasse as restrições, com o Ministro dos Transportes ordenando às autoridades do sul do país que ajudassem na movimentação de produtos agrícolas, incluindo café.

Cotações de café robusta na ICE Londres vs. Indicador CEPEA
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Fonte:  ICE London, Cepea. Elaboração: StoneX.
Não bastasse as altas nos preços domésticos do café robusta em função da maior demanda pela variedade após as geadas que afetaram as lavouras de café arábica, os avanços na bolsa de Londres também têm contribuído sigam renovando semanalmente suas máximas históricas. Na última semana, o indicador CEPEA de café robusta encerrou cotado a R$ 683,65/saca, registrando uma alta de 4,8% frente a sexta-feira anterior. Com isso, as cotações no Brasil caminham para encerrar o mês de agosto com valorização acima de 17% em relação ao fechamento de julho, quando o indicador CEPEA encerrou cotado a R$ 580,56/saca.

Neste contexto, os diferenciais entre os preços domésticos e bolsa do café robusta, que se mantiveram em valores negativos de forma praticamente constante nos últimos anos, se inverteram desde o início do mês, apontando para o café valendo mais nas praças brasileiras do que na bolsa. Caso continuem se mantendo nestes patamares – que ao que tudo indica, permanecerão por algum tempo – o reflexo deste efeito tende a ser observado nas exportações brasileiras do robusta, que devem se enfraquecer nos próximos meses.

PIB do Brasil e Empregos no EUA em agosto devem afetar o mercado cambial na semana
Na última semana, os avanços das cotações do café em Nova Iorque foram favorecidos pela queda no dólar no mercado cambial brasileiro. O par real/dólar recuou 3,3% para encerrar a sexta-feira (27) cotado a R$ 5,196, maior queda semanal desde maio e interrompendo uma sequência de três semanas consecutivas em valorização. Um ambiente interno relativamente mais tranquilo, e a retomada do apetite por risco no exterior, com o dollar index recuando de suas máximas desde novembro de 2020 e os principais índices acionários americanos renovando suas máximas históricas, impulsionaram a recuperação da moeda brasileira na semana.
No exterior, a fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole na sexta-feira trouxe algum alívio aos agentes. Ao não oferecer novos detalhes sobre a redução no programa de compra de títulos do Fed, Powell sinalizou não ter pressa para iniciar o ciclo contracionista para a política monetária nos Estados Unidos. Apesar de afirmar que esta deve acontecer ainda neste ano, o chairman indicou que é necessário cautela para este movimento, considerando as incertezas imposta pelo avanço da nova variante da Covid-19 e os riscos que uma ação desordenada pode provocar na recuperação do mercado de trabalho. As afirmações de que a redução do programa de compra de ativos não possui qualquer conexão com uma elevação da taxa de juros, que deve permanecer no atual patamar por ainda algum tempo, também foi recebida de forma positiva pelos investidores. Desta forma, o mercado deve aguardar pelo relatório oficial de situação de emprego dos Estados Unidos, que será divulgado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) na próxima sexta-feira (3), a fim de entender como tem sido a recuperação dos empregos no primeiro mês do avanço da nova onda de covid-19 no país.

Internamente, apesar da recuperação observada no real, é importante destacar uma piora na percepção dos agentes em relação aos principais indicadores econômicos. A pesquisa de mercado realizada pelo Boletim Focus do Banco Central desta segunda-feira indicou uma deterioração das expectativas para o PIB brasileiro pela terceira semana seguida. A mediana das projeções aponta que os agentes esperam que o PIB do Brasil cresça 5,22%, contra 5,27% na última semana e 5,3% há quatro semanas. Na quarta-feira (1), o IBGE divulgará o resultado do PIB do segundo trimestre, que deve ser fundamental para a formação das expectativas dos agentes quanto à recuperação da economia brasileira. As projeções dos analistas indicam que PIB deva sofrer uma desaceleração de 1,2% no primeiro trimestre para 0,2%.

O Boletim Focus também ampliou as projeções para a inflação pela 21ª semana seguida, com a mediana das projeções do mercado indicando que o IPCA deva encerrar 2021 a 7,27%, contra 7,11% na última semana e 6,79% há 4 semanas. O resultado reflete a publicação da última semana da prévia do IPCA de agosto, que apontou para uma aceleração da inflação, puxada principalmente por altas no setor de transporte, alimentação, artigos de residência e habitação. 

As sinalizações de que a energia elétrica deva encarecer novamente, segue como ponto de preocupação neste sentido. De acordo com apuração feita por veículos de comunicação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), deve em breve realizar novo ajuste de até 58% no valor da bandeira vermelha patamar 2, elevando o valor cobrado por cada 100kWh de R$ 9,49 para cerca de R$ 14,00. A Aneel já havia colocado em vigor no mês de julho um aumento de 52% do preço da bandeira vermelha 2. Caso se confirme, a decisão ocorrerá em função do agravamento do problema da crise hídrica, com a continuidade da redução do nível dos reservatórios das hidrelétricas nos últimos meses. Tal elevação pode acarretar efeitos negativos sobre a atividade econômica, com impactos sobre os custos produtivos da indústria, e prejudicando ainda mais o poder de compra da população. Vale ressaltar que a energia elétrica é o segundo subitem com maior peso no cálculo do índice IPCA (peso de 4,4%), atrás apenas de gasolina (peso de 5,1%).

Agenda Semanal
BRASIL
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eSTADOS uNIDOS
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* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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