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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Café avança quase 1000 pontos em NY e encerra semana em máxima em 2 meses
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
Aperto na oferta global de café, continuidade de queda dos estoques certificados e expectativa por chuvas e florada no brasil em outubro  impulsionaram os preços
 
 
Resumo

•    Preços de café arábica avançaram 970 pontos (5,0%) em NY e Indicador, com indicador Cepea indo a R$ 1183/sc, avanço de 6,4%.
•    Robusta avança USD 13 (0,6%) em Londres, e R$ 18,46/sc (2,3%) no Brasil
•    Agentes seguem recebendo estoques certificados como alternativa no curto-prazo
•    Estoques certificados caem 23% em pouco mais de 4 meses em Londres
•    Estoques certificados recuam 3,2% em menos de 2 semanas em NY, tendência é de mais quedas
•    Chuvas devem chegar em maiores volumes no Brasil até o final da semana
•    Secex sinaliza forte queda nas exportações brasileiras em setembro
•    
Empregos nos EUA e inflação no Brasil estarão no radar do cenário macro 
•    Após medidas restritivas mais rígidas, atividade aos poucos deve retornar ao normal no Vietnã
•    Apesar de altas na Selic, conjuntura brasileira conturbada não permite recuperação significativa do real

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

As preocupações com a oferta global de café continuaram como fator central de influência para as movimentações dos preços na última semana. Em Nova Iorque, o temor de que o aperto no fornecimento de café arábica pode ser maior que o esperado, a expectativa queda nas exportações brasileiras e colombianas em setembro e a apreensão com o clima no Brasil deram suporte ao forte avanço das cotações na semana, que registraram alta de 970 pontos (5,0%) para o contrato mais ativo, encerrando a semana cotado a US₵ 204,05/lb. De forma geral, as forças compradores e vendedoras vinham lutando na região próxima dos US₵ 194,00/lb ao longo da semana, mas uma forte queda do dólar no mercado cambial brasileiro na sexta-feira (-1,4%) deu combustível para que os preços avançassem 1050 pontos apenas no último dia semana.
Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 27/09 a 01/10
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Já o café robusta apresentou menores variações, com valorização de USD 13 (0,6%) para o segundo vencimento em Londres, que encerrou o período cotado a USD 2161/t. Os preços em Londres também vêm se sustentando em patamares elevados, chegando ao seu terceiro encerramento semanal acima do nível de USD 2100/t, maior patamar desde meados de 2017. As cotações em mantendo o padrão de alta do café arábica, com as preocupações com o fornecimento de café robusta, principalmente devido às dificuldades logísticas no Vietnã e o retorno de medidas de distanciamento social mais rígidas, em função do avanço dos casos de Covid-19 no país, que também afetaram o fluxo de mercadorias no país de forma geral.

Devido aos temores com a oferta global, e às disrrupções nas cadeias logísticas globais, que tem forçado o adiamento de embarques nos principais produtores globais, como Brasil, Colômbia e Vietnã, as dificuldades em obter o café físico tem forçado o mercado a buscar outras alternativas no curto-prazo. Um destes movimento tem sido observado na queda dos estoques certificados. Em Londres, refletindo as dificuldades desde o início do ano em obter containeres e manter o fluxo de exportações principalmente do café robusta no Vietnã, parte dos participantes tem optado por receber os estoques certificados da Bolsa, que registram trajetória de constante queda desde maio. De maio até o dia 1 de outubro, os estoques na bolsa de Londres saíram dos seus maiores volumes dos últimos 4 anos, de 2,659 milhões de sacas, para 2,048 milhões, uma queda de 610 mil sacas, ou 23,0% do volume total. 

Já em Nova Iorque, em vista da dificuldade recente nas exportações brasileiras e colombianas, tanto por falta de containeres quanto pela ausência dos próprios navios, com as empresas de frete priorizando rotas mais lucrativas entre América do Norte, Ásia e Europa após a disparada dos preços dos frente, este movimento de queda dos estoques tomou forma apenas nas últimas semanas. Desde 22 de setembro, foram retiradas pouco mais de 68 mil (3,2%) sacas dos estoques certificados da ICE NY, que recuaram para o patamar de 2,076 milhões de sacas. Ao que tudo indica, enquanto o nível de incerteza com relação às temporadas 2021/22 e 2022/23 estiverem elevadas, este movimento pode continuar nos próximos meses, o que atuaria como fator altista às cotações.

Na última sexta-feira (1), o resultado consolidado da balança comercial brasileira em setembro, divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), registrou no último mês um volume embarcado de 2,826 milhões de sacas de café verde, uma queda de 23,2% em relação a setembro de 2020, quando foram enviadas 3,682 milhões de sacas. O resultado é visto como uma prévia para os dados oficiais do Cecafé, que devem ser divulgados no início da próxima semana, e deve confirmar uma queda expressiva pelo segundo mês consecutivo nas exportações brasileiras do grão.

O retorno dos padrões de consumo pré-pandemia nos principais países consumidores também se configura como fator de suporte aos preços. De acordo com pesquisa divulgada pela National Coffee Association (NCA) dos Estados Unidos, desde janeiro os americanos aumentaram o consumo de café no trabalho em 55% e 20% em restaurantes, com alta geral de 16% no consumo fora de casa, conforme as medidas restritivas contra a Covid-19 foram reduzidas. Neste sentido, uma vez que o ritmo de importações do país possa ser afetado pelas complicações da cadeia logística global, o acompanhamento dos estoques nos portos americanos, que já se encontram em níveis historicamente baixos, pode ter ainda mais peso nos próximos meses para a análise da dinâmica da demanda do principal consumidor global de café.

 
Previsão de precipitação acumulada de 4 a 10 de outubro

 

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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC.
Por outro lado, neste contexto de expectativa de aperto no balanço de O&D global, o retorno das chuvas de configura como o principal fator que pode pressionar as cotações nas próximas semanas. Segundo os modelos de previsão da StoneX, A partir dos dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, há expectativa de que os próximos 7 dias registrem volumes mais significativos de chuvas nas principais regiões produtores. A expectativa é de que o acumulado ultrapasse os 100 mm em diversos municípios do Sul de Minas e nas Matas de Minas, e que se aproxime dos 90 mm em parte do Cerrado e Mogiana, com a maior parte do volume projetada para o final de semana. Existem dúvidas se as chuvas conseguirão recompor o estoque de água adequado do solo e reparar totalmente os danos causados pelo clima adverso nos últimos meses, mas estas devem desencadear a 2ª etapa do processo de florada nas regiões.
Mercado de robusta reage à reabertura do Vietnã

 

O mercado de robusta sofreu alguma pressão na semana passada, conforme o Vietnã reduziu suas restrições e medidas de bloqueio contra a covid-19. A reabertura de muitas empresas deve dar impulso à economia, começar a eliminar os atrasos e o congestionamento nos portos e diminuir os grandes desafios que a logística interna enfrenta. 

No Vietnã, os produtores continuam à espera da nova temporada agrícola, que começa este mês. As atividades de colheita da safra 2020/21 também devem começar em breve, com expectativa de cerca de 30 milhões de sacas, antes que o foco mude para a temporada 2021/22. Em entrevista recente, o Diretor executivo da Associação de café do Vietnã (VICOFA) disse à CoffeeNetwork que a safra nova tem sido negativamente afetada pelo clima e pode ser até 15% menor.

Os embarques de café do Vietnã em setembro foram estimados em 120 mil toneladas, com aumento de 20,3% em relação ao mesmo período do ano passado, embora se esperasse que as exportações mostrassem queda de 4,2% nos primeiros nove meses deste ano, de acordo com dados oficiais.

Na Indonésia, a colheita está quase concluída, com produção prevista em cerca de 10,6 milhões de sacas. 

Produtores de café colombianos são incapazes de cumprir entregas
Conforme os preços internos sobem na Colômbia, os cafeicultores que se comprometeram a entregar grãos no mercado de futuros não conseguiram disponibilizar 50 milhões de quilos de café pergaminho, ou cerca de 549.450 sacas. 

Os pequenos e médios produtores de café, que há meses se comprometeram a vender seus grãos às cooperativas no mercado futuro, não estão cumprindo com a entrega porque venderam no mercado futuro a cerca de COP 1 milhão (USD 263). Mas, quando chegou o período de entrega, os preços locais do café estão quase duas vezes mais elevados do que o valor inicial estabelecido.

Como o café não tem chegado às cooperativas, à federação de produtores de café da Colômbia e aos exportadores privados, o custo estimado para a não entrega de grãos é de COP 350 bilhões em perdas.
Os produtores se comprometeram a vender café no mercado futuro a uma média de COP 1 a 1,2 milhão por saca, mas os preços se situam hoje em COP 1,745 milhão. O forte aumento de 74.5% tem sido impulsionado pela depreciação do peso colombiano, pelo aumento dos preços internacionais do café e pelos diferenciais de qualidade crescentes, fatores que levaram os preços internos do produto colombiano a máximas históricas até o momento este ano.

Grandes torrefadoras internacionais de café também estão extremamente preocupadas com o incumprimento de contratos e temem que a situação piore.

Os livros financeiros de algumas cooperativas de café já estão sendo atingidos, refletindo parte dessas perdas, uma vez que elas precisam relatar o resultado financeiro para o órgão regulador a cada mês. 

Apesar de altas na Selic, conjuntura brasileira conturbada não permite recuperação significativa do real
A última semana foi de bastante volatilidade para a moeda americana, acompanhando uma elevação da aversão ao risco tanto no cenário doméstico quanto nos mercados internacionais, o que levou o par real/dólar a encerrar a semana cotado a R$ 5,37, alta de 0,6%. Neste contexto, o dólar engatou sua quarta semana consecutiva em valorização, encerrando setembro com alta de 5,6% frente o mês anterior, e acumulando valorização de 4,8% em 2021.

No exterior, o dollar index operou durante parte da semana acima dos 94,0 pontos, chegando a atingir seu maior patamar em cerca de um ano. Entre os maiores motivadores para a maior cautela dos agentes globais, que deve permanecer em alguma medida nesta semana, estão: os possíveis atrasos na recuperação econômica causada pela variante delta da Covid-19; as dificuldades em controlar os avanços da inflação global frente os problemas logísticos e de oferta; alta nos preços e aperto na oferta de importantes matrizes energéticas como o petróleo e o gás natural; a expectativa de redução em breve dos estímulos monetários na economia dos Estados Unidos; os ainda presentes riscos de insolvência da incorporadora chinesa Evergrande, com o temor de um possível efeito dominó.

As dificuldades dos congressistas americanos em evitar o fechamento do governo por não conseguir entrar em acordo sobre uma resolução que estenda a capacidade de gastos do Executivo, acrescentou alguma apreensão nos mercados globais e deve permanecer no radar nesta semana. Leia mais sobre o tema no Fechamento de Câmbio da última quinta-feira (30). Nesta semana, os investidores globais devem acompanhar na terça-feira (5) a divulgação dos PMIs de serviços e consolidados de setembro para Estados Unidos e zona do euro, a fim de apurar se estes confirmarão uma desaceleração no ritmo de crescimento da atividade econômica, sinalizado nos relatórios preliminares. O mercado também aguarda com alguma cautela o Relatório de Situação do Emprego dos Estados Unidos, que será divulgado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) na sexta-feira (8). Os pedidos semanais de auxílio-desemprego das últimas semanais têm indicado uma dificuldade enfrentada pelo país em reduzir o número de novas solicitações, atualmente na casa das 350 mil por semana, para os níveis pré-pandemia de em torno de 200 mil, fator que tem gerado alguma preocupação em relação ao ritmo de recuperação do mercado de trabalho americano.

No Brasil, as incertezas fiscais e em relação à recuperação da economia permaneceram em pauta. Segundo dados divulgados pelo IBGE, a taxa de desemprego no país recuou de 14,7% no trimestre encerrado em abril para 13,7% no trimestre encerrado em julho. Todavia, o crescimento de empregos se deu nas categorias de maior informalidade e menor renda, com o rendimento real da população empregada se reduzindo em todas as categorias pesquisadas, recando 2,9% em relação ao trimestre encerrado em abril e 8,8% em relação ao mesmo período em 2020.

O governo também vem enfrentando dificuldades em avançar pautas no Congresso que aliviem o risco de que a União viole a regra do teto de gastos. A PEC dos precatórios, que posterga parte pagamento de dívidas por derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais, é considerado o principal meio para que seja aberto espaço no Orçamento para acomodar a criação do novo programa social de transferência de renda Auxílio Brasil proposto pelo governo. As dificuldades em avançar com a proposta, e o temor dos investidores de que o programa possa ser financiado por meio de crédito extraordinário, o que elevaria ainda mais as dívidas públicas, reduziu o apetite por risco dos investidores na moeda brasileira nos últimos dias.

Por fim, a inflação deve também estar no foco do mercado nesta semana, com os agentes aguardando a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro na próxima sexta-feira (8). Se por um lado, a inflação acelerada no país (9,68% nos últimos 12 meses) estimula altas mais fortes na taxa básica de juros brasileira, tornando os títulos públicos do país mais atrativos para investidores internacionais e atuando de forma favorável ao real, por outro, a instabilidade econômica e política, a redução do poder de compra da população e perspectivas de menor crescimento da atividade econômica e emprego impedem que a moeda brasileira se recupere de forma ordenada.
 

Agenda Semanal
BRASIL
image 19166
eSTADOS uNIDOS
image 19162
* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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