Como destacamos no último relatório semanal, devido às fortes chuvas neste período pelo segundo ano consecutivo, a Federação Nacional dos Cafeteiros (FNC) Federação Nacional dos Cafeteiros reduziu suas estimativas para a produção colombiana em 2021, indo de 14 milhões de sacas para algo entre 13 e 13,5 milhões de sacas. Desta forma, a produção do país pode ficar abaixo de cerca 14 milhões de sacas pela primeira vez após uma sequência de 6 anos neste patamar. Os riscos de que o excesso de chuvas também possa afetar a produção de que importantes países da América Central deve continuar a ser monitorado pelo mercado nas próximas semanas. Os impactos negativos podem ocorrer através da obstrução de vias logísticas, da queda qualidade do grão ou da produtividade das lavouras, uma vez que estas possuem variedades de plantas menos resistentes a doenças fúngicas se comparadas com as cultivadas na Colômbia, doenças estas que são causadas pelos altos índices de umidade.
Nesta semana, além da divulgação dos estoques nos portos americanos pela Green Coffee Association (GCA), que devem dar novos sinais em relação à demanda nos Estados Unidos, os agentes devem continuar monitorando o clima e desenvolvimento dos cafezais no Brasil, a evolução da situação logística global e o processo de colheita nos demais países.
Exportações brasileira de café verde recuam 25,2% em outubro
O Cecafé divulgou na última semana o seu relatório mensal de exportações de outubro, indicando que as exportações brasileiras total de café atingiram 3,431 milhões de sacas no mês, queda de 23,8% frente às 4,504 milhões de sacas enviadas no mesmo mês do ano passado. Os embarques de café verde totalizaram 3,117 milhões, queda de 25,2%, com os embarques de café arábica totalizando 2,883 milhões de sacas, recuo de 22% frente às 3,698 milhões em 2020, e com o café robusta totalizando 233 mil sacas, queda de 50,4% frente às 470 mil registradas no mesmo mês do último ano.
Exportações mensais de café verde do brasil por ano-safra (mil sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Os entraves logísticos continuaram sendo principal fator para a retração expressiva das exportações. Segundo o presidente do Cecafé, Nicolas Rueda, “A queda no volume das exportações reflete a continuidade dos conhecidos gargalos logísticos no comércio marítimo mundial. O cenário é preocupante porque especialistas do setor, com os quais nos reunimos em diversos eventos nacionais e internacionais, apontam que esses entraves devem se arrastar durante 2022, devido ao grande volume dos produtos agrícolas brasileiros acumulados nos portos e às safras que são escoadas a partir do segundo semestre”.
Nota-se que apesar dos volumes menores, as receitas cambiais continuam seguindo em patamares superiores, considerando tanto os níveis de preços mais elevados para as receitas em US$, quando a desvalorização cambial, para o caso das receitas em R$, que mostram diferenças ainda mais amplas. Enquanto de janeiro a outubro de 2020 haviam sido exportadas 32,1 milhões de sacas de café verde, contra 30,02 milhões de sacas no mesmo período em 2021, as receitas cambiais no ano corrente superam o ano passado em ambas as modalidades. Considerando as receitas em US$, 2021 acumula cerca de US$ 4,8 bilhões de dólares, 7,0% acima dos US$ 4,5 bilhões do ano passado, fruto principalmente da mudança dos preços médios de US₵ 167,53/lb para US₵ 191,43/lb. Já as receitas cambiais na moeda nacional apresentam valores ainda mais atraentes aos exportadores, avançando de R$ 23,1 bilhões para R$ 25,7 bilhões, um crescimento de 11,6%.
Exportações acumuladas de café verde do brasil por ano fiscal
(milhões de sacas)
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Desta maneira, a receita média por saca comercializada de janeiro a outubro avançou de R$ 719,39/sc para R$ 858,31/sc. Considerando os patamares significativamente mais elevados dos preços especialmente desde meados de julho, após a ocorrência das geadas no Brasil, esta diferença deve se ampliar ainda mais nos relatórios dos próximos 2 meses.
Congestionamento portuário continua a impactar comércio global e preocupações logísticas levam estoques de arábica a uma queda
O comércio global e o setor cafeeiro internacional continuam a ser afetados por problemas logísticos, com escassez de contêineres e atrasos no transporte. Os problemas são vistos desde a costa oeste do Estado Unidos até a China e a Europa. Além dos atrasos causados por restrições e escassez de contêineres devido à covid-19, o atraso piorou na China após um tufão que atingiu o leste do país em julho, restringindo o acesso aos portos principais, como de Xangai e Ningbo.
No porto de Felixstowe, que concentra 40% das importações em contêineres do Reino Unido, há congestionamento, e a escassez de motoristas de caminhões obriga as empresas de transporte a armazenar contêineres vazios num campo próximo. Protestos na Itália e na Grécia encerraram as operações portuárias temporariamente e uma agitação civil na Etiópia interrompeu todas as operações comerciais do país. A empresa dinamarquesa Sea-Intelligence, de pesquisa e análise, realizou uma investigação para descobrir como os gargalos no sistema de abastecimento marítimo afetaram os atrasos dos navios. Os maiores atrasos foram vistos da Ásia até a costa oeste dos EUA e d Ásia até a costa leste dos EUA.
Na semana passada, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) revelou atraso na exportação de 3,7 milhões de sacas de café devido aos desafios logísticos atuais. Preocupações crescentes em torno do transporte de café, juntamente com a expectativa de uma mudança para um déficit de oferta, levaram a uma aceleração nas compras da indústria e a uma diminuição dos estoques. Embora, no início deste mês, os estoques tenham atingido seu nível mais baixo desde abril, globalmente, eles subiram por 26% desde o começo do ano civil de 2021.
Os últimos dados revelaram 1.798.415 sacas de estoques certificados até 11 de novembro, em comparação com 1.427.057 sacas registadas em 4 de janeiro, o primeiro dia oficial de comercialização de 2021. Os estoques de Honduras diminuíram 8,3% no período, de 830.774 para 762.056 sacas, enquanto os estoques certificados do Brasil aumentaram 143,4%, de 381.746 para 929.299 sacas.
Preços de café robusta avançam na semana
O contrato mais ativo do robusta teve uma semana forte e subiu 4,4% até a sexta-feira (12). O movimento de alta veio do complexo de arábica, que alcançou os níveis mais elevados desde meados de 2014 na semana passada, impulsionado pelos crescentes níveis de preocupação em torno do aperto da oferta em escala global, juntamente com novas estimativas da Bloomberg sobre o potencial agrícola do próximo ano no Brasil. A produção brasileira de arábica foi estimada entre 33,7 a 38,7 milhões de sacas para 2022/23, de acordo com a Bloomberg, devido aos impactos contínuos da seca no ano passado, graves geadas e risco crescente de doença fúngica por conta dos níveis recentes de umidade. O complexo de robusta, em comparação, não teve desempenho tão bom quanto o arábica, que subiu aproximadamente 7,9% na semana passada. A redução dos estoques certificados de arábica também foi significativa na semana passada, com mais de 53 mil sacas retiradas. Em comparação, os estoques certificados de robusta registraram uma queda de 18,5 mil sacas. No entanto, apesar dos ganhos semanais menores no robusta, a segunda tela atingiu seu nível mais forte desde 2 de janeiro de 2017, refletindo a força do sentimento altista em torno de todo o complexo de café atualmente.
evolução dos Estoques certificados de café arábica e robusta
Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
Do ponto de vista fundamental, embora se reporte que as restrições no Vietnã tenham diminuído, ainda há uma dificuldade em garantir trabalhadores para a colheita, enquanto as interrupções logísticas também se mantêm. Além disso, as chuvas continuam a causar atrasos na colheita, o que pode agravar as preocupações relacionadas à qualidade das culturas. A colheita já estava atrasada devido à precipitação excessiva durante outubro. As chuvas permanecem presentes nas Terras Altas esta semana, embora os volumes devam ser limitados, de acordo com a previsão.
A alfândega vietnamita publicou dados de exportação para outubro na semana passada, mostrando que 99.249 toneladas foram enviadas (1.654.150 sacas). Apesar das questões logísticas atuais, isso representa um aumento de 8,6% no ano, reflexo provável dos volumes maiores armazenados no Vietnã como resultado de problemas com contêineres. As ofertas da safra nova (que devem ser cerca de 6,9% maiores que no ano passado) provavelmente contribuíram para o aumento dos volumes embarcados na comparação anual. Mensalmente, os embarques diminuíram 1,1%.
Os preços internos em Dak Lak aumentaram 1,2% até a última sexta-feira, para USD 1.832/t. Isso representa ampliação do desconto contra a segunda tela de Londres para USD 444/t.
Contrato contínuo de robusta vs. preço de Lak DAK (vietnã)
Fonte: Giacaphe, Bloomberg. Elaboração: StoneX.