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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços de café seguem avançando em meio às preocupações com a oferta
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
Perspectiva de um balanço de O&D negativo associado aos problemas logísticos e climáticos suportaram novos ganhos no mercado de café na semana
Resumo

•    Preços de café arábica avançam 1145 pontos (5,2%) em NY e indicador Cepea avança R$ 84,4 (6,5%) para R$ 1392,66/sc, máxima histórica.
•    Robusta recua USD 32 (1,4%) em Londres, com avanço de R$ 10,5/sc (1,3%) no Brasil para R$ 812,6/sc.
•    Preocupações com a oferta devem manter a tendência altista do mercado
•    La Niña e problemas logísticos mantém preocupações com oferta no curso-prazo
•    Fundos especulativos ampliam sua posição liquidamente comprada
•    Estoques GCA recuam menos que o esperado
•    USDA inicia divulgação de atualização de estimativas de produção
•    Queda no valor do frete pode estimular demanda por café no Vietnã
•    Clima e Covid-19 ainda geram dúvida quanto à qualidade da colheita vietnamita
•    Dólar avança na semana em meio à temores fiscais
•    Expectativa por resolução da PEC dos Precatórios no Senado deve ficar no radar da semana
•    Divulgação da Ata do FOMC deverá dar novas pistas quanto à possíveis novos apertos na política monetária nos Estados Unidos

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

As cotações de café avançaram novamente de maneira expressiva na última semana em suas principais bolsas de comercialização. Como foi comentado no último relatório, um conjunto de fundamentos, como a preocupação com o fornecimento global do grão no curto prazo e a com a próxima safra brasileira, questões climáticas e fatores técnicos, promoveram forte ímpeto altista nos preços de café.

O contrato mais ativo de café arábica na bolsa de Nova Iorque, com vencimento em março/22, registrou valorização semanal de 1145 pontos (5,15%) para encerrar a sexta-feira (19) cotado a US₵ 233,4/lb, depois de atingir máxima no dia US₵ 239,5/lb, maior vamor desde janeiro de 2012. No Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica registrou evolução de 6,5%, cerca de R$ 84,8/saca para encerrar a sexta-feira (19) cotada a R$ 1392,66/saca, máxima histórica para o índice.

Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 15/11 a 19/11
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Como já foi comentado em outras edições deste relatório, o balanço de oferta e demanda negativo neste ano safra associado a expectativa de uma produção menor no próximo ano tem suportado os preços de café. No Brasil, o número de negócios limitados, com os vendedores aguardando pelo avanço dos preços tanto para estabelecerem suas vendas tanto no mercado spot quanto para fixar vendas no mercado futuro, também tem contribuído para o avanço das cotações, especialmente no âmbito doméstico. Além disso, temos os problemas logísticos globais e os impactos do La Niña na produção de café na Colômbia, América Central e Ásia – em publicação recente, o Coffee Network divulgou que a maior região produtora na Índia, Karnataka, tem enfrentado volumes excessivos de chuva, o que tem gerado preocupações com relação a produção e o ataque de doenças.

O viés altista do mercado também foi refletido através do resultado do último relatório Commitment of Trades (COT) do CFTC, divulgado na sexta-feira. De acordo com o relatório, os fundos especulativos aumentaram entre os dias 9 e 16 de novembro 4.013 posições compradas em futuros e opções, com redução de 2.023 de posições vendidas, chegando a uma ampliação de 6.036 posições no seu saldo liquidamente comprado, para 46.585. Durante o período, a cotação do contrato mais líquido saltou de US₵ 208,65/lb para US₵ 224,5/lb (+7,6%).

Posição dos fundos especulativos em nova iorque
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Fonte: CFTC. Elaboração: StoneX.

No início da última semana a Green Coffee Association divulgou os estoques de café nos portos americanos em outubro. Segundo os dados a associação, no final de outubro havia 5,97 milhões de sacas nos portos, indicando uma redução de 46.816 sacas se comparado com o mês anterior e 161.021 sacas se comparado com o mesmo mês do ano passado. Além disso, os volumes estão abaixo da média dos últimos 5 anos para o mês, que é de 6,5 milhões de sacas. Apesar dos níveis historicamente baixos, esperava-se uma redução mais acentuada nos estoques no mês, já que o consumo no país se recupera nos pós pandemia e os problemas logísticos tendem a dificultar as importações de café. Para um melhor entendimento deste cenário, faz-se necessário avaliar os níveis de importação nos EUA. Contudo, os dados de importação para o mês ainda não foram divulgados pelo USDA nem pelo Departamento de Comércio americano, o que deve ocorrer no início de dezembro.

EVOLUÇÃO DOS ESTOQUES DE CAFÉ DA GREEN COFFEE ASSOCIATION (GCA)
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Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.                                                                                       

Na próxima semana, o mercado acompanhará de perto as divulgações dos relatórios dos adidos do USDA para a produção de café nos países neste ano safra, que começaram a ser divulgados no final da última semana. Ademais, o mercado segue com sentimento positivo em meio a um balanço de O&D negativo e todos os outros fatores supracitados.

Adido do USDA lança luz sobre problemas logísticos

O adido do USDA começou a publicar seus relatórios sobre o café. Os relatórios são publicados duas vezes por ano; o primeiro em junho e o final em dezembro. Abaixo é possível encontrar um gráfico dos números revisados de produção e exportação para os relatórios que foram divulgados até o momento. Após a conclusão dos relatórios, o USDA publicará seu relatório bianual de café no dia 17 de dezembro.

O declínio nas exportações em relação à previsão inicial tem sido destacado nos novos relatórios. Enquanto as estimativas para a exportação da Colômbia e da Índia permaneceram inalteradas, as projeções para o Brasil, Indonésia e Vietnã registram um declínio combinado de 26,6% em comparação com as previsões de junho. A queda nas exportações é notável principalmente em meio à expectativa de produção estável no Brasil em relação à estimativa de junho e maior produção do Vietnã. Isso reafirma os problemas de logística que têm sido observados globalmente e como isso afetou os embarques de café verde. 

Levando em consideração que os relatórios revisados do adido já foram publicados para os três maiores produtores de café (Brasil, Vietnã e Colômbia), é possível que a produção global de café possa ser revisada levemente para baixo no relatório de dezembro. Em junho, o USDA estimou a produção global em 164,8 milhões de sacas. As exportações também devem ser revisadas para baixo, em comparação com as 136,3 milhões de sacas estimadas em junho. 

Estimativas do usda para produção e exportação
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

No próximo mês, publicaremos um  relatório especial detalhando todos os principais pontos das atualizações do USDA para a produção, exportação e estoques dos principais países produtores, junto de uma análise sobre o balanço final.

 
Cotações de café robusta recuam na semana

O contrato mais ativo de robusta (janeiro/22) recuou 1,4% na semana passada, em meio à falta de novas manchetes fundamentais para manter uma tendência de alta, uma história contrastante com a do café Arábica na semana passada. Relatos indicam que há um nível de preocupação com disponibilidade de robusta, em razão das novas ofertas da safra vietnamita juntamente com um acúmulo de café a partir dos problemas logísticos presentes durante a safra 2020/21. Isso ocorre em meio a um declínio nos custos de frete nas últimas semanas, conforme refletido pelo Baltic Dry Index, que continuou sua trajetória de baixa na semana passada, encerrando a semana em queda de 9,1% e seu nível mais baixo desde meados de junho. O benchmark WCI Composite Container Freight (40 pés) também perdeu terreno nas últimas semanas.

A redução das tarifas de transporte marítimo provavelmente estimulará uma maior demanda pela oferta vietnamita, com as quedas nos pontos de referência sendo um provável reflexo da melhoria constante da disponibilidade. Enquanto isso, as atividades comerciais no Vietnã estão lentas em meio a um lento desenvolvimento da safra em razão de condições meteorológicas erráticas que desaceleram a colheita. Alguns relatos sugerem que os casos da Covid-19 tem impedido que os trabalhadores colham os frutos, embora outros afirmem que as fazendas não estão tendo problemas. 

segunda tela do café robusta em londres
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Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.

O adido do USDA publicou seu relatório para o Vietnã na semana passada, estimando a produção da safra 2021/22 em 31,1 milhões de sacas devido à melhora das condições climáticas. O relatório também destacou a possibilidade de um fim tardio da estação das chuvas, com a precipitação entre novembro e dezembro estimada em cerca de 5% a 25% acima do normal. O consumo doméstico para 2021/22 é estimado em 3,14 milhões de sacas, enquanto as exportações são estimadas em 25,8 milhões de sacas na safra nova. Os estoques finais da safra 2020/21 foram estimados em 3,81 milhões de sacas, com os do ciclo 2021/22 estimados em 6,58 milhões. 

O USDA também publicou o relatório equivalente para a Indonésia na semana passada, com a produção da safra nova estimada em 10,58 milhões de sacas, devido à menor produção de Arábica no norte de Sumatra e menor produção de Robusta no sul de Sumatra. O consumo doméstico para a nova temporada é estimado em 4,75 milhões de sacas, um aumento de 300.000 no comparativo anual. As exportações da safra nova são estimadas em 5,9 milhões de sacas, queda de 9% no comparativo anual.

Os preços domésticos em Dak Lak também caíram marginalmente ao longo da semana passada (-1,9%), pairando em torno de USD 1.790/ton, marcando um desconto de aproximadamente USD 480/ton contra a segunda tela em Londres.

Contrato contínuo  de robusta vs. preço de Lak DAK (vietnã)
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Fonte: Giacaphe, Bloomberg. Elaboração: StoneX.
Dólar avança em meio à preocupação fiscal e acompanhando o exterior

 

Depois de recuar por três semanas consecutivas, o dólar avançou na última semana no mercado cambial brasileiro, refletindo o retorno na preocupação dos agentes com a responsabilidade fiscal do governo e o avanço da divisa americana no exterior, conforme crescem as expectativas de que uma maior contração monetária possa ocorrer mais cedo que o esperado nos Estados Unidos. O par real/dólar encerrou a última sexta-feira (19) cotado a R$ 5,610, avanço semanal de 2,8%, enquanto o dollar index terminou o período a 96,1 pontos, valorização de 1,0%, alcançando seus maiores patamares desde julho de 2020.

Os prêmios de riscos por parte dos investidores em função da insegurança fiscal voltaram a se elevar na última semana, conforme seguiram os debates no Senado Federal sobre ajustes à Proposta de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatório, elevando as preocupações de que a PEC possa ter sua aprovação atrasada ou significativamente modificada. A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados, abre espaço de R$ 91,6 bilhões no Orçamento de 2022, precisa ser aprovada no Senado em dois turnos. A apreensão dos agentes ocorre pelas incertezas sobre o que poderá ser alterado na proposta pelos senadores, e pelo temor de que as mudanças possam ampliar ainda mais o desequilíbrio fiscal no país, o que tende a atuar de maneira altista para o dólar. A proposta está agendada para ser apreciada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (24), e caso aprovada sem alterações significativas, pode trazer algum alívio para o real.

Provocaram também insegurança no mercado de divisas as promessas do presidente Jair Bolsonaro, de que com a aprovação da PEC, o governo realizará um reajuste salarial para todos os servidores públicos. O valor necessário para tal reajuste, além de não previsto inicialmente nos cálculos do Ministério da Economia, por seu caráter permanente, necessitaria de uma indicação de receita ou corte de despesas para ser financiada de acordo com o a Lei de Responsabilidade Fiscal, fatores em nenhum momento indicados pelo presidente. Os impulsos do governo federal em busca de novos gastos sem um planejamento ou adequação de despesas, às vésperas de um ano eleitoral, elevam as preocupações com uma maior deterioração das contas públicas.

No exterior, a expectativa de que uma contração monetária possa ocorrer de maneira mais breve, conforme os indicadores de inflação em âmbito global continuam apontando aceleração, cresceram na semana. Enquanto os gargalos logísticos e os estoques limitados não permitem alívio no nível de preços das mercadorias, os desempenhos dos setores da economia e do mercado de trabalho avançam, especialmente nos Estados Unidos, indicando perspectivas de que a demanda continue aquecida. Tal desequilíbrio na balança de oferta e demanda global pode forçar os bancos centrais a tomarem medidas mais firmes para tentar controlar os preços, o que contribui para uma maior procura pela moeda americana. 

Esta semana deve ser menos movimentada no mercado internacional devido ao feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos na quinta-feira (25). Como destaque, os investidores devem acompanhar na quarta-feira (24) divulgação da revisão do PIB americano para o 3º trimestre pelo Departamento de Análise Econômica (BEA), e da ata da última decisão do Comitê Política Monetária (FOMC) do Federal Reserve. O mercado deve buscar na ata novas informações sobre como se deu o debate dos membros do Comitê sobre a decisão de redução do programa de compra de ativos, e se houveram menções a respeito de uma eventual elevação da taxa básica de juros no próximo ano.

Agenda Semanal
BRASIL
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eSTADOS uNIDOS
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* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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