O mercado de robusta em Londres apresentou importante avanço nas últimas semanas, reflexo principalmente da dificuldade que o país vem enfrentando para exportar sua produção, devido à alta nos custos de frete e a indisponibilidade de contêineres. Segundo o Escritório de Estatística Geral do Vietnã (GSO, sigla em inglês), as exportações do país recuaram 6,5% em dezembro para 130 mil toneladas ou 2,17 milhões de sacas, enquanto as exportações em 2021 caíram 2,7% para 1,52 milhões de toneladas ou 25,33 milhões de sacas.
Nas próximas semanas, o mercado de café ficará de olho nos dados de exportação dos países produtores, principalmente Brasil, Vietnã e Colômbia, que deverão ser divulgados ao longo desta e da próxima semana – os dados de exportação tem sido um importante termômetro sobre os problemas logísticos globais na exportação de café. O Brasil tem sido um dos países que tem enfrentado grandes desafios na exportação, devido a alta dos custos e a falta de contêineres. Já a Colômbia e o Vietnã, seguem em período de colheita e a exportação neste momento é crucial para o escoamento da produção nestes países. Ademais, vale a pena lembrar que ainda estamos sob efeito do La Niña, que está associado ao excesso de chuva na Colômbia, América Central e Ásia.
No ponto de vista dos fundamentos, o mercado de café seguirá de olho na produção brasileira em 2022/23. A partir de agora, várias estimativas deverão ser divulgadas e ditarão o ritmo do mercado, que segue na expectativa de entender qual foi o real impacto da geada e do clima seco na produção brasileira. A StoneX divulgará suas estimativas para a produção brasileira de café em fevereiro.
Neste sentido, um fator que deve continuar sendo acompanhado de perto é o regime de chuvas nos primeiros meses do ano. A exemplo do ocorrido em 2020, chuvas abaixo da média podem inibir o desenvolvimento e o enchimento dos frutos nos locais que tiveram um bom período pós florada, ou inibir a recuperação do potencial nas localizações em que a florada não ocorreu da forma ideal. Olhando para os últimos meses, os bons volumes pluviométricos durante o mês de outubro, de maneira geral próximo ou acima da média histórica na maior parte do cinturão cafeeiro, ajudaram a eliminar ou ao menos reduzir os déficits nas áreas mais prejudicadas do sul de Minas, Cerrado e Mogiana. Todavia, novembro e dezembro, já sob maior influência dos efeitos do La Niña, voltaram a registrar níveis abaixo da média histórica nas principais regiões produtoras de café arábica, como podem ser observados nos mapas abaixo, respectivamente.
Precipitações em relação À média dos últimos 20 anos
Fonte: StoneX, com dados fornecidos pela NASA (Global Precipitation Measurement / GPM), 2021.
O registro mantém o sinal de alerta ligado para os possíveis impactos de uma continuidade das chuvas abaixo da média. Os dados da Administração Oceânica Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos informam uma elevada probabilidade de que os efeitos do La Niña permaneçam ao menos até meados de março ou abril, com intensidade que pode variar de fraca a moderada. No caso do Brasil, o fenômeno climático pode continuar a promover a redução das chuvas em alguma medida, ainda que menos intensa que no segundo semestre de 2021. Por outro lado, a ocorrência do La Niña neste período do ano está também associada a um clima mais ameno na maior parte das áreas onde se encontram as produções de café no país, o que limita o impacto da falta de chuvas na construção de um ambiente demasiadamente seco e prejudicial aos cafeeiros.
Previsão Probabilística de El Niño/LaNiña
O La Niña também pode seguir afetando outros importantes países produtores, estes através dos efeitos de excesso de chuvas. Colômbia e Vietnã seguem para a fase final de seu período de colheita, enquanto Indonésia e países da América Central devem permanecer com sua colheita até os meses de fevereiro e março. Os volumes de chuvas torrenciais já trouxeram efeitos prejudiciais notáveis na qualidade da safra colombiana, que deve produzir em 2021/22 menos de 14 milhões de sacas pela primeira vez em 7 anos, segundo a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia. Desta maneira, será importante acompanhar os indicadores pluviométricos nos demais produtores, uma vez que estes podem prejudicar a colheita por alguma maneira, mas também dificultar ainda mais o escoamento deste café para os principais centros consumidores.