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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cotações de café arábica avançaram quase 80% em 2021, robusta avança mais de 70%
 
Fernando Maximiliano
 
 
 
Um conjunto de fatores, que foram desde os efeitos da pandemia até a ocorrência de eventos climáticos contribuíam para promover um forte avanço nos preços de café no ano
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 79,2% em NY em 2021, encerrando cotado a US₵ 226,1/lb. 
•    Indicador Cepea avançou 132% no ano, indo de R$ 606/sc ao final de 2020 para R$ 1431/sc.
•    Preços de café robusta avançaram 72,7% em Londres, para USD 2370/ton na última sexta-feira.
•    Mercado doméstico de robusta avançou 103% no ano, com o indicador CEPEA indo de R$ 410/sc no final de 2020 para terminar 2021 cotado a R$ 828/sc.
•    Dificuldades com exportação impulsionam café robusta na semana
•    Chuvas em novembro e dezembro ficam abaixo da média histórica na maior parte do cinturão cafeeiro no Brasil
•    La Niña deve continuar afetando países produtores nos primeiros meses de 2022
•    Precipitações abaixo da média no início do ano podem afetar fase de enchimento
•    Divulgação das exportações dos países em dezembro devem ditar tendência dos preços em janeiro 
•    Dólar fecha semana em queda, mas termina 2021 com alta de 5,2%
•    Ano eleitoral, inflação, instabilidade política e dificuldades econômicas devem trazer elevada volatilidade para o câmbio no Brasil neste ano

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Como resultado de uma sequência de eventos, desde a os problemas causados pela pandemia, como os problemas logísticos, a redução na produção brasileira e os eventos climáticos adversos, as cotações de café apresentaram um avanço impressionante em 2021. Para o mercado de café arábica, houve um incremento de mais de 79,2% em Nova Iorque, onde os preços apresentaram um avanço de US₵ 99,95/lb. Em Londres, o mercado de café robusta avançou 72,7% ou USD 998/ton em 2021.

No mercado físico brasileiro, o avanço observado nos preços de café foi ainda mais intenso; o indicador CEPEA para a variedade arábica mostrou que os preços de café tiveram um avanço de 132,5%, fechando o ano cotado a R$ 1.431,58/sc. Já as cotações de café robusta avançaram 103,3% no ano, fechando em R$ 828,35/sc. O maior avanço nos preços no Brasil se deu devido à forte desvalorização da moeda brasileira, que apresentou uma depreciação de 5,2% com relação a moeda americana – importante notar que no fechamento da última sessão do ano (30/12/2021), houve uma pressão de venda que contribuiu para pressionar o dólar no mercado brasileiro, mas se considerarmos o fechamento do dia 29/12/2021, o real contabilizaria uma desvalorização anual de 7,7%.

Evolução das cotações de café arábica e robusta em 2021
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O mercado de robusta em Londres apresentou importante avanço nas últimas semanas, reflexo principalmente da dificuldade que o país vem enfrentando para exportar sua produção, devido à alta nos custos de frete e a indisponibilidade de contêineres. Segundo o Escritório de Estatística Geral do Vietnã (GSO, sigla em inglês), as exportações do país recuaram 6,5% em dezembro para 130 mil toneladas ou 2,17 milhões de sacas, enquanto as exportações em 2021 caíram 2,7% para 1,52 milhões de toneladas ou 25,33 milhões de sacas. 

Nas próximas semanas, o mercado de café ficará de olho nos dados de exportação dos países produtores, principalmente Brasil, Vietnã e Colômbia, que deverão ser divulgados ao longo desta e da próxima semana – os dados de exportação tem sido um importante termômetro sobre os problemas logísticos globais na exportação de café. O Brasil tem sido um dos países que tem enfrentado grandes desafios na exportação, devido a alta dos custos e a falta de contêineres. Já a Colômbia e o Vietnã, seguem em período de colheita e a exportação neste momento é crucial para o escoamento da produção nestes países. Ademais, vale a pena lembrar que ainda estamos sob efeito do La Niña, que está associado ao excesso de chuva na Colômbia, América Central e Ásia. 

No ponto de vista dos fundamentos, o mercado de café seguirá de olho na produção brasileira em 2022/23. A partir de agora, várias estimativas deverão ser divulgadas e ditarão o ritmo do mercado, que segue na expectativa de entender qual foi o real impacto da geada e do clima seco na produção brasileira. A StoneX divulgará suas estimativas para a produção brasileira de café em fevereiro.

Neste sentido, um fator que deve continuar sendo acompanhado de perto é o regime de chuvas nos primeiros meses do ano. A exemplo do ocorrido em 2020, chuvas abaixo da média podem inibir o desenvolvimento e o enchimento dos frutos nos locais que tiveram um bom período pós florada, ou inibir a recuperação do potencial nas localizações em que a florada não ocorreu da forma ideal. Olhando para os últimos meses, os bons volumes pluviométricos durante o mês de outubro, de maneira geral próximo ou acima da média histórica na maior parte do cinturão cafeeiro, ajudaram a eliminar ou ao menos reduzir os déficits nas áreas mais prejudicadas do sul de Minas, Cerrado e Mogiana. Todavia, novembro e dezembro, já sob maior influência dos efeitos do La Niña, voltaram a registrar níveis abaixo da média histórica nas principais regiões produtoras de café arábica, como podem ser observados nos mapas abaixo, respectivamente.

Precipitações em relação À média dos últimos 20 anos
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Fonte: StoneX, com dados fornecidos pela NASA (Global Precipitation Measurement / GPM), 2021.
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O registro mantém o sinal de alerta ligado para os possíveis impactos de uma continuidade das chuvas abaixo da média. Os dados da Administração Oceânica Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos informam uma elevada probabilidade de que os efeitos do La Niña permaneçam ao menos até meados de março ou abril, com intensidade que pode variar de fraca a moderada. No caso do Brasil, o fenômeno climático pode continuar a promover a redução das chuvas em alguma medida, ainda que menos intensa que no segundo semestre de 2021. Por outro lado, a ocorrência do La Niña neste período do ano está também associada a um clima mais ameno na maior parte das áreas onde se encontram as produções de café no país, o que limita o impacto da falta de chuvas na construção de um ambiente demasiadamente seco e prejudicial aos cafeeiros.

Previsão Probabilística de El Niño/LaNiña 

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Fontes: IRI/CPC.

O La Niña também pode seguir afetando outros importantes países produtores, estes através dos efeitos de excesso de chuvas. Colômbia e Vietnã seguem para a fase final de seu período de colheita, enquanto Indonésia e países da América Central devem permanecer com sua colheita até os meses de fevereiro e março. Os volumes de chuvas torrenciais já trouxeram efeitos prejudiciais notáveis na qualidade da safra colombiana, que deve produzir em 2021/22 menos de 14 milhões de sacas pela primeira vez em 7 anos, segundo a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia. Desta maneira, será importante acompanhar os indicadores pluviométricos nos demais produtores, uma vez que estes podem prejudicar a colheita por alguma maneira, mas também dificultar ainda mais o escoamento deste café para os principais centros consumidores.

Dólar recua 1,8% na última semana do ano, encerrando 2021
com valorização de 5,2%

Em semana marcada por grande volatilidade, a taxa de câmbio da moeda brasileira encerrou a última quinta-feira (30) registrando uma queda semanal de 1,8%, com o par real/dólar cotado a R$ 5,573. Variações mais bruscas são características dos últimos pregões do ano, devido ao volume reduzido de negócios com a ausência de parte dos participantes do mercado devido aos feriados de Natal e Ano-Novo. 

Até o início do último pregão da semana, a taxa de câmbio caminhava para encerrar o período próximo do patamar de R$ 5,70, no entanto, em poucas horas a moeda americana computou queda acentuada para encerrar com forte queda diária de 2,1%. Conforme explicitado no relatório de fechamento de câmbio, grande parte deste movimento ocorreu entre os horários utilizados pelo Banco Central (BC) para a formação da taxa de câmbio Ptax, ou seja, entre os boletins das 10h00min e das 13h10min. A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos. Desta forma, os operadores do mercado intensificam suas operações neste intervalo disputando a sua formação.

Desta maneira, o par real/dólar encerrou dezembro com retração de 0,7% em relação ao fechamento de novembro, terminando 2021 com valorização de 5,2% frente ao término de 2020. O dólar também avançou frente a moedas de outras economias emergentes, como a rúpia indiana (2,0%), o rublo russo (1,0%), o rand sul africano (8,9%) e a lira turca (79,2%).

Entre as principais moedas do mercado de café, o peso colombiano registrou no ano um avanço significativo (19,0%), o que acarretou, de maneira semelhante com o observado no Brasil, na disparada dos preços no mercado doméstico do país. A moeda americana avançou também em relação à rúpia indonésia (1,5%) e a lêmpira hondurenha (0,7%), recuando apenas frente ao dong vietnamita (-1,1%).

Variação das principais moedas do mercado de café em 2021

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Fonte: Reuters. Elaboração: StoneX.
 
O ano de 2022 tende a apresentar acentuada volatilidade no mercado cambial brasileiro, que terá como pano de fundo eleições presidenciais bastante incertas, um cenário político instável, e uma economia com dificuldades de controlar a inflação e manter o ritmo de recuperação do nível de renda e empregos. Segundo o Boletim Focus do Banco Central (BC) divulgado nesta segunda-feira (3), as projeções do mercado para o índice IPCA em 2022 são de 5,03%, levemente acima do limite máximo de tolerância de 5,0%, indicando que o descontrole da inflação deve continuar sendo o principal desafio para a autoridade monetária. As projeções para o crescimento da economia iniciam em baixa, com os agentes apontando para uma leve alta de 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, uma queda em relação às expectativas para 2022 há uma semana (0,42%) e há um mês (0,51%). Para a taxa de câmbio, o mercado acredita que permaneça próxima dos patamares atuais, em torno de R$ 5,60, com a taxa básica de juros (Selic) avançando a 11,50% ao ano.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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