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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado de café termina a semana com resultados mistos
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
Alexis Rubinstein
 
Mesmo com avanço em Nova Iorque, cotações de robusta terminam a semana em queda
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 5,46,2% em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 238,45/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica avançou 4,34% e renova máxima histórica, indo a R$ 1493,73/sc.
•    Preços de café robusta recuaram 2,27% em Londres, para USD 2316/ton na última sexta-feira.
•    Mercado doméstico de robusta permaneceu quase inalterado, fechando a R$ 828/sc.
•    Permanecem as incertezas com relação a produção brasileira em 2022/23
•    Minas Gerais tem sofrido com o excesso de chuva
•    Cecafé divulgará os dados de exportação nesta semana
•    Green Coffee Association divulgará dados dos estoques na próxima semana
•    Estoques certificados de café em Nova Iorque recuam 6,25% em um mês 
•    A despeito da falta de contêineres, colheita no Vietnã segue para o final 
•    Fluxo de comercialização deve aumentar no Vietnã com aproximação do ano novo lunar 
•    Dólar avança na primeira semana de 2022
•    Expectativa de alta na taxa de juros nos EUA elevaram demanda por dólares 
•    Investidores devem repercutir na semana indicadores de inflação no Brasil e Estados Unidos

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Em meio as incertezas ligadas a produção brasileira em 2022/23, na expectativa da divulgação das estimativas para a safra, a associado a fatores técnicos, o mercado de arábica terminou a semana com um importante avanço, de 1235 pontos (5,46%), quando fechou em US₵ 238,45, na última sexta-feira (07). No mercado físico brasileiro, o avanço observado nos preços de café foi menos intenso; o indicador CEPEA para a variedade arábica mostrou que os preços de café tiveram um avanço de 4,34% na semana, fechando a sexta-feira (07) cotado a R$ 1.493,73/sc, nova máxima histórica. Já as cotações de café robusta recuaram 2,27% em Londres, fechando em USD 2.316/ton. Por outro lado, o mercado de café robusta no Brasil permaneceu quase inalterado, fechando a semana cotado a R$ 828,00/sc.

Evolução das cotações de café arábica e robusta em 2021
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Como já foi comentado em outras edições do relatório semanal de café, o mercado segue na expectativa da divulgação das estimativas para a safra brasileira em 2022/23. Recentemente, a Conab anunciou que divulgará suas estimativas no dia 18 de janeiro. Além da Conab, várias organizações privadas deverão divulgar suas estimativas nas próximas semanas – a StoneX divulgará suas estimativas para a produção brasileira em 2022/23 na primeira quinzena de fevereiro. 

No Brasil, o excesso de chuva tem gerado problemas em algumas regiões do país. A algumas semanas, a região Sul da Bahia, que é uma importante produtora de café robusta, sofreu com o excesso de chuva e alagamentos. Mais recentemente, o estado de Minas Gerais tem sido castigado pelos altos volumes pluviométricos, com vários locais apresentando alagamentos e deslizamentos de terra. Algumas zonas atingidas na região próxima a capital do estado, Belo Horizonte, não têm importância no ponto de vista da produção de café, porém, outras regiões importantes produtoras de café, como as Matas de Minas, têm sofrido com o excesso de chuva, registrando deslizamentos e impactos em algumas lavouras. Para a próxima semana, os modelos indicam volumes de até 90 mm de chuva em algumas regiões do estado de Minas Gerais. 

histórico e previsão de precipitação (mm) nas regiões produtoras de café
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Fonte:  StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.

Nas próximas duas semanas, o mercado de café estará de olho nos dados de exportação no Brasil, que devem continuar indicando o impacto da crise logística na exportação brasileira e os dados de estoques nos portos americanos pela Green Coffee Association, que será divulgado na segunda-feira (17). No Brasil, os dados preliminares de exportação já apontaram para um forte recuo em dezembro – de acordo com a Secex, as exportações de café em dezembro totalizaram 3,4 milhões de sacas e foram 18,4% inferiores ao observado em dezembro do ano anterior.

Estoques certificados continuam a cair

Os dados mais recentes da ICE mostraram que, até 7 de janeiro, os estoques certificados eram de 1,5 milhão de sacas. O número representa queda de 6,25% a partir dos 1,6 milhão registados apenas 30 dias antes. O forte declínio em um tempo tão curto levantou preocupações de que os estoques poderiam cair até 1 milhão de sacas ou menos este ano. A última vez em que os estoques estiveram tão baixos foi quando chegaram a 1,096 milhão de sacas, em outubro de 2020. 

No ano passado, o mercado registou um aumento sem precedentes dos estoques certificados do Brasil, atribuído a um diferencial em queda, o que tornou muito rentável para os produtores entregarem seu café na bolsa. 

Evolução dos estoques certificados de café na ICE NY
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Fonte: ICE/NY. Elaboração: StoneX.

Se os diferenciais se enfraquecem em comparação com o preço da bolsa de Nova York, ou seja, se houver desvalorização do café numa determinada região, faz sentido que o exportador compre o produto e o entregue à bolsa para certificar. Entretanto, quando os diferenciais são mais fortes, o produtor ganha mais vendendo café FOB em vez de entregá-lo na bolsa.

Os estoques certificados brasileiros tiveram queda de quase 3% desde o início do ano, de 699.087 sacas no primeiro dia de comercialização (3 de janeiro) para 678.847 sacas até 7 de janeiro.

O café hondurenho, que geralmente compõe a maioria dos estoques certificados, também caiu 1,4% desde o início do ano, de 731.026 para 720.999 sacas.

Futuros de robusta operam de forma volátil na semana

Na sexta-feira, os preços do café robusta oscilaram perto de uma máxima de 10 anos atingida em dezembro, mas, no geral, a variedade tem registrado queda de 2,3% desde o início do ano. 

A atenção continua no Vietnã no que diz respeito aos fundamentos, que se encontra agora nas fases finais de colheita. Apesar de dificuldades para obter trabalhadores em meio às restrições contra a covid-19, a colheita estaria progredindo bem. O Vietnã está recebendo pancadas de chuva dispersas em seu litoral, mas as condições são secas no interior. O clima não tem levado a atrasos no trabalho de campo. Não obstante, o país ainda luta com uma falta de contêineres, o que está impactando a disponibilidade do café vietnamita no mercado internacional e contribuindo para uma redução dos estoques nos principais consumidores. 

Do ponto de vista técnico, o mercado de robusta contou com algumas vendas de fixação de preços dos exportadores do Vietnã. Isso é típico para a época do ano, uma vez que os agricultores precisam aumentar as vendas antes do feriado Tet (ou Ano Novo Lunar), que começa em 1 de fevereiro. 

O Brasil também está se preparando para o início da colheita de robusta em poucos meses, o que se adicionará à oferta global. Estão em andamento os giros de safra, e novas previsões para a safra 2022/23 do Brasil devem começar a circular nas próximas semanas.

Dólar avança na primeira semana de 2022. Mercado deve repercutir dados de inflação no Brasil e Estados Unidos

O dólar encerrou a primeira semana de 2022 em alta, fechando a última sexta-feira (7) com avanço de 1,0%, cotado a R$ 5,632. O mercado de câmbio acompanhou o sentimento de elevação dos riscos fiscais no país, com as movimentações de algumas categorias de funcionários públicos para pressionar o governo federal por reajustes salariais em 2022. As movimentações do dólar também acompanharam o avanço da divisa americana no exterior, onde os agentes repercutiram o posicionamento mais contracionista da autoridade monetária americana revelada em Ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), e os dados do mercado de trabalho em dezembro nos Estados Unidos. O dollar Index permaneceu acima dos 96 pontos durante a maior parte da semana, recuando na sexta-feira para encerrar o período com ganho semanal de 0,2%, cotado a 95,7 pontos.

A expectativa de que as taxas de juros nos Estados Unidos devem avançar antes do esperado tem contribuído para a maior procura pela moeda americana. Em ata divulgada na quarta-feira (5) da última reunião realizada pela FOMC do Federal Reserve (Fed), o Comitê indicou preocupação com a inflação mais forte e persistente do que o previsto por seus membros, indicando com consenso entre seus participantes de que pode ser necessário aumentar a taxa básica de juros no mais rápido do que o previsto anteriormente. Além disso, os membros discutiram sobre a possibilidade de reduzir a alocação do Fed em títulos de dívida federais e títulos hipotecários no balanço da instituição. 

A perspectiva de menor liquidez de dólares no mercado e de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos eleva a atratividade de investimento em títulos denominados em dólares. Este movimento tende a afastar investimentos em títulos em mercados considerados mais arriscados, como o Brasil, o tende a atuar de forma negativa para o real. Além disso, o complexo de commodities de maneira geral, consideradas também um investimento de maior risco, tendem a ser pressionadas neste contexto.

Os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos contribuíram para reduzir as altas da divisa americana no final da semana. De acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), o saldo entre contratações e demissões em dezembro registrou uma criação de 199 mil novos empregos no país, menos que a metade da expectativa de analistas, que apontavam para uma criação de 422 mil novas vagas. A redução do ritmo de criação de novas vagas pelo segundo mês consecutivo alivia a pressão para uma aceleração na redução dos estímulos monetários à economia. Todavia, apesar da criação de novos empregos abaixo do esperado, a taxa de desemprego apresentou nova evolução, recuando na passagem de novembro para dezembro de 4,2% para 3,9%.

Internamente, deve permanecer no foco dos agentes a mobilização de uma série de classes do funcionarismo público para reivindicar ajustes salariais em 2022. O movimento ocorre após o presidente Jair Bolsonaro ter solicitado a inclusão de R$ 1,7 bilhão para promover reajustes apenas para as categorias de segurança federal, como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Departamento Penitenciário Nacional. A possibilidade de que o governo ceda à pressão das classes de trabalhadores, e tenha que realizar novas alterações no Orçamento para 2022, tende a elevar os riscos fiscais do país, o que deve permanecer no radar dos investidores. 

Ademais, nesta semana, os agentes devem repercutir o resultado do índice de Preços ao Consumidor (CPI) e do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de dezembro nos Estados Unidos, que serão divulgados na quarta (12) e quinta-feira (13), respectivamente, pelo BLS.

No Brasil, o IBGE divulgará o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro nesta terça-feira. Até novembro, o IPCA acumula avanço de 10,74% em 2021, significativamente acima do limite superior da meta proposta pelo Banco Central (5,25%), com os preços do café moído acumulando alta de 38,8% ao consumidor brasileiro. O IBGE também publicará na semana a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de novembro.
 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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