Como já foi comentado em outras edições do relatório semanal de café, o mercado segue na expectativa da divulgação das estimativas para a safra brasileira em 2022/23. Recentemente, a Conab anunciou que divulgará suas estimativas no dia 18 de janeiro. Além da Conab, várias organizações privadas deverão divulgar suas estimativas nas próximas semanas – a StoneX divulgará suas estimativas para a produção brasileira em 2022/23 na primeira quinzena de fevereiro.
No Brasil, o excesso de chuva tem gerado problemas em algumas regiões do país. A algumas semanas, a região Sul da Bahia, que é uma importante produtora de café robusta, sofreu com o excesso de chuva e alagamentos. Mais recentemente, o estado de Minas Gerais tem sido castigado pelos altos volumes pluviométricos, com vários locais apresentando alagamentos e deslizamentos de terra. Algumas zonas atingidas na região próxima a capital do estado, Belo Horizonte, não têm importância no ponto de vista da produção de café, porém, outras regiões importantes produtoras de café, como as Matas de Minas, têm sofrido com o excesso de chuva, registrando deslizamentos e impactos em algumas lavouras. Para a próxima semana, os modelos indicam volumes de até 90 mm de chuva em algumas regiões do estado de Minas Gerais.
histórico e previsão de precipitação (mm) nas regiões produtoras de café
Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.
Nas próximas duas semanas, o mercado de café estará de olho nos dados de exportação no Brasil, que devem continuar indicando o impacto da crise logística na exportação brasileira e os dados de estoques nos portos americanos pela Green Coffee Association, que será divulgado na segunda-feira (17). No Brasil, os dados preliminares de exportação já apontaram para um forte recuo em dezembro – de acordo com a Secex, as exportações de café em dezembro totalizaram 3,4 milhões de sacas e foram 18,4% inferiores ao observado em dezembro do ano anterior.
Estoques certificados continuam a cair
Os dados mais recentes da ICE mostraram que, até 7 de janeiro, os estoques certificados eram de 1,5 milhão de sacas. O número representa queda de 6,25% a partir dos 1,6 milhão registados apenas 30 dias antes. O forte declínio em um tempo tão curto levantou preocupações de que os estoques poderiam cair até 1 milhão de sacas ou menos este ano. A última vez em que os estoques estiveram tão baixos foi quando chegaram a 1,096 milhão de sacas, em outubro de 2020.
No ano passado, o mercado registou um aumento sem precedentes dos estoques certificados do Brasil, atribuído a um diferencial em queda, o que tornou muito rentável para os produtores entregarem seu café na bolsa.
Evolução dos estoques certificados de café na ICE NY
Fonte: ICE/NY. Elaboração: StoneX.
Se os diferenciais se enfraquecem em comparação com o preço da bolsa de Nova York, ou seja, se houver desvalorização do café numa determinada região, faz sentido que o exportador compre o produto e o entregue à bolsa para certificar. Entretanto, quando os diferenciais são mais fortes, o produtor ganha mais vendendo café FOB em vez de entregá-lo na bolsa.
Os estoques certificados brasileiros tiveram queda de quase 3% desde o início do ano, de 699.087 sacas no primeiro dia de comercialização (3 de janeiro) para 678.847 sacas até 7 de janeiro.
O café hondurenho, que geralmente compõe a maioria dos estoques certificados, também caiu 1,4% desde o início do ano, de 731.026 para 720.999 sacas.
Futuros de robusta operam de forma volátil na semana
Na sexta-feira, os preços do café robusta oscilaram perto de uma máxima de 10 anos atingida em dezembro, mas, no geral, a variedade tem registrado queda de 2,3% desde o início do ano.
A atenção continua no Vietnã no que diz respeito aos fundamentos, que se encontra agora nas fases finais de colheita. Apesar de dificuldades para obter trabalhadores em meio às restrições contra a covid-19, a colheita estaria progredindo bem. O Vietnã está recebendo pancadas de chuva dispersas em seu litoral, mas as condições são secas no interior. O clima não tem levado a atrasos no trabalho de campo. Não obstante, o país ainda luta com uma falta de contêineres, o que está impactando a disponibilidade do café vietnamita no mercado internacional e contribuindo para uma redução dos estoques nos principais consumidores.
Do ponto de vista técnico, o mercado de robusta contou com algumas vendas de fixação de preços dos exportadores do Vietnã. Isso é típico para a época do ano, uma vez que os agricultores precisam aumentar as vendas antes do feriado Tet (ou Ano Novo Lunar), que começa em 1 de fevereiro.
O Brasil também está se preparando para o início da colheita de robusta em poucos meses, o que se adicionará à oferta global. Estão em andamento os giros de safra, e novas previsões para a safra 2022/23 do Brasil devem começar a circular nas próximas semanas.
O dólar encerrou a primeira semana de 2022 em alta, fechando a última sexta-feira (7) com avanço de 1,0%, cotado a R$ 5,632. O mercado de câmbio acompanhou o sentimento de elevação dos riscos fiscais no país, com as movimentações de algumas categorias de funcionários públicos para pressionar o governo federal por reajustes salariais em 2022. As movimentações do dólar também acompanharam o avanço da divisa americana no exterior, onde os agentes repercutiram o posicionamento mais contracionista da autoridade monetária americana revelada em Ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), e os dados do mercado de trabalho em dezembro nos Estados Unidos. O dollar Index permaneceu acima dos 96 pontos durante a maior parte da semana, recuando na sexta-feira para encerrar o período com ganho semanal de 0,2%, cotado a 95,7 pontos.